O brasileiro está cada vez mais distante da casa própria

Crédito caro, juros elevados e investidores atentos a oportunidades definem o ritmo do mercado imobiliário em 2025

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Os brasileiros não parecem estar muito empolgados em comprar um novo lar para chamar de seu. A menos que condições econômicas melhorem em breve, o mercado imobiliário brasileiro enfrenta um momento de espera estratégica. Segundo pesquisa recente, apenas 33% dos entrevistados afirmaram ter planos de comprar um imóvel nos próximos três meses, o menor índice desde 2019.

A situação é agravada por um ambiente de crédito mais caro e restrito. A taxa Selic chegou a 15% ao ano em junho de 2025, o patamar mais alto desde 2006.

Essa política monetária pressionou, e continua pressionando, o sistema de financiamento imobiliário, especialmente via SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), afetando principalmente a classe média.

Dados do setor apontam que, no primeiro semestre de 2025, o volume de novos contratos imobiliários somou R$ 140,4 bilhões, com queda de 3% em relação a 2024.

O número de unidades financiadas também recuou 11%, totalizando 496,1 mil imóveis. Além disso, as concessões via SBPE caíram 10%, enquanto o financiamento pelo FGTS manteve-se relativamente estável, com leve alta de 6%.

Mesmo com retração de compradores, investidores se fortalecem

Ainda assim, o setor não está parado. A participação de investidores entre os compradores passou de 31% para 43% nos últimos 12 meses. As transações com foco em investimento também cresceram, avançando de 36% para 38% no trimestre.

Essa movimentação sugere que, mesmo diante da retração da demanda tradicional, investidores enxergam oportunidades — em parte motivados pelos descontos médios de 7%, chegando a até 10% em negociações específicas.

Resumo do cenário: espera ativa com olhares atentos à política monetária

O retrato atual do mercado imobiliário brasileiro é de hesitação entre os compradores tradicionais, contrastando com maior atividade do lado dos investidores, que seguem atentos a barganhas e oportunidades de longo prazo. Mais do que nunca, o setor depende da política monetária para retomar seu ciclo de crescimento.

Contexto recente que fortalece o quadro

  • Apesar da Selic elevada, o setor imobiliário registrou crescimento de 15% nas vendas e lançamentos no primeiro trimestre de 2025, com destaque para empreendimentos de médio e alto padrão.
  • A expectativa é que a taxa básica de juros se mantenha estável até o fim do ano, com possibilidade de queda em 2026, o que poderia aliviar o financiamento imobiliário.
  • Mesmo com financiamento mais caro, pesquisas apontam que 74% dos brasileiros ainda consideram a compra de imóveis como um dos investimentos mais seguros, reforçando a percepção de que o “tijolo” continua sendo um patrimônio sólido.

Acima de tudo, o setor vive um momento de transição: com diminuição da confiança do comprador e investidores mais ativos em busca de oportunidades. Enquanto o poder de compra cai, o apetite por investimentos permanece, condicionado ao rumo da política monetária e à expectativa de juros mais baixos no futuro.

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