Um novo escritório de advocacia lançado nos Estados Unidos está usando inteligência artificial para fazer a análise inicial de documentos relacionados a propostas de emprego, participação acionária e acordos de desligamento. A FairPlay Law iniciou suas operações nesta quarta-feira (16) com uma estrutura que combina ferramentas automatizadas e atendimento realizado por advogados.
Antes de contratar o serviço jurídico, o usuário pode enviar documentos para a plataforma FairPlay Analytics e receber gratuitamente um relatório automatizado. A ferramenta compara informações apresentadas com dados de mercado e identifica pontos que podem ser relevantes em uma eventual negociação.
O relatório, no entanto, não constitui aconselhamento jurídico e não é preparado ou revisado pelos advogados da FairPlay Law. Caso o usuário decida prosseguir, poderá contratar uma consulta para que um profissional analise os documentos e discuta as alternativas disponíveis.
IA faz análise antes do atendimento com advogado
A FairPlay foi desenvolvida principalmente para atender trabalhadores e executivos em questões relacionadas às relações de emprego.
Entre os documentos que podem passar pela análise inicial estão ofertas de trabalho, contratos envolvendo remuneração e participação acionária e propostas apresentadas durante desligamentos.
Segundo a empresa, a ferramenta busca traduzir documentos complexos para uma linguagem mais acessível e fornecer informações que ajudem o usuário a identificar pontos que merecem atenção antes de uma negociação.
A companhia afirma que atende funcionários, executivos, fundadores, integrantes de conselhos, profissionais independentes, trabalhadores de plataformas digitais, criadores de conteúdo e influenciadores.
Escritório adota preços fixos
Além da utilização de inteligência artificial, a FairPlay Law adotou um modelo diferente da tradicional cobrança por horas trabalhadas comum no mercado jurídico americano.
Para determinados serviços, o escritório informa previamente ao cliente quanto será cobrado. A consulta inicial com um advogado é anunciada por US$ 350, enquanto outros serviços podem receber preços específicos de acordo com o atendimento necessário.
A utilização da IA ocorre principalmente nas etapas de leitura, organização e comparação das informações. O aconselhamento jurídico e a representação do cliente permanecem sob responsabilidade dos advogados.
Quem criou a FairPlay Law?
O escritório foi lançado por David Perla, vice-presidente da Burford Capital, e Sanjay Kamlani, consultor de inovação jurídica da Holland & Knight, segundo a Reuters.
A operação funciona em parceria com a FairPlay Global, empresa de tecnologia juridicamente separada do escritório e responsável pela plataforma de análise automatizada. Investidores externos apoiam essa estrutura, mas seus nomes não foram divulgados.
A separação entre as empresas também permite distinguir os serviços tecnológicos da atividade jurídica propriamente dita.
Escritórios criados com IA começam a ganhar espaço
A FairPlay Law integra um grupo ainda recente de escritórios americanos desenvolvidos desde o início com inteligência artificial incorporada à operação.
Segundo a Reuters, pelo menos 60 escritórios classificados como baseados em IA já são acompanhados pelo AI Firm Index.
No caso da FairPlay, a tecnologia não substitui o advogado. A IA atua principalmente na primeira análise dos documentos, enquanto consultas, orientações e representação jurídica continuam sendo realizadas por profissionais habilitados.
O serviço também está restrito ao mercado americano e segue as regras profissionais e jurídicas dos Estados Unidos. Portanto, o modelo apresentado pela empresa não deve ser interpretado como um serviço disponível ou juridicamente equivalente no Brasil.


