Ventania deixa dois mortos, derruba árvores, causa apagões e paralisa transportes no Rio; veja o balanço por região

Rajadas de vento superiores a 100 km/h provocaram mortes, milhares de chamados de emergência, suspensão de serviços de transporte e deixaram centenas de milhares de imóveis sem energia elétrica em todo o estado.

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A passagem de uma intensa frente fria transformou a tarde desta quarta-feira (29) em um dos dias de maior impacto provocado por ventos fortes no estado do Rio de Janeiro nos últimos anos.

Com rajadas que ultrapassaram 105 km/h no Aeroporto Internacional do Galeão e chegaram a 92,5 km/h em Santa Cruz, na Zona Oeste da capital, a ventania provocou duas mortes, derrubou árvores, muros e estruturas, interrompeu o fornecimento de energia e afetou praticamente todos os modais de transporte da Região Metropolitana.

O município do Rio entrou em Estágio 2 de atenção, enquanto equipes do Centro de Operações Rio (COR), Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e concessionárias permaneceram mobilizadas durante toda a noite para atender às ocorrências.

Duas pessoas morrem em Santa Teresa

A ocorrência mais grave foi registrada no bairro de Santa Teresa, na região central da capital.

Dois homens morreram após o desabamento de um muro provocado pela força dos ventos. O Corpo de Bombeiros foi acionado para o local, mas as vítimas não resistiram aos ferimentos. Até a manhã desta quinta-feira, não havia confirmação oficial de outras mortes relacionadas diretamente ao temporal no estado.

Zona Oeste concentra os maiores danos

A Zona Oeste foi a região mais castigada pela ventania.

Em Santa Cruz, o Alerta Rio registrou a maior rajada oficial da cidade, com 92,5 km/h.

Em Campo Grande, a cobertura de um posto de combustíveis desabou parcialmente. Também houve registros de árvores caídas, destelhamentos e danos em imóveis nos bairros de Recreio dos Bandeirantes, Guaratiba, Barra da Tijuca e Jacarepaguá.

Diversas vias ficaram parcialmente interditadas até a retirada das árvores pelas equipes da Comlurb e da Defesa Civil.

Zona Norte sofre com apagões e queda de árvores

Na Zona Norte, a principal consequência foi a interrupção do fornecimento de energia.

Bairros como Engenho Novo, Engenho de Dentro, Méier, Pilares e outras localidades registraram falta de luz durante horas.

Também houve queda de árvores e galhos sobre vias públicas, exigindo a atuação do Corpo de Bombeiros e da Prefeitura.

Os problemas na rede elétrica afetaram diretamente o funcionamento do sistema metroviário.

Zona Sul registra falta de energia e transtornos

Embora menos atingida estruturalmente, a Zona Sul também registrou reflexos da ventania.

Moradores de bairros como Botafogo relataram interrupções no fornecimento de energia, enquanto a mobilidade foi prejudicada pelas paralisações do metrô, das barcas e dos trens metropolitanos.

Centro enfrenta caos na mobilidade

No Centro do Rio, milhares de trabalhadores enfrentaram dificuldades para retornar para casa.

A interrupção temporária do MetrôRio, do sistema ferroviário e das barcas provocou congestionamentos e superlotação em diferentes corredores viários.

Os ventos também exigiram o isolamento de áreas onde havia risco de queda de estruturas.

Baixada Fluminense registra ocorrências em diversos municípios

A Baixada Fluminense também foi atingida pela frente fria.

As principais ocorrências envolveram:

  • queda de árvores;
  • interrupções no fornecimento de energia;
  • danos em postes e cabos da rede elétrica;
  • transtornos na circulação de veículos.

Equipes da Light, Enel e das prefeituras permaneceram mobilizadas durante toda a noite para restabelecer os serviços.

Niterói e São Gonçalo sofrem impactos no transporte aquaviário

Na Região Metropolitana, Niterói e São Gonçalo registraram impactos principalmente no sistema de barcas.

A travessia entre Rio e Niterói precisou ser interrompida temporariamente devido às condições de navegação na Baía de Guanabara.

O serviço foi retomado de forma gradual após melhora das condições meteorológicas.

Aeroportos operam com restrições

As rajadas de vento também afetaram a aviação.

No Aeroporto Internacional do Galeão, foram registradas rajadas de aproximadamente 105,5 km/h, uma das maiores velocidades observadas durante o evento.

O Santos Dumont chegou a suspender temporariamente pousos e decolagens por questões de segurança, provocando atrasos e alterações na malha aérea.

Metrô, trens, barcas e Ponte Rio-Niterói sofrem interrupções

Praticamente todos os modais de transporte da Região Metropolitana foram impactados.

Durante a ventania houve:

  • interrupções temporárias no MetrôRio;
  • paralisações na circulação dos trens metropolitanos;
  • suspensão das barcas;
  • alterações na operação do BRT;
  • restrições à circulação de motocicletas na Ponte Rio-Niterói.

Os serviços foram retomados gradualmente ao longo da noite.

Mais de 500 mil imóveis ficam sem energia

A rede elétrica foi um dos sistemas mais afetados.

Segundo o balanço das concessionárias, mais de 500 mil consumidores atendidos pela Light e pela Enel ficaram sem energia elétrica em diferentes regiões do estado.

As equipes seguiram trabalhando durante toda a madrugada para normalizar o fornecimento.

Bombeiros atenderam dezenas de ocorrências

O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil registraram dezenas de chamados relacionados à ventania.

Entre as principais ocorrências estavam:

  • quedas de árvores;
  • desabamentos;
  • destelhamentos;
  • salvamentos;
  • remoção de estruturas com risco de colapso.

Segundo o COR, o número de chamados continuou aumentando durante a noite, à medida que novas ocorrências eram registradas.

Interior teve menos impactos, mas segue em alerta

Embora a frente fria tenha avançado por todo o estado, os danos mais significativos permaneceram concentrados na capital e na Região Metropolitana.

As regiões Serrana, Norte Fluminense, Noroeste, Costa Verde e Região dos Lagos registraram ventos fortes, porém sem ocorrências generalizadas de grande porte até a manhã desta quinta-feira.

Defesa Civil mantém recomendações

Mesmo com a redução da intensidade dos ventos nesta quinta-feira (30), a Defesa Civil recomenda que a população permaneça atenta à possibilidade de queda de árvores, placas, estruturas metálicas e fios energizados, evitando áreas de risco e acompanhando os alertas oficiais.

A previsão indica que os ventos devem perder força gradualmente ao longo do dia, embora ainda possam ocorrer rajadas moderadas associadas à frente fria.

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