Apostas online aumentam demanda por atendimento de saúde mental no SUS

Procura por atendimento relacionado à dependência em jogos cresceu 140% nos últimos cinco anos; governo ampliou teleatendimento para até 100 mil pessoas por mês

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O crescimento das apostas online no Brasil já produz efeitos que ultrapassam o endividamento e as perdas financeiras. Nos últimos cinco anos, a procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada à dependência em jogos e apostas aumentou 140%, segundo dados do Ministério da Saúde.

Diante do aumento da demanda, o governo federal ampliou a oferta de atendimento em saúde mental para pessoas que apresentam problemas relacionados às chamadas bets. O serviço, que começou em março com capacidade para 600 atendimentos mensais, passou a oferecer até 100 mil teleatendimentos por mês.

O atendimento é realizado de forma remota e sigilosa e também está disponível para familiares de pessoas afetadas pela dependência. A iniciativa funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Impactos na saúde mental

O transtorno relacionado ao jogo pode provocar consequências que vão além da perda de dinheiro. Entre os sinais de alerta estão alterações no sono e no humor, ansiedade, irritabilidade, dificuldade para interromper as apostas, sentimentos de culpa e vergonha, além de problemas nas relações familiares e profissionais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo. A dificuldade financeira aparece como um dos principais fatores associados ao suicídio entre apostadores. O risco de desenvolver dependência também é maior entre pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica e entre jogadores online.

Dados referentes a 2023 indicam que mais de 28 milhões de brasileiros haviam feito apostas nos 12 meses anteriores à pesquisa. Desse grupo, 10,9 milhões apresentavam padrão de jogo considerado de risco ou problemático.

Impacto para o país

O problema também representa um custo significativo para a sociedade. Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social relacionado aos jogos de azar e às apostas online no Brasil.

Desse total, R$ 30,6 bilhões, cerca de 79%, estão associados a impactos na saúde, incluindo mortes por suicídio, perda de qualidade de vida relacionada à depressão e gastos com tratamentos médicos.

Atendimento pelo SUS

Para buscar ajuda, o usuário pode acessar o aplicativo Meu SUS Digital, entrar com a conta gov.br e procurar a opção relacionada a problemas com jogos e apostas. A plataforma oferece um autoteste para identificar possíveis sinais de risco e, conforme o resultado, pode encaminhar o usuário para o teleatendimento especializado.

O atendimento também pode começar presencialmente em uma UBS. Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado para um CAPS ou outro serviço da Rede de Atenção Psicossocial.

Além dos atendimentos, o governo disponibiliza uma plataforma de autoexclusão que permite ao cidadão solicitar o bloqueio do CPF nas plataformas de apostas autorizadas, impedindo novos cadastros e o recebimento de publicidade direcionada.

A ampliação da assistência ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre os impactos das apostas online no país. Para o Ministério da Saúde, o aumento da procura por atendimento demonstra que o problema deixou de ser tratado apenas como uma questão financeira e passou a exigir respostas também na área de saúde pública.

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