Rival europeia da OpenAI capta € 3 bilhões e passa a valer US$ 24 bilhões

Mistral realiza maior rodada de investimento já registrada por uma empresa privada de tecnologia europeia e ganha força na disputa global pela inteligência artificial

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A corrida pela inteligência artificial acaba de ganhar mais bilhões. A francesa Mistral AI captou € 3 bilhões em uma nova rodada de investimentos e alcançou uma avaliação de aproximadamente € 21 bilhões, equivalente a US$ 24 bilhões.

A operação representa a maior rodada de investimento em participação acionária já realizada por uma empresa privada de tecnologia da Europa, segundo a Reuters.

Fundada há apenas três anos, a Mistral se tornou uma das principais apostas europeias para competir com gigantes americanas como OpenAI e Anthropic.

A rodada foi liderada pela PSG Equity e contou com novos investidores, entre eles a Samsung Electronics e o Scaleup Europe Fund, iniciativa apoiada pela União Europeia.

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Quem é a Mistral?

Criada em Paris em 2023, a Mistral desenvolve modelos de inteligência artificial e ferramentas destinadas tanto a consumidores quanto a empresas.

Entre seus produtos está o Le Chat, assistente de IA que disputa espaço com ChatGPT, Claude, Gemini e outras plataformas.

A empresa também desenvolve modelos que podem ser integrados a sistemas corporativos e aposta em maior controle sobre como organizações utilizam e hospedam suas tecnologias.

Essa estratégia ganhou importância na Europa em meio às discussões sobre dependência tecnológica de empresas americanas e chinesas.

Por que a Europa aposta tanto na Mistral?

A inteligência artificial passou a ser tratada não apenas como uma nova categoria de software, mas como infraestrutura estratégica.

Estados Unidos concentram empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta. A China também possui grandes desenvolvedores de modelos e uma indústria própria de inteligência artificial.

A Europa tenta evitar ficar excessivamente dependente dessas duas potências.

Nesse de disputa, a Mistral ganhou importância como uma das poucas empresas europeias capazes de desenvolver modelos avançados em escala internacional.

A companhia tornou-se, assim, parte da discussão sobre soberania tecnológica europeia.

Isso ajuda a explicar por que investidores privados e instituições ligadas à União Europeia estão dispostos a colocar bilhões na empresa.

Samsung entra na nova rodada

A presença da Samsung entre os novos investidores também chama atenção.

A fabricante sul-coreana está ampliando a utilização de inteligência artificial em celulares, televisores, eletrodomésticos e outros dispositivos.

A aproximação com desenvolvedores de modelos pode se tornar estratégica à medida que mais recursos de IA passam a funcionar diretamente nos aparelhos.

O fundo Scaleup Europe, apoiado pela União Europeia, também participou da operação.

A Microsoft, que mantém uma parceria de infraestrutura com a Mistral, não participou desta nova rodada.

Mistral prevê chegar a US$ 1 bilhão em receita recorrente

A empresa também começa a apresentar números mais robustos de negócio.

A Mistral projeta alcançar US$ 1 bilhão em receita recorrente anual até o final de 2026, segundo seu diretor financeiro, Johan Bergqvist.

A companhia vem aumentando sua presença principalmente na Europa, mas também registra crescimento de clientes na América do Norte e na Ásia.

Com a nova avaliação, a Mistral se torna a segunda empresa privada de tecnologia mais valiosa da Europa.

Dinheiro será usado para desenvolver novos modelos

Os € 3 bilhões levantados deverão financiar o desenvolvimento de novos modelos de inteligência artificial e pesquisas de fronteira.

É justamente aí que aparece um dos maiores desafios da Mistral.

Desenvolver modelos de IA de última geração exige investimentos gigantescos em pesquisadores, chips e capacidade computacional. Concorrentes americanos possuem acesso a volumes de capital significativamente maiores.

A nova rodada dá à empresa francesa mais recursos para continuar nessa disputa, mas não elimina a diferença de escala.

Corrida da IA deixa de ser apenas americana

O crescimento da Mistral mostra também que a competição global por inteligência artificial está se tornando uma questão econômica e geopolítica.

Países querem desenvolver modelos próprios, garantir acesso à infraestrutura e reduzir a dependência de tecnologias controladas no exterior.

Para a Europa, a Mistral representa atualmente uma das principais empresas capazes de ocupar esse espaço.

Três anos depois de sua fundação, a startup francesa passa a valer US$ 24 bilhões. Agora, terá que provar que consegue transformar essa valorização em tecnologia e receita suficientes para competir com algumas das empresas mais capitalizadas do mundo.

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