Pequenas e médias empresas brasileiras estão atravessando as fronteiras em direção aos Estados Unidos para garantir não apenas crescimento, mas também diversificação de receita e acesso a um mercado mais previsível.
A avaliação é de Alfredo Trindade, CEO e sócio-fundador da Ecco Planet Consulting, empresa especializada em internacionalização de negócios com sede na Flórida e mais de dois mil projetos conduzidos desde 2010.
Segundo ele, mesmo com estruturas modestas, empresas brasileiras têm ocupado espaços relevantes no ambiente norte-americano ao explorarem nichos de mercado e aproveitarem incentivos legais e tributários.
O movimento de internacionalização também responde a uma lógica de proteção contra instabilidades econômicas. “No Brasil, as PMEs enfrentam volatilidade cambial, insegurança jurídica e custos operacionais elevados. A entrada nos EUA pode ser uma forma de diluir riscos e operar em moeda forte”, analisa.
Dados do U.S. Small Business Administration apontam que pequenas empresas representam 99,9% dos negócios nos Estados Unidos, empregam cerca de 47% da força de trabalho do setor privado e contribuem para cerca de 44% da atividade econômica americana.
O ambiente é impulsionado por um ecossistema que combina acesso a crédito, desburocratização na abertura de empresas e uma cultura de consumo voltada à especialização de serviços e produtos. “Esse perfil favorece empresas brasileiras que conseguem se posicionar com soluções específicas ou experiências personalizadas”, observa Trindade.
Entre os casos acompanhados pela Ecco Planet Consulting está o de uma marca brasileira de alimentação saudável que, após abrir uma unidade em Orlando, triplicou o faturamento ao adaptar o cardápio para hábitos de consumo locais e investir em logística e certificações exigidas no país. “O sucesso veio da combinação entre estudo de mercado e respeito às diferenças culturais”, relata o executivo.
Trindade explica que o processo para operar legalmente nos EUA exige planejamento detalhado, que passa por validação de produto, análise tributária, estrutura societária, escolha do estado com melhor custo-benefício e entendimento das normas de compliance. “Muitos empreendedores subestimam esses aspectos. Não basta abrir uma LLC e esperar o retorno. É preciso estratégia”, alerta. Apesar das vantagens, o ambiente norte-americano é altamente competitivo e não há espaço para improviso. “É fundamental ter clareza sobre a viabilidade do modelo de negócio antes de migrar. Já vimos empresas que fracassaram por não entenderem o perfil do consumidor local ou por não se adequarem às exigências sanitárias, por exemplo”, destaca.


