Foi-se o tempo em que querer ser médico, advogado ou doutor era o sonho dos jovens. Se você também nasceu nos anos 80, como eu, passou por isso: em algumas famílias, o famoso concurso público era a profissão que garantia estabilidade. Mas agora os tempos estão mudando, assim como a visão de mundo e de sucesso profissional.
À medida que novas gerações crescem em um mundo marcado pela hiperconexão, pela inovação tecnológica e por transformações sociais aceleradas, também mudam os sonhos profissionais que inspiram adolescentes ao redor do planeta.
A chamada Geração Alpha, formada por crianças nascidas a partir de 2010, muitas delas filhas da Geração Y (millennials), é a primeira a ser totalmente criada em um ambiente digitalizado, onde inteligência artificial, redes sociais e experiências virtuais são parte natural da rotina.
Uma pesquisa global conduzida pela GWI, com mais de 11 mil adolescentes de 12 a 15 anos em 18 países, revela quais são as carreiras dos sonhos dessa geração. Os resultados trazem um retrato revelador: enquanto ciência, engenharia e tecnologia dominam os interesses, profissões ligadas à saúde, ao esporte, às artes e até mesmo à criação de conteúdo digital também aparecem com força.
Mais do que uma lista de aspirações, esses dados ajudam a compreender como os valores, referências culturais e ferramentas disponíveis hoje influenciam as escolhas do futuro, e como escolas, empresas e a sociedade precisarão se adaptar para acolher esses novos protagonistas.
Veja agora alguns dados dessa pesquisa
1. Ciência e tecnologia dominam
Entre os meninos, 30% aspiram a carreiras como cientistas, engenheiros ou inventores, evidenciando uma forte inclinação por áreas de inovação e solução de problemas. Em contraste, entre as meninas, esse interesse também existe, mas em proporção menor: 17% desejam seguir esse caminho.
2. Games e esportes: o universo dos meninos
Como era de se esperar, 25% dos meninos sonham em se tornar desenvolvedores de jogos ou trabalhar com tecnologia, reflexo do fascínio que os games exercem sobre essa faixa etária. Além disso, 18% sonham em ser atletas profissionais, algo que, apesar de mais desafiador, segue atrativo.
Por sua vez, essas carreiras são menos populares entre meninas: apenas 10% se dizem interessadas em desenvolvimento de jogos, e 6% em esportes.
3. Saúde e cuidados: espaço cada vez maior para meninas
Para muitas garotas, a carreira médica ou na área da saúde é o sonho de futuro, com 19% expressando esse desejo, posição bem acima dos meninos.
4. Artes, influenciadores e criadores de conteúdo: o lado criativo
A veia artística fala alto entre as meninas: 21% desejam seguir carreiras nas artes, como música, dança, atuação ou pintura — contra 11% dos meninos.
Além disso, a ascensão da era digital ampliou o fascínio por carreiras influenciadoras: influenciadores ou criadores de conteúdo estão entre as aspirações, com taxas praticamente iguais — 11% dos meninos e 12% das meninas desejam essa profissão.
Além das preferências profissionais, outros insights ajudam a entender essa geração:
- Empoderamento feminino: 54% das meninas da Geração Alpha acreditam que podem exercer qualquer profissão. Esse otimismo também se traduz em maior interesse em áreas historicamente dominadas por homens — como medicina, jornalismo e direito.
- Resiliência offline: ainda que digitalmente conectados, muitos dessa geração valorizam experiências reais. Por exemplo, houve aumento de 16% nas crianças que desejam brinquedos físicos e 8% em práticas como jogar jogos de tabuleiro, indicando uma reconexão com o mundo offline.
Esses comportamentos fortes à assimilação digital mostram que, embora usem tecnologia com naturalidade, desejam equilíbrio entre o real e o virtual.
Por que esses sonhos importam?
Impulsionando políticas públicas e educacionais
- Diversificação de carreiras: o interesse de meninas por STEM e de meninos por carreiras criativas sugere caminhos a serem reforçados, a fim de que desigualdades de gênero não se perpetuem.
- Atualização pedagógica: se os jovens já aspiram a profissões tecnológicas ou criativas, o sistema educacional precisa acompanhar, oferecendo mais disciplinas relacionadas a programação, criação de conteúdo e artes.
Aqui fica uma dica para marcas e mercado de trabalho:
- Marcas que quiserem se conectar de verdade com a Geração Alpha devem levar em conta esse mosaico de desejos, equilibrando conteúdos STEM, criativos e de saúde.
- A forte identificação com influenciadores aponta que o marketing infantil precisa ser autêntico, respeitoso e visualmente inspirador, em vez de apenas promocional.
Resumo dos Números
| Profissão dos Sonhos | Meninos (%) | Meninas (%) |
|---|---|---|
| Cientista / Engenheiro / Inventor | 30% | 17% |
| Desenvolvedor de Jogos / Tech | 25% | 10% |
| Atleta Profissional | 18% | 6% |
| Médico / Área da Saúde | — | 19% |
| Artista | 11% | 21% |
| Influenciador / Criador de Conteúdo | 12% | 11% |
A Geração Alpha está construindo um universo profissional já plural, impulsionado por tecnologia, criatividade e autoconsciência. A pesquisa da GWI traz luz a essas aspirações, mostrando que cultura, gênero e mídia exercem papel decisivo na formação de sonhos.


