Ele só queria juntar dois PDFs e criou um site com 250 milhões de visitas mensais

Marco Grossi criou a plataforma em Barcelona após ter dificuldade para juntar dois PDFs; 16 anos depois, site recebe cerca de 250 milhões de visitas mensais

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Um problema aparentemente banal deu origem a uma das ferramentas de produtividade mais acessadas da internet. Em 2010, o desenvolvedor e designer web espanhol Marco Grossi precisava juntar dois arquivos PDF e percebeu que realizar a tarefa de maneira rápida não era tão simples quanto esperava. A solução foi desenvolver sua própria ferramenta.

O pequeno projeto criado em Barcelona se transformaria no iLovePDF, plataforma que hoje reúne dezenas de recursos para editar, converter, comprimir, organizar e proteger documentos. O crescimento ocorreu sem rodadas de investimento e durante anos Grossi tocou o projeto praticamente sozinho.

Dezesseis anos depois, os números ajudam a dimensionar o alcance do negócio. Dados da Semrush referentes a julho de 2026 estimam 250,21 milhões de visitas mensais ao ilovepdf.com, colocando o endereço na 133ª posição entre os sites mais acessados do mundo segundo o levantamento da plataforma.

O Brasil tem participação relevante nessa audiência: representa aproximadamente 7,7% do tráfego, atrás apenas da Índia. A estimativa equivale a cerca de 19,2 milhões de visitas provenientes do Brasil em julho.

De uma necessidade pessoal para milhões de usuários

A própria história oficial do iLovePDF confirma que a plataforma nasceu em Barcelona em 2010 a partir de uma necessidade pessoal. Segundo a empresa, a proposta desde o início era oferecer ferramentas gratuitas, acessíveis e simples para trabalhar com documentos PDF.

A primeira necessidade era justamente mesclar dois PDFs. Grossi desenvolveu uma solução para o problema e começou, aos poucos, a acrescentar outras funcionalidades.

O crescimento foi bastante diferente da trajetória tradicional de muitas startups de tecnologia. Não houve uma grande rodada inicial de investimentos nem uma expansão acelerada da equipe.

Grossi continuou trabalhando sozinho de casa até 2017. Naquele momento, o site já registrava entre 200 mil e 300 mil visitas por dia, e ele finalmente contratou o primeiro funcionário, um antigo colega de universidade.

Uma reportagem mais recente da publicação catalã Via Empresa também registra que o primeiro funcionário chegou somente em 2017, após sete anos de desenvolvimento praticamente individual do projeto.

Empresa cresceu sem investidores externos

Outro aspecto que diferencia a trajetória do iLovePDF é o financiamento.

Grossi afirma que a empresa nunca recebeu investimento externo e não busca investidores. Em entrevista ao El País, o fundador contou ainda que recebeu propostas para vender o negócio, mas prefere preservar a independência da companhia.

Em vez de acelerar a expansão por meio de capital externo, a estratégia foi manter um crescimento sustentado.

Essa filosofia também aparece na contratação de funcionários. Grossi afirmou que prefere evitar ciclos de crescimento excessivamente rápidos seguidos de cortes e que, no ano em que a empresa mais contratou, foram adicionadas dez pessoas à equipe.

Como o iLovePDF ganha dinheiro se quase tudo é gratuito?

O modelo de negócios combina acesso gratuito às ferramentas com assinaturas premium.

Segundo Grossi, entre 80% e 90% da receita vem das assinaturas pagas, principalmente de clientes empresariais. O restante é obtido por publicidade.

A empresa mantém, entretanto, grande parte das funcionalidades disponível gratuitamente.

Grossi afirmou que a versão gratuita é suficiente para 99,9% dos usuários e que a intenção é preservar esse modelo.

Atualmente, a área corporativa do iLovePDF informa atender mais de 30 milhões de usuários globalmente e mais de 20 mil empresas.

De juntar PDFs a um ecossistema de documentos

A plataforma também deixou de ser apenas um site para unir ou separar arquivos.

O iLovePDF informa oferecer atualmente mais de 25 ferramentas para organizar, otimizar, editar, converter e proteger PDFs. A companhia afirma ainda já ter processado mais de 500 milhões de arquivos e disponibilizar seus serviços em 25 idiomas.

A expansão também levou a empresa para outros dispositivos. O aplicativo móvel foi lançado em 2017, enquanto a versão desktop chegou em 2018, permitindo o processamento local de documentos.

Grossi também desenvolveu o iLoveIMG, dedicado ao processamento de imagens.

Brasil é o segundo maior mercado do iLovePDF

O peso brasileiro na audiência chama atenção.

Segundo as estimativas da Semrush para julho de 2026, a Índia concentra 17,73% das visitas ao iLovePDF, seguida pelo Brasil, com 7,68%, e pelos Estados Unidos, com 6,96%.

O tráfego também continua crescendo. O levantamento estima que o site passou de 225,27 milhões de visitas em junho para 250,21 milhões em julho, avanço de aproximadamente 11% em um mês.

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