Hotéis, bares, restaurantes e resorts brasileiros estão reorganizando suas operações para se adaptar ao fim da escala de trabalho 6×1, previsto para entrar em vigor em dezembro. A mudança ocorre às vésperas da temporada de verão, período de maior movimento em diversos destinos turísticos do país, e poderá exigir novas contratações e ajustes nos horários de atendimento.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (26), empresas do setor avaliam alternativas para manter os serviços funcionando durante toda a semana, mesmo com a redução da jornada dos funcionários.
A Emenda Constitucional 141/2026, promulgada em 16 de outubro, estabelece a transição da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais a partir de dezembro deste ano. O limite será reduzido para 40 horas em dezembro de 2027, sem diminuição salarial.
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Turismo está entre os setores mais afetados
A mudança terá impacto significativo sobre as atividades de hospedagem e alimentação, que dependem de trabalhadores aos fins de semana, feriados e períodos de alta demanda.
De acordo com dados apresentados pela Folha, aproximadamente 52% dos trabalhadores formais do setor de alojamento cumpriam a escala 6×1 no fim de 2025. Nos serviços de alimentação, o percentual era de 47,1%.
Para se adaptar, empresas estudam reorganizar turnos, ampliar equipes, utilizar bancos de horas e investir em automação.
O resort Le Canton, localizado em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, está entre os empreendimentos que buscam alternativas para reduzir os impactos financeiros. Segundo a reportagem, a empresa pretende limitar o aumento de sua folha salarial a 8%, abaixo da estimativa inicial de 20%.
Restaurantes também avaliam mudanças nos horários de funcionamento e na distribuição dos funcionários ao longo da semana.
Empresas alertam para aumento de custos
Entidades representativas do turismo afirmam que a redução da jornada exigirá planejamento, especialmente de pequenos hotéis, pousadas e restaurantes.
A Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) defende a negociação coletiva como instrumento para adaptar as escalas às particularidades de cada atividade.
O Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) também destaca que o impacto poderá variar conforme o porte e a estrutura dos empreendimentos.
Entre os principais desafios estão a necessidade de manter equipes durante 24 horas, cobrir os novos períodos de descanso e preservar a qualidade do atendimento.
As empresas avaliam que parte dos custos adicionais poderá ser absorvida por melhorias de produtividade, mas não descartam reflexos nos preços de serviços turísticos.
O que muda para os trabalhadores em dezembro?
A nova legislação garante dois dias de descanso semanal remunerado e reduz gradualmente o limite de horas trabalhadas.
A primeira etapa começa em 16 de dezembro de 2026, quando a jornada máxima passa a ser de 42 horas semanais. Em dezembro de 2027, o limite será de 40 horas.
A emenda também permite mecanismos de compensação de jornada e organização diferenciada de escalas, desde que sejam respeitados os direitos de descanso previstos na Constituição.
Para o turismo, a transição coincide com o início da alta temporada de verão, período que tradicionalmente aumenta a demanda por profissionais de hospedagem, alimentação, eventos e lazer.

