As bolsas de valores registraram fortes quedas nesta quinta-feira (5) e sexta-feira (6), impulsionadas pelo temor de investidores sobre o futuro da inteligência artificial (IA).
O movimento começou em Wall Street, onde o índice Nasdaq perdeu 5,52% em uma única sessão, e se espalhou pelos mercados asiáticos e europeus. A preocupação aumentou após a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que pode resultar em regras mais rígidas para a expansão de data centers.
Na quinta-feira, o Nasdaq 100, que reúne grandes empresas não financeiras listadas na bolsa americana, recuou 6,4% e perdeu aproximadamente US$ 2,5 trilhões em valor de mercado. O S&P 500 caiu 4,36%, enquanto o Dow Jones registrou baixa de 3,44%. Foi uma das sessões mais negativas do mercado americano desde abril de 2025.
As fabricantes de semicondutores, componentes essenciais para o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, estiveram entre as mais atingidas. As ações da Nvidia perderam mais de 9%, enquanto a AMD registrou queda próxima de 17%. Empresas de infraestrutura de computação em nuvem e operadoras de data centers também sofreram perdas expressivas.
Queda nas bolsas se espalha pelo mundo
A onda de vendas chegou aos mercados asiáticos nesta sexta-feira (6). No Japão, o índice Nikkei encerrou o pregão com queda de 5,96%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 6,02%. As negociações no mercado sul-coreano chegaram a ser interrompidas temporariamente após uma forte desvalorização.
Na Europa, os principais índices também abriram em queda. Por volta das 7h16, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 perdia 1,49%, enquanto as bolsas de Frankfurt, Londres e Paris registravam recuos superiores a 1%.
O movimento atingiu principalmente empresas ligadas à produção de chips, equipamentos e serviços utilizados na infraestrutura de inteligência artificial.
Investidores temem restrições à expansão da IA
Um dos principais fatores por trás da queda é a possibilidade de maior fiscalização e restrições à construção de data centers nos Estados Unidos. A vitória democrata nas eleições legislativas elevou a expectativa de novas medidas relacionadas ao consumo de energia, uso de água e impacto ambiental dessas instalações.
Segundo a Reuters, analistas do banco UBS estimam que aproximadamente 30% da capacidade adicional de data centers prevista para 2028 nos Estados Unidos poderá enfrentar riscos decorrentes de possíveis paralisações na construção. Trata-se de uma projeção de risco, não de uma suspensão já anunciada.
A preocupação ocorre porque empresas de tecnologia vêm destinando bilhões de dólares à ampliação da capacidade de processamento necessária para treinar e operar modelos de inteligência artificial.
Além da possibilidade de novas restrições, o mercado também questiona quando esses investimentos começarão a gerar retornos financeiros suficientes para compensar os custos. Empresas menores, que dependem de financiamentos para expandir suas operações, estão especialmente expostas às condições de crédito mais restritivas e aos juros elevados.
Medo de uma bolha tecnológica aumenta
A queda reacendeu o debate sobre uma possível valorização excessiva das empresas de inteligência artificial, diante da expectativa de crescimento acelerado do setor.
Nos últimos anos, o avanço da IA impulsionou as ações de fabricantes de chips, empresas de computação em nuvem e gigantes da tecnologia. Entretanto, o elevado volume de investimentos necessários para sustentar essa expansão tem provocado dúvidas sobre a rentabilidade dos projetos.
O movimento também trouxe comparações com a bolha da internet, no início dos anos 2000, quando empresas de tecnologia sofreram fortes desvalorizações depois de um período de grande entusiasmo dos investidores.
Apesar das semelhanças, a atual queda não representa necessariamente o estouro de uma bolha. O movimento indica uma reavaliação dos riscos financeiros e das expectativas de crescimento relacionadas à inteligência artificial.
A evolução das medidas regulatórias nos Estados Unidos e os resultados financeiros das grandes empresas de tecnologia devem continuar no centro das atenções dos investidores nas próximas semanas.

