Stablecoins dominam 80% do mercado cripto no Brasil, aponta Receita Federal

Dados da Receita Federal mostram que moedas digitais atreladas ao dólar e ao real movimentaram mais de R$ 1,1 trilhão entre 2019 e 2025.

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As stablecoins, criptomoedas atreladas a moedas fiduciárias como o dólar e o real, passaram a dominar o mercado brasileiro de ativos digitais.

Dados da Receita Federal revelam que esses ativos já representam cerca de 80% do volume de operações com criptomoedas declaradas no país, consolidando uma transformação significativa no perfil dos investidores brasileiros.

O levantamento foi divulgado às vésperas da entrada em vigor da DeCripto, novo sistema de prestação de informações sobre operações com criptoativos instituído pela Instrução Normativa nº 2.291/2025.

A partir das transações realizadas em julho de 2026, empresas e plataformas do setor deverão seguir regras alinhadas ao padrão internacional da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecido como Crypto-Asset Reporting Framework (CARF).

Segundo a Receita Federal, o objetivo é ampliar a transparência do mercado, fortalecer o combate à evasão de divisas, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades ilícitas.

Stablecoins movimentaram mais de R$ 1,1 trilhão

Os números mostram a rápida ascensão desse tipo de ativo digital. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda dos principais criptoativos no Brasil. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão correspondeu às stablecoins, o equivalente a 71,7% de todo o mercado no período.

Nos anos mais recentes, a participação cresceu ainda mais. Em 2023, as stablecoins chegaram a representar 91,5% de todo o volume negociado em criptomoedas declarado à Receita Federal. O pico ocorreu em julho daquele ano, quando esses ativos responderam por 94,3% das operações registradas.

Já em 2024 e 2025, a participação se estabilizou entre 76% e 80%, mesmo com a valorização de outros ativos digitais.

USDT lidera com ampla vantagem

Entre as stablecoins utilizadas pelos brasileiros, a principal é a USDT (Tether), vinculada ao dólar americano.

De acordo com os dados da Receita, a moeda concentrou 88,7% de todo o volume negociado em stablecoins entre 2019 e 2025, movimentando aproximadamente R$ 1 trilhão no período.

Na sequência aparecem a USDC (USD Coin), com 7,1% de participação, e a BRZ, stablecoin lastreada em real, responsável por 3,4% das operações declaradas.

Crescimento acelerado desde 2020

O avanço das stablecoins ganhou força a partir de 2020 e acelerou nos anos seguintes. O volume mensal negociado passou de cifras pouco representativas para dezenas de bilhões de reais.

O maior volume registrado ocorreu em novembro de 2025, quando as operações com stablecoins alcançaram R$ 39,7 bilhões em apenas um mês.

O crescimento também se reflete na quantidade de negociações realizadas. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram registradas 185,7 milhões de operações de compra e venda envolvendo stablecoins.

O recorde foi registrado em novembro de 2024, quando foram contabilizadas 18,2 milhões de operações em um único mês.

Nova obrigação alcança plataformas estrangeiras

A Receita Federal destaca que uma parcela significativa dessas transações ocorre por meio de prestadoras de serviços de criptoativos sediadas fora do Brasil.

Por isso, a DeCripto também passa a exigir o envio de informações por empresas estrangeiras que ofereçam serviços ao mercado brasileiro.

A obrigação está prevista na Lei nº 14.754/2023 e na Instrução Normativa nº 2.291/2025. Segundo a Receita, a exigência é independente da existência de tributos a pagar e tem como foco o monitoramento das operações realizadas por investidores brasileiros.

Mercado amadurece e ganha protagonismo

Os dados indicam que as stablecoins deixaram de ser um nicho dentro do universo das criptomoedas para se tornarem o principal instrumento de movimentação financeira do setor no Brasil.

A busca por ativos digitais com menor volatilidade, especialmente aqueles atrelados ao dólar, tem impulsionado esse crescimento e consolidado as stablecoins como protagonistas do mercado cripto nacional.

Com a entrada em vigor da DeCripto, a expectativa é de que o governo tenha uma visão ainda mais detalhada sobre a movimentação desses ativos, ampliando o controle sobre um mercado que movimenta centenas de bilhões de reais por ano.

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