Os brasileiros estão comprando menos celulares novos e migrando para o mercado de seminovos.
É o que mostra o relatório Intelligence Report 2025-2026, da Mercado Phone, segundo o qual a participação dos smartphones usados passou de 60% para 78% das vendas em um ano.
No mesmo período, os aparelhos novos recuaram de 40% para 22%, indicando uma mudança no comportamento dos consumidores em busca de modelos mais avançados por preços menores.
Consumidor busca custo-benefício e aparelhos premium
De acordo com o levantamento, o crescimento dos seminovos não está relacionado apenas à economia. A pesquisa aponta que os consumidores passaram a comparar desempenho, durabilidade, geração dos aparelhos e potencial de revenda antes de realizar uma compra.
A mudança também aparece entre os modelos mais vendidos. O iPhone 13 manteve a liderança nas vendas, enquanto aparelhos mais recentes, como iPhone 14, iPhone 15 e iPhone 15 Pro Max, ganharam espaço no mercado de seminovos.
Por outro lado, modelos mais novos e caros perderam participação relativa. O iPhone 16 Pro Max deixou o ranking dos cinco mais vendidos, enquanto o iPhone 17 Pro Max caiu da segunda para a terceira posição.
Mercado de seminovos se consolida
Segundo a Mercado Phone, plataforma que reúne mais de 3.500 lojas no país, o segmento vem ganhando maturidade e maior confiança dos consumidores.
“O mercado de seminovos está cada vez mais consolidado e, na minha visão, sendo percebido como um negócio cada vez melhor para o consumidor. Produtos Apple têm alta durabilidade, boa retenção de valor e um ciclo de vida longo, o que torna o seminovo uma alternativa muito racional, especialmente para quem busca acessar modelos premium com melhor custo-benefício“, afirma Maycon Richart.
O domínio da Apple é outro destaque do estudo. Todos os aparelhos presentes entre os mais vendidos pertencem à fabricante norte-americana, com preços médios que variam de R$ 2.372, no caso do iPhone 11, a R$ 9.009, no iPhone 17 Pro Max.
Lojas investem em garantia e pós-venda
O relatório também aponta que a profissionalização das lojas especializadas em seminovos contribuiu para o crescimento do segmento.
Segundo Maycon Richart, os estabelecimentos passaram a investir mais em processos de avaliação dos aparelhos, garantia, suporte e experiência de compra.
“As lojas que operam com seminovos estão mais maduras, profissionais e estruturadas, investindo mais em curadoria, garantia, experiência de compra e pós-venda. Isso aumenta a confiança, reduz barreiras e fortalece ainda mais essa categoria”, diz.
Economia circular impulsiona setor
Para especialistas, o avanço dos seminovos acompanha tendências globais de consumo, como ciclos de troca mais longos, preocupação com sustentabilidade e valorização da economia circular.
“Não é apenas crescimento de seminovos, mas avanço de seminovos premium, indicando que o consumidor está migrando do comprar novo para o fazer upgrade de forma inteligente. Isso tende a fortalecer ainda mais esse mercado nos próximos anos”, avalia Richart.
O estudo indica que o mercado de smartphones usados deixou de ser uma alternativa restrita a consumidores que buscam economia e passou a ocupar papel central na estratégia de compra de tecnologia no Brasil.


