A B3 registrou 205.949 novos investidores em produtos de renda variável em 2025, crescimento de 4% em relação ao ano anterior. Com isso, o número total de investidores nesse segmento se aproxima de 5,5 milhões, enquanto o volume sob custódia alcançou R$ 635 bilhões, alta de cerca de 20% em comparação com o fim de 2024.
O avanço do acesso ao mercado de capitais também vem acelerando mudanças no setor financeiro brasileiro. Segundo especialistas, a chamada “arquitetura aberta”, modelo que permite acesso a diferentes produtos financeiros em uma mesma plataforma, deixou de ser um diferencial competitivo exclusivo e passou a fazer parte da estrutura básica do mercado.
Com bancos tradicionais e plataformas digitais ampliando suas ofertas de investimentos, o foco do mercado passa a migrar do simples acesso aos produtos para a capacidade de seleção, explicação e execução das estratégias financeiras.
Para Daniel Mazza, o movimento representa uma mudança estrutural no setor.
“Arquitetura aberta virou algo comum. Hoje, praticamente todos os grandes participantes do mercado oferecem acesso amplo a produtos. O diferencial competitivo deixou de ser o ‘o que’ e passou a ser o ‘como’: como selecionar, como explicar e como executar com disciplina”, afirmou.

O especialista destaca seis transformações que ajudam a explicar o novo momento vivido pelo mercado financeiro:
1. Commoditização da arquitetura aberta
Segundo Mazza, o acesso a produtos financeiros deixou de ser um diferencial competitivo isolado. Com a ampliação dos portfólios por bancos tradicionais e plataformas digitais, o mercado passou a exigir mais do que variedade de investimentos.
2. Paradoxo da escolha no investimento
O aumento da quantidade de opções disponíveis também ampliou os desafios para o investidor. De acordo com o especialista, o excesso de alternativas pode gerar insegurança e favorecer decisões pouco consistentes ou influenciadas pelo curto prazo.
3. Curadoria como novo diferencial
Nesse novo cenário, a curadoria passa a ganhar protagonismo. O trabalho envolve selecionar, combinar e acompanhar estratégias alinhadas aos objetivos e ao perfil de cada cliente, buscando maior consistência nos resultados ao longo do tempo.
4. Explicabilidade e experiência do cliente
A comunicação das estratégias também se tornou parte relevante do processo de investimento. Segundo Mazza, explicar cenários, riscos e decisões de forma clara contribui para fortalecer a confiança e o relacionamento entre clientes e instituições financeiras.
5. Execução como diferencial invisível
O especialista destaca ainda que fatores operacionais, como gestão de liquidez, ajustes de carteira e eficiência tributária, têm impacto direto nos resultados dos investimentos, mesmo que muitas vezes passem despercebidos pelo investidor.
6. Conflitos de interesse seguem no mercado
Mesmo com mais acesso à informação, Mazza avalia que os conflitos de interesse continuam presentes no setor, embora de formas menos explícitas. Para ele, transparência e governança seguem sendo fatores centrais para a construção de confiança.
“Estamos saindo de uma fase em que acesso era diferencial para um estágio mais maduro, em que o valor está na inteligência aplicada sobre esse acesso. Quem não fizer essa transição vai competir por preço. Quem fizer, compete por confiança e resultado”, concluiu Daniel Mazza.


