Da Bolsa ao streaming: BM&C amplia presença para disputar atenção do investidor

Com 60,6 milhões de brasileiros com dinheiro aplicado, emissora aposta em TV, YouTube e plataformas digitais para acompanhar um público que busca informação enquanto o mercado se movimenta

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O crescimento do número de brasileiros com dinheiro aplicado está mudando não apenas o mercado financeiro, mas também a forma como informações sobre investimentos são consumidas. Em vez de esperar o fechamento do pregão ou o noticiário do fim do dia, parte desse público acompanha juros, Bolsa, câmbio e decisões econômicas em tempo real e por diferentes telas.

É nesse cenário que a BM&C News vem ampliando sua estratégia de distribuição. A emissora especializada em economia e investimentos combina programação na TV por assinatura com YouTube, portal, plataformas digitais e canais FAST, buscando acompanhar o investidor ao longo do dia.

O mercado potencial é significativo. Cerca de 60,6 milhões de brasileiros declararam ter dinheiro aplicado em produtos financeiros em 2025. Na renda variável, a B3 registrou quase 5,5 milhões de investidores e R$ 635 bilhões em custódia.

Ao mesmo tempo, o YouTube se consolidou como uma das principais portas de entrada para quem procura informações sobre investimentos. Pelo quinto ano consecutivo, a plataforma foi o canal mais citado pelos investidores para pesquisar produtos financeiros, com 35% das menções. O Instagram aparece com 27% e a televisão, com 21%.

Para Paula Moraes, sócia-fundadora e âncora da BM&C News, os números refletem uma mudança mais ampla na relação do público com o noticiário econômico.

“O investidor não espera mais o fechamento do dia para entender o que aconteceu. Ele quer contexto enquanto o mercado está se mexendo, quer ouvir a análise, comparar cenários e tomar decisões com mais segurança. A presença na TV amplia a força institucional da BM&C, enquanto o digital aumenta a velocidade e a capilaridade da informação. O ponto central é estar em diferentes momentos da rotina desse público”, afirma.

Do YouTube para diferentes telas

A BM&C informa ter atualmente 732 mil inscritos e cerca de 32 mil vídeos publicados no YouTube. A programação também é distribuída pela Claro TV+, Vivo TV+, Oi TV, Samsung TV Plus e Pluto TV, além do próprio portal.

A estratégia representa uma evolução do caminho iniciado anos atrás pela empresa. Em 2023, quando começou seu movimento de entrada na televisão paga, o canal tinha 472 mil inscritos no YouTube, acumulava 121 milhões de visualizações e registrava, segundo a companhia, audiência média diária de 200 mil pessoas ao vivo em suas plataformas.

A expansão para a TV não significa, portanto, uma substituição do digital. A estratégia é justamente combinar os dois ambientes.

Enquanto a televisão ajuda a estabelecer uma grade contínua e uma presença tradicional para o jornalismo especializado, plataformas como o YouTube permitem transmissões ao vivo, cortes, entrevistas e conteúdos sob demanda que continuam circulando depois do encerramento dos programas.

Essa lógica acompanha uma mudança no próprio consumo de mídia. O YouTube reúne aproximadamente 150 milhões de usuários no Brasil, enquanto investidores passaram a recorrer simultaneamente a redes sociais, plataformas de vídeo, sites especializados e televisão para acompanhar o mercado.

Informação financeira vira disputa por atenção

A multiplicação de canais criou uma oportunidade, mas também um problema para veículos especializados: nunca houve tanta informação financeira disponível e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade para separar análise, opinião, publicidade e conteúdo produzido sem profundidade técnica.

É justamente nesse espaço que a BM&C tenta se posicionar, combinando elementos do jornalismo econômico tradicional com a velocidade e a linguagem das plataformas digitais.

“Existe uma diferença grande entre popularizar informação financeira e simplificar demais temas que afetam patrimônio, renda e futuro. A nossa preocupação é traduzir o mercado sem tirar a complexidade do que importa. Juros, Bolsa, câmbio, crédito, política fiscal e decisões regulatórias precisam ser explicados com clareza, porque eles chegam à vida das pessoas pelo financiamento, pelo aluguel, pelo investimento e pela aposentadoria”, diz Paula.

A disputa não ocorre apenas entre veículos especializados. Bancos, corretoras, influenciadores, casas de análise e os próprios profissionais do mercado passaram a produzir conteúdo diariamente, aumentando a concorrência pelo tempo do investidor.

Para uma emissora especializada, isso significa que estar presente apenas em um canal deixou de ser suficiente. O mesmo acontecimento precisa ser acompanhado ao vivo, contextualizado em uma reportagem, discutido por especialistas e posteriormente transformado em conteúdo disponível sob demanda.

Mais investidores não significa necessariamente mais educação financeira

A expansão do mercado de investimentos brasileiro também expõe uma contradição. Embora milhões de pessoas tenham passado a utilizar produtos financeiros, uma parcela relevante da população ainda enfrenta dificuldades para organizar as próprias finanças e avaliar riscos.

Dados apresentados pela BM&C apontam que cerca de 31% da população não possui reserva financeira, enquanto 34% afirma já ter sofrido algum golpe ou fraude financeira. Apenas 21% declara ter participado de aula, curso ou treinamento relacionado à educação financeira.

Nesse ambiente, a expansão de veículos especializados pode aumentar o acesso a informações que anteriormente ficavam concentradas entre profissionais do mercado.

Isso não significa substituir assessores, planejadores financeiros ou outros profissionais especializados. O papel do jornalismo está principalmente em fornecer contexto para que acontecimentos econômicos aparentemente distantes sejam compreendidos pelo público.

Uma decisão sobre a taxa básica de juros, por exemplo, pode afetar desde a rentabilidade de aplicações financeiras até prestações, financiamentos e custo do crédito. Da mesma maneira, mudanças tributárias, decisões regulatórias e oscilações cambiais podem ter efeitos diretos sobre empresas e famílias.

“O papel do jornalismo financeiro não é dizer para a pessoa o que ela deve fazer, mas dar elementos para que ela decida melhor. Quando a informação chega com consistência, ela ajuda o público a separar ruído de fato e a enxergar o impacto das decisões econômicas antes que elas apareçam no bolso”, afirma Paula.

Para a BM&C, a aposta está justamente em acompanhar esse investidor em diferentes momentos e plataformas. Em um mercado no qual a informação pode alterar decisões em questão de minutos, a estratégia deixa de ser apenas produzir conteúdo sobre o que aconteceu e passa a envolver a capacidade de estar presente enquanto o mercado acontece.

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