Praia, atrações turísticas, preço das passagens e hospedagem continuam importantes na hora de decidir para onde viajar. Mas um outro fator ganhou espaço no planejamento dos brasileiros: o que será possível comer quando chegar ao destino.
Pesquisa do Melhores Destinos mostra que a gastronomia tem peso relevante na escolha do destino para 62% dos brasileiros. Para 43%, a culinária é um dos pilares da viagem, enquanto 19% afirmam que ela pode ser determinante para decidir para onde ir.
Apenas 6% dos entrevistados disseram que a gastronomia não exerce nenhuma influência na decisão.
O levantamento ouviu 500 brasileiros maiores de 18 anos, de todas as regiões do país e com acesso à internet. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
Turista quer descobrir o que os moradores comem
O interesse pela gastronomia não significa necessariamente procurar restaurantes caros ou comandados por chefs famosos.
Esse é, na realidade, um dos resultados mais interessantes da pesquisa.
Entre os entrevistados, 63% demonstram interesse em conhecer aquilo que os moradores do destino comem no cotidiano. Já os restaurantes renomados e chefs reconhecidos são procurados por 37%.
O comportamento ajuda a transformar mercados municipais, feiras de rua, pequenos estabelecimentos e até supermercados em atrações durante uma viagem.
Para Leonardo Marques, fundador do Melhores Destinos, esses espaços permitem ao visitante ter contato mais direto com produtos e costumes locais.
“A pesquisa mostra que esse interesse pela comida local leva os viajantes a lugares frequentados pelos moradores. Mercados centrais, feiras de rua e até supermercados passam a integrar os passeios”, afirma.
A busca por experiências vai além da refeição pronta.
Tours gastronômicos despertam o interesse de 52% dos viajantes pesquisados, enquanto 49% gostariam de visitar produtores.
Nesse tipo de turismo, conhecer como um queijo, vinho, café, cerveja ou outro produto regional é produzido passa a fazer parte do próprio passeio.
Comida também vira lembrança da viagem
A experiência gastronômica continua até mesmo depois do retorno para casa.
Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados costumam considerar produtos locais como lembranças ou presentes da viagem.
Temperos, doces, bebidas e outros alimentos típicos acabam ocupando na mala o espaço que tradicionalmente seria reservado apenas aos souvenirs.
A tendência reforça uma mudança importante para destinos turísticos: gastronomia não representa somente receita para restaurantes.
Produtores rurais, mercados públicos, feiras, lojas de produtos regionais e pequenos negócios também podem se beneficiar do interesse do visitante pela culinária local.
53% pagariam mais de R$ 300 por uma experiência gastronômica
O interesse pela comida também aparece no orçamento reservado para a viagem.
A pesquisa perguntou quanto os brasileiros estariam dispostos a desembolsar além das refeições habituais para viver uma experiência gastronômica considerada especial.
Mais da metade, 53%, aceitaria gastar acima de R$ 300.
Dentro desse grupo, 31% desembolsariam entre R$ 301 e R$ 600, enquanto 22% aceitariam pagar mais de R$ 600.
Outros 37% gastariam entre R$ 101 e R$ 300.
No total, 90% afirmam que desembolsariam mais de R$ 100 adicionais por uma experiência gastronômica especial durante uma viagem. Apenas 2% não gastariam nenhum valor extra.
Os números mostram que alimentação pode deixar de ser vista apenas como uma despesa inevitável do roteiro e passar a disputar parte do orçamento destinado a passeios e experiências.
Instagram lidera busca por lugares para comer
A escolha de onde comer começa antes mesmo da chegada ao destino.
O Instagram é atualmente a principal fonte de pesquisa dos brasileiros para encontrar dicas gastronômicas durante o planejamento de uma viagem, citado por 67% dos entrevistados.
O YouTube aparece em seguida, com 59%, enquanto o TikTok alcança 49%.
As avaliações disponíveis no Google são consultadas por 48%, e recomendações de amigos e familiares aparecem com 44%.
O resultado mostra como restaurantes, mercados e experiências gastronômicas passaram a disputar a atenção do turista ainda na fase de planejamento da viagem.
Inteligência artificial já supera blogs na busca por dicas
Um dado da pesquisa também chama atenção para uma mudança na maneira como os turistas procuram informações.
Ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas por 35% dos entrevistados para pesquisar gastronomia relacionada às viagens.
O percentual supera influenciadores, citados por 33%, blogs e sites, com 30%, e guias especializados, utilizados por 24%.
Para Marques, a facilidade de fazer perguntas específicas e reunir informações que antes estavam espalhadas por diferentes páginas ajuda a explicar o avanço dessas ferramentas.
A mudança não elimina, entretanto, a necessidade de verificar se as informações estão atualizadas. Horários de funcionamento, preços, cardápios e até a existência de determinados estabelecimentos podem mudar, o que torna importante confirmar os dados antes da visita.
Gastronomia vira parte da experiência do destino
Os resultados indicam uma transformação na relação entre turismo e alimentação.
Viajar para comer bem não significa necessariamente escolher apenas destinos conhecidos pela alta gastronomia. Para parte dos brasileiros, experimentar aquilo que os moradores comem, visitar uma feira, conhecer um mercado municipal ou descobrir como determinado produto regional é feito também representa uma maneira de conhecer o lugar.
Isso amplia as oportunidades para destinos que conseguem transformar sua identidade gastronômica em produto turístico.
Em vez de concentrar o visitante apenas nos pontos turísticos tradicionais, rotas de cafés, vinhos, queijos, cervejas, mercados e culinárias regionais podem aumentar o tempo de permanência e distribuir os gastos por diferentes negócios locais.
E, se depender do comportamento apontado pela pesquisa, o prato típico de um destino pode pesar cada vez mais na decisão sobre qual será a próxima viagem.


