Brasileiros comprometem 29% da renda com dívidas, aponta Banco Central

Dados mostram aumento do endividamento das famílias, juros elevados nos empréstimos e crescimento da inadimplência no último ano

As famílias brasileiras estão comprometendo uma parcela cada vez maior da renda com o pagamento de dívidas. Segundo dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira (29), o comprometimento da renda chegou a 29% em agosto de 2026, enquanto os juros médios do crédito livre para pessoas físicas alcançaram 62,4% ao ano em setembro.

Na prática, isso significa que, a cada R$ 100 da renda familiar considerada pelo indicador, aproximadamente R$ 29 são destinados ao pagamento de parcelas de dívidas. O percentual inclui compromissos financeiros, como empréstimos e financiamentos, e não representa todas as despesas mensais de uma família.

O levantamento também mostra que o volume de crédito continua crescendo no país, embora em ritmo menor do que o registrado anteriormente.

O que significa comprometer 29% da renda?

O comprometimento de renda mostra quanto da renda das famílias é utilizado para pagar dívidas.

Para entender melhor, imagine uma família com renda mensal de R$ 3 mil. Se ela comprometesse 29% desse valor, teria R$ 870 destinados ao pagamento de dívidas, restando R$ 2.130 para as demais despesas.

Esse é apenas um exemplo ilustrativo. O percentual de 29% divulgado pelo Banco Central é um indicador agregado, e não significa que todas as famílias brasileiras tenham exatamente esse nível de comprometimento.

Em agosto, o indicador aumentou 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e 1,4 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025.

Os juros dos empréstimos continuam elevados

Outro dado importante é o custo do dinheiro emprestado pelos bancos.

Em setembro, a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas chegou a 62,4% ao ano, uma alta de 3,7 pontos percentuais em 12 meses.

O crédito livre reúne operações cujas taxas são negociadas pelas instituições financeiras, como diferentes modalidades de empréstimos pessoais e crédito para aquisição de veículos.

Isso não significa que todos os empréstimos tenham juros de 62,4% ao ano. A taxa representa uma média de diferentes operações, que podem ter custos bastante distintos.

O Banco Central também registrou aumento de 6,8 pontos percentuais na taxa média do cartão de crédito rotativo, modalidade utilizada quando o consumidor não paga integralmente a fatura e deixa parte do valor para depois.

O levantamento informa o tamanho do aumento, mas não apresenta, no texto da nota, a taxa final do rotativo em setembro.

Mais brasileiros estão com dívidas em atraso?

Os dados mostram que a inadimplência das famílias chegou a 6% em setembro, percentual igual ao registrado em agosto, mas 1,1 ponto percentual superior ao de um ano antes.

A inadimplência corresponde à parcela das operações de crédito que apresenta atrasos superiores a 90 dias, segundo o indicador utilizado pelo Banco Central.

Portanto, o percentual não significa que 6% de todos os brasileiros estejam inadimplentes. Ele se refere ao saldo das operações de crédito analisadas.

No crédito livre para pessoas físicas, a inadimplência foi ainda maior, chegando a 8,1%.

Os bancos continuam emprestando dinheiro?

Sim. O estoque de crédito do sistema financeiro brasileiro alcançou R$ 7,4 trilhões em setembro, um crescimento de 8,6% em 12 meses.

Desse total, R$ 4,7 trilhões correspondem a operações com pessoas físicas e R$ 2,8 trilhões a operações com empresas, considerando os valores arredondados divulgados pelo Banco Central.

O estoque representa o dinheiro que ainda está emprestado e precisa ser pago, e não apenas os novos empréstimos realizados durante o mês.

Embora continue crescendo, o crédito apresenta desaceleração. Em agosto, a expansão acumulada em 12 meses era de 9,4%, contra 8,6% em setembro.

Entre as modalidades que contribuíram para o crescimento do crédito às famílias estão o empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS, o consignado para trabalhadores do setor privado e o financiamento de veículos.

O que esses números significam para o consumidor?

Os indicadores mostram três aspectos importantes da situação financeira das famílias brasileiras: o volume de crédito continua aumentando, os juros de algumas modalidades ficaram mais altos e uma parcela maior da renda está sendo utilizada para pagar dívidas.

Para quem precisa contratar um empréstimo, os números reforçam a importância de comparar as condições oferecidas pelas instituições financeiras e verificar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros, tarifas e outros encargos da operação.

O levantamento do Banco Central não permite afirmar que todas as famílias estão mais endividadas ou enfrentam dificuldades para pagar suas contas. Ele mostra, porém, que o peso das dívidas sobre a renda e a inadimplência aumentaram na comparação anual.

Fonte: Banco Central do Brasil — Estatísticas monetárias e de crédito, nota de 29 de outubro de 2026, com dados referentes a agosto e setembro.

Mais notícias

+
- Publicidade -
- Publicidade -

Veja também