Inadimplência empresarial atinge 8,8 milhões de empresas no Brasil

Avanço da inadimplência pressiona fluxo de caixa e leva empresários a reforçarem controle financeiro e tributário

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A inadimplência empresarial voltou a crescer no Brasil e já atinge 8,8 milhões de empresas, segundo dados da Serasa Experian. Juntos, os negócios negativados acumulam cerca de R$ 170 bilhões em dívidas.

O cenário tem levado empresas a reforçarem o controle financeiro, a gestão tributária e o planejamento de caixa para enfrentar um ambiente de maior pressão econômica.

Micro e pequenas empresas concentram maior parte das dívidas

De acordo com o levantamento da Serasa Experian, micro e pequenas empresas representam a maior parcela dos negócios inadimplentes no país. Os setores de serviços e comércio lideram os índices de negativação.

Os dados mais recentes mostram que a inadimplência voltou a avançar em fevereiro de 2026, interrompendo um período de estabilidade observado nos meses anteriores.

O aumento das dívidas preocupa empresários e especialistas por impactar diretamente a capacidade de investimento, a manutenção do capital de giro e a sustentabilidade das operações.

Falhas de gestão podem agravar problemas financeiros

Segundo especialistas da área tributária e financeira, o crescimento da inadimplência nem sempre está relacionado apenas a fatores externos, como juros elevados ou desaceleração econômica.

Entre os problemas mais comuns identificados nas empresas estão a falta de acompanhamento de indicadores financeiros, falhas na gestão tributária, ausência de planejamento de caixa e recolhimentos incorretos de impostos.

Para Alexandre Campos, advogado tributarista e diretor jurídico da Tributo Certo, muitas empresas concentram esforços no aumento das vendas, mas deixam em segundo plano o monitoramento da saúde financeira do negócio.

“Quando faltam acompanhamento de indicadores, revisão fiscal e planejamento de caixa, a capacidade de reação diante de períodos de maior pressão financeira se torna muito menor”, afirma.

Gestão tributária ganha importância estratégica

O aumento da fiscalização eletrônica e do cruzamento automatizado de informações fiscais, contábeis e financeiras também elevou a necessidade de controle por parte das empresas.

Segundo especialistas, erros tributários podem comprometer significativamente o caixa das organizações, seja por pagamentos indevidos de impostos, seja pela falta de aproveitamento de créditos tributários previstos na legislação.

Além disso, inconsistências fiscais podem gerar autuações, multas e outras despesas que afetam diretamente a operação das empresas.

Contabilidade deixa de ser apenas obrigação legal

A preocupação crescente com a saúde financeira dos negócios também tem ampliado o papel da contabilidade estratégica dentro das organizações.

O uso de informações contábeis e tributárias para apoiar decisões de gestão tem se tornado uma ferramenta importante para identificar riscos, antecipar problemas e melhorar a previsibilidade financeira.

Para Rafael Rocha, cofundador e executivo comercial da Tributo Certo, a inadimplência costuma ser resultado de uma série de decisões tomadas sem informações adequadas.

“Muitas vezes ela é resultado de uma sequência de decisões tomadas sem informações confiáveis. Quando existe acompanhamento dos indicadores financeiros, controle tributário e previsibilidade de caixa, a empresa ganha mais capacidade para enfrentar períodos de instabilidade”, afirma.

Planejamento e controle podem reduzir riscos

Especialistas avaliam que questões tributárias, contábeis e financeiras passaram a desempenhar papel estratégico na competitividade das empresas.

Em um cenário de aumento da inadimplência, ferramentas como planejamento financeiro, controle de custos, monitoramento de indicadores e gestão tributária ganham relevância para reduzir riscos e ampliar a capacidade de crescimento sustentável.

Com 8,8 milhões de empresas inadimplentes e um passivo estimado em R$ 170 bilhões, o avanço das dívidas reforça o desafio de empresários em equilibrar fluxo de caixa, obrigações fiscais e investimentos em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas.

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