O Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o uso do VIZZ, primeiro colírio à base de aceclidina indicado para o tratamento da presbiopia, condição caracterizada pela perda gradual da visão de perto, comum a partir dos 40 anos. O produto, desenvolvido pela farmacêutica LENZ Therapeutics, é apontado como uma alternativa prática aos óculos de leitura.
O medicamento não é exatamente uma novidade. Sua substância ativa, a aceclidina, já era usada na Europa desde 1970 para tratar glaucoma.
Mas agora, o fato novo está relacionado ao aval para uso contra a presbiopia, condição frequente após os 40 anos, causada pelo enrijecimento do cristalino, que perde a capacidade de ajustar o foco para perto.
O medicamento utiliza aceclidina 1,44% para contrair o músculo esfíncter da íris, reduzindo a pupila para menos de 2 milímetros e criando o chamado efeito “pinhole”. Esse ajuste aumenta a profundidade de foco, permitindo que o paciente enxergue de perto com nitidez, sem comprometer a visão à distância e sem provocar deslocamento miópico.
Resultados e duração
O VIZZ é aplicado uma vez ao dia e começa a agir em cerca de 30 minutos, oferecendo efeito por até 10 horas. A aprovação foi baseada em três estudos clínicos de fase III — CLARITY 1, 2 e 3 — com 683 participantes. Os resultados mostraram melhora de até três linhas na visão de perto, sem prejuízo à visão de longe.
Segurança e efeitos adversos
Com mais de 30 mil dias de tratamento registrados nos estudos, não foram observados eventos adversos graves. Entre os efeitos colaterais leves e temporários mais comuns estão:
- Irritação ocular (20%)
- Visão embaçada temporária (16%)
- Dor de cabeça (13%)
- Hiperemia conjuntival (8%)
- Hiperemia ocular (7%)
Disponibilidade e desafios
A expectativa é que o VIZZ esteja disponível no mercado norte-americano a partir do quarto trimestre de 2025, com distribuição de amostras já em outubro. O custo estimado é de US$ 79 por 25 doses mensais ou US$ 198 por 75 doses trimestrais. No entanto, o preço e a ausência de cobertura por parte de muitos planos de saúde podem restringir o acesso. Não há previsão de aprovação pela Anvisa para uso no Brasil.
Perspectivas para o futuro
Especialistas acreditam que a aprovação do VIZZ representa uma mudança de paradigma no tratamento da presbiopia, abrindo espaço para novas tecnologias, como colírios de liberação prolongada e combinações com agentes lubrificantes. Tais inovações podem ampliar a adesão ao tratamento e beneficiar milhões de pessoas afetadas pela condição.


