Mulheres recebem só 8% dos direitos autorais na música brasileira

Playlist “Women of BR”, criada pela ABMI, aposta no streaming e na divulgação internacional para ampliar a presença de compositoras e intérpretes brasileiras em outros mercados

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As mulheres ainda ocupam uma parcela pequena da geração de receita com direitos autorais na música brasileira. Em 2024, elas receberam cerca de R$ 75 milhões dos R$ 926 milhões distribuídos pelo Ecad a pessoas físicas, o equivalente a apenas 8% do total.

Em meio a essa diferença, uma nova iniciativa aposta na internacionalização como caminho para ampliar a visibilidade de compositoras e intérpretes brasileiras. A Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) lançou a playlist “Women of BR”, no Spotify, voltada à promoção de artistas nacionais em outros mercados.

Desenvolvido em parceria com a BM&A e com apoio institucional da ApexBrasil, o projeto também conta com divulgação de embaixadas e consulados brasileiros. A proposta é transformar o streaming em uma vitrine internacional para a produção musical feminina, aproximando artistas de novos públicos e ampliando oportunidades de circulação fora do país.

Mulheres ainda são minoria na distribuição de direitos autorais

Os números ajudam a dimensionar a desigualdade. De acordo com o relatório “Mulheres na Música 2025”, do Ecad, mulheres representam somente 10% dos titulares cadastrados na gestão coletiva de direitos autorais no Brasil.

Em 2024, elas receberam aproximadamente R$ 75 milhões dos R$ 926 milhões distribuídos a pessoas físicas, participação de cerca de 8%.

A diferença também aparece entre os maiores rendimentos. Apenas 5% dos 100 maiores pagamentos destinados a autores foram recebidos por mulheres.

Entre as 100 músicas mais executadas em shows no Brasil, somente 16% tiveram participação feminina na autoria, segundo o levantamento.

Streaming vira ferramenta para buscar público internacional

É nesse cenário que a “Women of BR” pretende funcionar como uma ferramenta de descoberta e circulação internacional.

“A internacionalização da música brasileira passa necessariamente pela ampliação da diversidade de vozes que chegam aos mercados globais. A Women of BR foi criada para dar mais visibilidade às artistas brasileiras e ampliar oportunidades de descoberta, conexão e circulação internacional em um ambiente cada vez mais orientado pelo streaming”, afirma Sérgio Mendonça, diretor executivo da ABMI em São Paulo e responsável pelo projeto de playlists da entidade.

A divulgação internacional também conta com a participação da rede diplomática brasileira. No primeiro mês, foram mapeadas 33 publicações no Instagram e 25 no Facebook feitas por embaixadas, consulados, perfis institucionais e associados da entidade.

Segundo os números divulgados pela ABMI, a playlist ultrapassou 900 reproduções e 70 salvamentos no período.

São números ainda modestos em audiência absoluta, portanto eu evitaria a expressão do release de que representam “resultados expressivos”. O aspecto jornalisticamente mais relevante é a estrutura criada para promover essas artistas internacionalmente.

Artistas podem se inscrever

A “Women of BR” já está disponível no Spotify e recebe inscrições de artistas interessadas em integrar a curadoria.

Para Mendonça, aumentar a presença internacional também pode criar novas oportunidades profissionais para as artistas.

“Quando criamos espaços dedicados à promoção internacional de artistas mulheres, estamos ampliando o acesso a mercados e ajudando a construir um ambiente mais representativo para a música brasileira. A presença feminina precisa crescer não apenas nos palcos, mas também nos indicadores de audiência, reconhecimento e geração de receita”, afirma.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de playlists temáticas da ABMI voltadas à promoção da música brasileira em outros mercados.

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