A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em seu apartamento, no Rio de Janeiro. Um dos principais nomes da história da televisão brasileira, ela construiu uma carreira de mais de seis décadas e participou de produções que marcaram diferentes gerações.
A morte foi confirmada pela assessoria da artista. Segundo a equipe, Glória faleceu por volta das 14h, de causas naturais. Até o início da noite desta terça-feira, ainda não haviam sido divulgadas informações sobre velório e sepultamento.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes, nome artístico de Nilcedes Soares de Magalhães, tornou-se uma das pioneiras da teledramaturgia brasileira. Sua trajetória atravessou teatro, cinema e televisão e acompanhou a própria transformação das novelas no país.
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Pioneira das novelas brasileiras
Glória começou a trabalhar na televisão ainda no fim dos anos 1950. Um dos momentos decisivos de sua carreira aconteceu em 1963, quando protagonizou “2-5499 Ocupado”, ao lado de Tarcísio Meira. A produção entrou para a história como a primeira telenovela diária da televisão brasileira.
Na TV Globo, onde estreou em 1967 em “Sangue e Areia”, a atriz participou de mais de 40 novelas. Entre os trabalhos de maior destaque estão “Irmãos Coragem” (1970), “Pai Herói” (1979), “Guerra dos Sexos” (1983), “Brega & Chique” (1987), “Rainha da Sucata” (1990), “A Próxima Vítima” (1995), “Torre de Babel” (1998), “O Beijo do Vampiro” (2002), “Senhora do Destino” (2004) e “A Favorita” (2008).
Em “Rainha da Sucata”, Glória viveu uma de suas personagens mais lembradas, Laurinha Figueroa, vilã que se tornou um dos marcos de sua trajetória na televisão.
Sua última novela foi “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016. Na trama, interpretou Stelinha, mãe de Arthur, personagem de Fábio Assunção. Depois disso, fez aparições pontuais na televisão, incluindo uma participação no humorístico “Tá no Ar”, em 2018.
Do cinema brasileiro a Cannes
A importância de Glória Menezes também ultrapassou a televisão. No cinema, a atriz participou de “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte e lançado em 1962.
O longa conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, feito que permanece como um dos maiores marcos internacionais da história do cinema brasileiro.
Ao longo da carreira, Glória também acumulou trabalhos no teatro e recebeu diferentes reconhecimentos pela contribuição à dramaturgia brasileira.
Parceria com Tarcísio Meira marcou a televisão
A história profissional e pessoal de Glória Menezes também ficou associada a Tarcísio Meira, com quem foi casada por 59 anos, até a morte do ator, em agosto de 2021.
Os dois formaram um dos casais mais conhecidos da televisão brasileira e atuaram juntos em diferentes produções. A parceria começou ainda antes da chegada à Globo e incluiu novelas como “Irmãos Coragem”, além da série “Tarcísio & Glória”, exibida em 1988.
Glória e Tarcísio tiveram um filho, o ator Tarcísio Filho. A atriz também era mãe de João Paulo e Maria Amélia, de seu primeiro casamento.
Mais de seis décadas dedicadas à dramaturgia
Com a morte de Glória Menezes, a dramaturgia brasileira perde uma artista que acompanhou praticamente toda a consolidação da televisão no país. De protagonista da primeira novela diária brasileira aos grandes sucessos da Globo, sua carreira atravessou mais de seis décadas.
Em 2025, sua trajetória voltou a ser celebrada pela Globo na série documental “Tributo”, na qual a própria atriz relembrou momentos da vida e da carreira.
Glória Menezes morreu pouco menos de dois meses antes de completar 92 anos.


