O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21,0 trilhões em março, equivalente a 162,3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (27).
Apesar do recuo de 0,3% no mês, o volume acumulado em 12 meses registra crescimento de 11,2%, impulsionado principalmente pelos títulos públicos e pelas operações de crédito do sistema financeiro.
O crédito destinado às empresas somou R$ 7,1 trilhões, com alta de 1,5% em relação a fevereiro e avanço de 7,4% em um ano. O desempenho foi puxado pela emissão de títulos privados e pelo aumento dos empréstimos bancários e externos.
Já o saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) chegou a R$ 7,2 trilhões, com crescimento de 0,9% no mês. O crédito às famílias atingiu R$ 4,5 trilhões, enquanto o destinado às empresas ficou em R$ 2,7 trilhões.
Crédito às famílias segue em expansão
O crédito para pessoas físicas continua sendo um dos principais motores do crescimento. No acumulado de 12 meses, houve alta de 10,9%, com destaque para o avanço do crédito consignado, do cartão de crédito à vista e do financiamento de veículos.
No crédito com recursos livres, o saldo alcançou R$ 4,1 trilhões, com crescimento de 7,7% em um ano. Já o crédito direcionado totalizou R$ 3,1 trilhões, com expansão de 12,3% no mesmo período.

Juros sobem no ano e custo do crédito aumenta
A taxa média de juros das concessões chegou a 33,1% ao ano em março, com aumento de 1,9 ponto percentual em 12 meses. No crédito livre, a taxa média foi ainda maior, atingindo 48,3% ao ano.
O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio das operações, ficou em 24,1% ao ano, com alta de 1,5 ponto percentual na comparação anual.
Inadimplência e endividamento também avançam
A inadimplência total do sistema financeiro ficou em 4,3% em março. Embora tenha recuado levemente no mês, o indicador subiu 1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre as famílias, a taxa de inadimplência alcançou 5,3%, acima dos 2,7% registrados entre empresas.
O endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda, enquanto o comprometimento mensal com dívidas atingiu 29,7%, ambos com crescimento no acumulado de 12 meses.
Base monetária recua, mas meios de pagamento crescem
A base monetária encerrou março em R$ 438,9 bilhões, com queda de 2,3% no mês.
Por outro lado, os meios de pagamento apresentaram expansão: o M1 cresceu 0,5%, o M2 avançou 0,5% e o M4 registrou alta de 1,7%, totalizando R$ 15,1 trilhões.
Cenário aponta crédito em expansão com custo elevado
Os dados indicam um cenário de crescimento do crédito no Brasil, sustentado principalmente pela demanda das famílias e pela emissão de títulos.
Ao mesmo tempo, o aumento das taxas de juros e da inadimplência no acumulado anual reforça um ambiente de maior custo financeiro, o que pode impactar o consumo e os investimentos nos próximos meses.


