A startup israelense de agrotecnologia Nanovel recebeu um subsídio de € 2,5 milhões (cerca de R$ 18 milhões) da União Europeia para acelerar o desenvolvimento e a comercialização de robôs autônomos de colheita equipados com inteligência artificial.
A empresa também foi selecionada para receber um possível investimento adicional de até € 4,3 milhões (aproximadamente R$ 31 milhões) nos próximos anos.
O apoio financeiro foi concedido pelo programa Acelerador do Conselho Europeu de Inovação (EIC), iniciativa voltada para empresas com tecnologias consideradas inovadoras e de alto potencial de mercado.
A proposta da Nanovel é enfrentar um dos principais desafios da agricultura moderna: a falta de mão de obra para a colheita.
Segundo a empresa, os custos com trabalhadores sazonais representam cerca de 50% das despesas de produção de frutas frescas em diversas regiões do mundo.
Robôs para colher frutas sem danificá-las
A tecnologia desenvolvida pela startup combina inteligência artificial, visão computacional e robótica avançada para identificar frutas escondidas entre os galhos das árvores e realizar a colheita de forma precisa.
O sistema utiliza braços robóticos equipados com um mecanismo chamado “Grip & Trim”, capaz de segurar delicadamente a fruta e cortar o caule sem causar danos ao produto. A plataforma pode operar com vários braços simultaneamente, aumentando a produtividade nos pomares.
Além disso, os equipamentos contam com monitoramento remoto, permitindo que produtores acompanhem e gerenciem frotas de robôs em diferentes áreas de cultivo.
Expansão na Europa e meta para 2028
Com os recursos obtidos, a Nanovel pretende ampliar sua presença na Europa e concluir etapas importantes do desenvolvimento de seu robô comercial para colheita de laranjas e limões até 2028.
A empresa já realiza testes de campo em alguns dos maiores produtores de cítricos do mundo, incluindo Espanha e Itália. Também foram conduzidos experimentos em Israel e nos Estados Unidos, onde a tecnologia passou por testes de validação na Califórnia em parceria com o Citrus Research Board (CRB).
Segundo o fundador e CEO da Nanovel, Itzik Mazor, o objetivo é garantir o abastecimento de frutas frescas ao mesmo tempo em que se reduz a dependência de mão de obra manual.
“Nossa missão é garantir a disponibilidade global de frutas frescas para os consumidores e melhorar a viabilidade econômica dos produtores por meio da automação da etapa mais trabalhosa da produção“, afirmou.

Mercado bilionário
A Nanovel estima que apenas o segmento de colheita de laranjas e limões represente uma oportunidade de aproximadamente US$ 1 bilhão por ano. Em um horizonte de dez anos, o potencial de negócios pode alcançar cerca de US$ 10 bilhões.
Inicialmente focada na colheita de cítricos, a empresa planeja expandir a tecnologia para outras culturas, como mangas, pêssegos e nectarinas.
Fundada em 2018, a startup desenvolve soluções que unem robótica, inteligência artificial e visão computacional para aumentar a eficiência no campo e ajudar agricultores a enfrentar a crescente escassez de trabalhadores rurais, um desafio que afeta produtores em diferentes regiões do mundo.


