O luto é uma experiência universal, mas ainda é um tema pouco discutido dentro das organizações brasileiras.
Segundo pesquisa da International Stress Management Association (ISMA-BR), mais de 60% dos trabalhadores sentem falta de apoio emocional nas empresas quando enfrentam perdas pessoais. Isso afeta diretamente a produtividade, a saúde mental e o clima organizacional.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos mentais e emocionais relacionados a situações traumáticas, como o luto, são responsáveis por até 12% das faltas e afastamentos no trabalho.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil registra, em média, mais de 1,3 milhão de óbitos por ano, o que representa um impacto frequente no ambiente corporativo.
Para a psicóloga e especialista em saúde mental no contexto organizacional, Mariana Clark, o luto é um dos grandes desafios não só para o colaborador, mas para a empresa como um todo.
“Muitas organizações ainda não possuem políticas ou práticas claras para acolher profissionais enlutados. O silêncio e a pressa em retomar a rotina podem agravar quadros de adoecimento e afastamentos prolongados”, destaca.
Com mais de 20 anos de experiência em grandes empresas como Natura e Grupo Globo, Mariana fundou em 2018 a Humanizar Consultoria, dedicada a implementar processos de acolhimento, letramento emocional e capacitação para líderes lidarem com a saúde mental no trabalho.
“O luto exige que a empresa entenda a dor como parte da vida e não como um problema a ser ‘superado’ rapidamente. Um ambiente que oferece escuta, empatia e flexibilidade ajuda a construir uma cultura de confiança, reduz o absenteísmo e melhora o engajamento”, explica.
Além disso, Mariana Clark ressalta que o tema do luto está diretamente ligado à prevenção do suicídio no ambiente corporativo, uma área em que ela tem se destacado como uma das principais referências na suicidologia brasileira.
“Ignorar o luto é abrir espaço para sofrimento emocional intenso, que pode desencadear crises mais graves. As empresas precisam estar atentas e capacitadas para agir de forma humanizada.”


