A A24, estúdio responsável por filmes premiados como “Moonlight”, “Lady Bird” e “Everything Everywhere All at Once”, anunciou uma parceria com a DeepMind, divisão de inteligência artificial do Google, para desenvolver ferramentas voltadas à produção cinematográfica. O acordo acontece em um momento em que cresce a preocupação dos jovens sobre os impactos da IA na sociedade.
Conhecida por apostar em cineastas emergentes e produções autorais, a A24 construiu uma base de fãs majoritariamente jovem. Dados da PostTrak mostram que cerca de 85% do público que assistiu ao filme “Backrooms” no fim de semana de estreia tinha menos de 35 anos.
A nova parceria com o Google, avaliada em aproximadamente US$ 75 milhões, prevê a criação de tecnologias para auxiliar os bastidores das produções, incluindo automações para storyboards e novos fluxos de trabalho. Segundo as empresas, o acordo não prevê acesso do Google ao catálogo ou aos dados do estúdio.
A iniciativa, no entanto, chega em um momento de debate crescente sobre o uso da inteligência artificial na indústria do entretenimento. Um estudo divulgado recentemente pelo Pew Research Center mostra que aproximadamente metade dos adultos com menos de 30 anos acredita que a IA poderá causar prejuízos à sociedade.
A preocupação não se limita ao público. Artistas e profissionais do setor têm manifestado receios sobre o impacto da tecnologia nos processos criativos e no mercado de trabalho. Em Hollywood, os últimos anos foram marcados tanto por acordos entre estúdios e empresas de IA quanto por disputas judiciais envolvendo direitos autorais.
Apesar das críticas, a A24 afirma que a parceria busca fortalecer o trabalho criativo, e não substituí-lo. O estúdio pretende utilizar a tecnologia para otimizar etapas da produção e ampliar as possibilidades para cineastas, preservando o controle artístico das obras.
Com 76 indicações ao Oscar e 18 estatuetas conquistadas, a A24 se transformou em um dos estúdios independentes mais influentes de Hollywood. Agora, a empresa aposta que a inteligência artificial poderá ser uma ferramenta de apoio à criatividade, em meio a um cenário em que parte significativa de sua própria audiência ainda enxerga a tecnologia com desconfiança.


