Ontem à noite, mais de 70 mil pessoas estiveram no Maracanã para acompanhar a vitória do Flamengo sobre o Racing, pela semifinal da Copa Libertadores da América, em uma partida que reafirmou o estádio como templo do futebol.
Ao mesmo tempo, o estádio mais simbólico do Brasil entrou no noticiário por outro motivo — e de enorme impacto para a cidade do Rio de Janeiro e para o setor público.
O que mudou
O governo do Estado do Rio de Janeiro incluiu o Maracanã, e toda a área ao redor, incluindo o Ginásio do Maracanãzinho, na lista de bens públicos que podem ser vendidos, com a finalidade de reduzir uma dívida de R$ 12,3 bilhões com a União.
A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e segue agora ao plenário, ainda sem definição final.
Como funciona hoje
Atualmente, o Maracanã é de propriedade do Estado, mas a administração foi concedida de modo privado ao consórcio formado pelos clubes Flamengo e Fluminense, por meio de contrato assinado em setembro de 2024, com vigência de 20 anos.
Ou seja: o Estado mantém a titularidade, enquanto os clubes operam, exploram partes comerciais e assumem responsabilidades operacionais.
Ainda assim, o Estado arca com parte significativa dos custos. Estimativas apontam que cada partida realizada no Maracanã gera cerca de R$ 1 milhão em despesas para o governo estadual.
As cifras e as possíveis receitas
O consórcio Flamengo/Fluminense comprometeu-se a investir cerca de R$ 393 milhões em obras e manutenção ao longo de 20 anos.
Além disso, existe estudo para venda dos naming rights (direito de nome comercial) do estádio, com projeção entre R$ 200 e 300 milhões por ano. Nesse cenário, os clubes ficariam com pelo menos 25% cada um.
Por que o governo incluiu o Maracanã na “lista de venda”
A inclusão atende ao programa federal de reestruturação fiscal, pelo qual o Estado do Rio precisa amortizar dívida com a União. Até então, a lista contava com 48 imóveis; com alterações da CCJ, agora são 62 propriedades, entre elas o complexo do Maracanã.
Trata-se de uma medida com fins de contingenciamento, a fim de que o Estado possa obter recursos extraordinários com a alienação ou concessão ampliada de ativos públicos.
Implicações e questionamentos
- Para os clubes: há uma perspectiva de maior exploração comercial, especialmente se os naming rights forem efetivamente negociados — o que pode impactar o valor percebido pela dupla Flamengo/Fluminense.
- Para o Estado: vender ou alienar parte do complexo pode aliviar contas, mas também levanta debate sobre perda de controle sobre um bem icônico e de valor simbólico para a cidade.
- Para a cidade e para os torcedores: o Maracanã não é só palco de futebol, mas espaço cultural, turístico e simbólico — qualquer mudança pode gerar forte reação pública.


