Extensão do Claude Code é adulterada e coloca até 5 mil usuários em risco

Versões maliciosas distribuídas pela plataforma Cursor tentavam instalar um mecanismo de acesso remoto nos computadores; empresa divulgou orientações de segurança

Uma versão adulterada da extensão Claude Code, ferramenta de programação com inteligência artificial da Anthropic, foi distribuída pelo marketplace do Cursor e pode ter afetado até 5 mil usuários. O incidente ocorreu na quinta-feira (29) e foi confirmado pela empresa, que identificou um código malicioso capaz de tentar estabelecer acesso remoto aos computadores.

Segundo a Cursor, as versões comprometidas foram a 2.1.312 e a 2.1.313, disponibilizadas para Windows e macOS durante aproximadamente 11 horas. Os arquivos foram retirados da plataforma após a identificação do problema.

Como funcionava o código malicioso

De acordo com a investigação divulgada pela Cursor, a extensão adulterada tentava coletar informações dos dispositivos, incluindo nome do computador, sistema operacional, endereço IP e dados de configuração.

O programa também buscava instalar uma backdoor, mecanismo que permite criar uma via de acesso remoto não autorizado ao equipamento.

A análise da Microsoft confirmou que o código tentava modificar configurações de acesso SSH e criar mecanismos para permanecer ativo mesmo após o encerramento do aplicativo.

Entretanto, falhas no próprio código malicioso e a necessidade de permissões administrativas impediram algumas etapas do ataque em determinados computadores. Não há confirmação de que todos os usuários potencialmente expostos tenham sofrido invasões.

Como saber se o computador foi afetado

O alerta é direcionado principalmente a usuários que instalaram ou atualizaram o Claude Code pelo marketplace do Cursor em 29 de outubro de 2026, entre 6h27 e 17h35, no horário de Brasília.

A empresa recomenda as seguintes medidas:

  1. Verificar se a extensão foi instalada a partir do marketplace do Cursor durante o período indicado.
  2. Conferir se o computador recebeu uma das versões comprometidas, 2.1.312 ou 2.1.313.
  3. Utilizar as ferramentas de verificação e correção disponibilizadas no comunicado oficial.
  4. Caso haja indícios de comprometimento, remover os mecanismos maliciosos e revisar as credenciais utilizadas no computador.

A Cursor alerta que apenas desinstalar a extensão pode não ser suficiente, porque o código malicioso tentava criar arquivos capazes de continuar funcionando independentemente dela.

Para usuários corporativos, a recomendação é procurar a equipe de segurança da informação antes de executar procedimentos de recuperação.

Anthropic não desenvolveu as versões adulteradas

A Microsoft informou que os pacotes maliciosos não foram distribuídos pelo marketplace oficial do Visual Studio Code nem pelo pacote oficial do Claude Code disponibilizado via npm.

A Anthropic também confirmou à Microsoft que seus sistemas não foram comprometidos e que não desenvolveu as versões adulteradas.

A Cursor afirmou que retirou os arquivos, revisou os controles de acesso do marketplace e trabalhou com o provedor de hospedagem para desativar o servidor utilizado no ataque.

O episódio chama atenção para os riscos de ataques à cadeia de distribuição de softwares, nos quais programas aparentemente legítimos podem ser modificados antes de chegar aos usuários.

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