Democratas conquistam controle da Câmara e do Senado dos EUA nas eleições de meio de mandato

Partido vence disputas em estados tradicionalmente republicanos e passa a controlar o Congresso, impondo novos limites à agenda do presidente Donald Trump.

O Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3).

Segundo projeções da Associated Press (AP) e da Reuters, os democratas obtiveram vitórias em estados tradicionalmente republicanos e encerraram o domínio do Partido Republicano sobre as duas casas do Congresso.

O resultado altera o equilíbrio de poder em Washington durante os dois últimos anos do segundo mandato do presidente Donald Trump.

A vitória democrata foi impulsionada por resultados em estados como Texas, Carolina do Sul, Kansas, Ohio e Carolina do Norte. No Texas, James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado em 38 anos.

Na Carolina do Sul, Annie Andrews também conquistou uma vaga que estava nas mãos dos republicanos.

No Kansas, Adam Hamilton venceu o senador republicano Roger Marshall, garantindo ao Partido Democrata sua primeira vitória em uma disputa pelo Senado no estado desde 1932. Em Ohio, Sherrod Brown também conquistou uma cadeira anteriormente ocupada pelos republicanos.

Custo de vida influenciou o resultado

A economia esteve entre os principais fatores considerados pelos eleitores. Pesquisas de boca de urna realizadas pela SSRS para veículos de comunicação americanos apontaram que quase nove em cada dez entrevistados classificaram o custo de vida como uma questão importante na decisão de voto.

O aumento dos preços, as tarifas comerciais, a guerra com o Irã e as preocupações com os rumos do país também apareceram entre os temas centrais da eleição.

Segundo a pesquisa, cerca de três quartos dos eleitores disseram estar insatisfeitos ou irritados com a direção dos Estados Unidos.

O que muda para Donald Trump?

Com a nova composição do Congresso, Trump terá de negociar com os democratas para aprovar projetos que dependam do Legislativo, incluindo medidas orçamentárias e propostas econômicas.

O controle da Câmara também permitirá aos democratas presidir comissões parlamentares, convocar audiências e ampliar a fiscalização sobre o governo federal.

No Senado, o partido poderá influenciar a análise de indicações presidenciais para cargos importantes, incluindo integrantes do Judiciário e autoridades do governo.

Apesar da mudança, Trump continuará na Presidência e manterá o poder de veto sobre projetos aprovados pelo Congresso. Para derrubar um veto presidencial, são necessários dois terços dos votos em cada uma das duas casas legislativas.

Em declarações após a eleição, Trump afirmou que aceitará os resultados e demonstrou disposição para negociar com os democratas.

Como funcionam as eleições de meio de mandato?

Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato acontecem a cada quatro anos, na metade do período presidencial americano.

Neste ano, os eleitores escolheram os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e disputaram 35 vagas no Senado, que possui 100 integrantes. Também foram realizadas eleições para governadores e outros cargos estaduais e locais.

Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos renovam toda a Câmara a cada dois anos, enquanto os senadores possuem mandatos de seis anos, com eleições escalonadas.

Os novos parlamentares tomarão posse em janeiro de 2027. Até lá, o Congresso continuará funcionando com sua composição atual.

A mudança de maioria poderá influenciar debates sobre política fiscal, comércio internacional, imigração, inteligência artificial e regulamentação das grandes empresas de tecnologia.

Veja também: Eleições nos EUA: conheça as diferenças entre os sistemas eleitorais americano e brasileiro

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