Importação de medicamentos que incluem canetas emagrecedoras cresce 85% no Brasil

Categoria que engloba produtos à base de semaglutida e tirzepatida movimentou US$ 1,51 bilhão entre janeiro e julho de 2026

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As importações brasileiras de uma categoria de medicamentos que inclui as chamadas canetas emagrecedoras cresceram mais de 85% nos primeiros sete meses de 2026. As compras externas movimentaram US$ 1,51 bilhão entre janeiro e julho, contra US$ 813 milhões no mesmo período de 2025.

Os dados são do Comex Stat, plataforma de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A categoria analisada compreende medicamentos contendo hormônios polipeptídicos ou seus análogos e inclui produtos à base de semaglutida e tirzepatida, princípios ativos utilizados em medicamentos para tratamento de diabetes e, em determinadas indicações, da obesidade.

Os números, portanto, não representam exclusivamente as importações das canetas utilizadas para perda de peso, mas mostram a forte expansão das compras externas da categoria na qual esses produtos estão inseridos.

Importações chegam a US$ 257 milhões em julho

O movimento ganhou força em julho.

Depois de movimentarem US$ 95,7 milhões em junho, as importações chegaram a US$ 257,1 milhões em julho, valor aproximadamente 2,7 vezes superior ao registrado no mês anterior.

No primeiro semestre de 2026, as compras externas já haviam alcançado US$ 1,25 bilhão, crescimento de 95,3% na comparação com os US$ 642,5 milhões registrados entre janeiro e junho de 2025.

Estados Unidos, Alemanha e Dinamarca aparecem como as principais origens desses medicamentos.

Categoria que inclui semaglutida e tirzepatida registra forte crescimento

Medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida ganharam projeção nos últimos anos principalmente pela utilização no tratamento do diabetes e da obesidade.

O aumento da procura por essa classe de medicamentos também trouxe novos desafios para importação, armazenamento e distribuição, já que determinados produtos precisam permanecer dentro de condições específicas de temperatura durante o transporte.

O crescimento das importações acontece ainda em um período de maior atenção das autoridades sanitárias.

Em abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a revisão de procedimentos relacionados à importação e ao controle de insumos utilizados nesses medicamentos, além da intensificação de inspeções em importadoras, farmácias de manipulação e clínicas.

Aumento das importações pressiona logística nos aeroportos

A chegada de volumes maiores também aumenta a complexidade das operações nos aeroportos brasileiros.

Medicamentos sensíveis à temperatura exigem controle das condições de armazenamento e transporte, além de coordenação entre companhias aéreas, agentes de carga, autoridades sanitárias, terminais alfandegados e transportadores.

“Os números mostram que a importação desses medicamentos mantém um ritmo elevado no Brasil. O acumulado de janeiro a julho cresceu mais de 85% em relação ao mesmo período do ano passado e julho, sozinho, movimentou US$ 257,1 milhões, quase três vezes o valor registrado em junho”, afirma Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics.

Segundo o executivo, o crescimento dos volumes exige planejamento para evitar que as condições necessárias para conservação dos produtos sejam comprometidas durante a operação.

“Em cargas farmacêuticas sensíveis à temperatura, planejamento prévio, agilidade nos aeroportos, rastreabilidade e controle ao longo de toda a operação são fundamentais”, acrescenta.

Transporte exige controle de temperatura

Além da refrigeração, a logística desse tipo de medicamento pode envolver análise antecipada de documentos, acompanhamento da carga desde a origem e soluções específicas de armazenamento.

A Cronos Logistics, responsável pelo levantamento dos dados do Comex Stat apresentados no estudo, afirma ter movimentado mais de 920 toneladas de produtos de diferentes segmentos no primeiro semestre de 2026.

No setor farmacêutico, as operações podem incluir embalagens refrigeradas ou isoladas, armazenamento de produtos sensíveis à temperatura e monitoramento durante o transporte.

O crescimento das importações da categoria mostra como a expansão do mercado de medicamentos que inclui semaglutida e tirzepatida começa a produzir efeitos que vão além das farmácias, alcançando também a cadeia brasileira de transporte e distribuição.

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