6 mitos sobre abrir uma franquia em um mercado de R$ 300 bilhões

A ideia de lucro garantido e de ausência de riscos ainda está entre os principais mitos sobre o franchising

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O mercado de franquias segue em expansão no Brasil e se consolida como uma das principais portas de entrada para quem deseja empreender com mais segurança.

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor registrou crescimento consistente em 2025, com faturamento de R$ 301,7 bilhões — o maior da história.

Para 2026, a projeção da entidade segue otimista, com expectativa de crescimento entre 8% e 10%. Apesar dos números positivos, ainda existem muitos mitos que cercam o franchising e que podem levar empreendedores a decisões equivocadas.

Para esclarecer os principais pontos, a advogada especialista em franchising, Camila Nicolau Juliano, do escritório Tardioli Lima, lista os seis principais mitos sobre esse modelo de negócio.

1. Franquia é garantia de lucro

Um dos maiores equívocos entre novos investidores é acreditar que adquirir uma franquia significa retorno financeiro garantido.

“O franchising oferece um modelo testado e suporte estruturado, mas o sucesso depende diretamente da gestão do franqueado, da localização, do cenário econômico e da execução do plano de negócios”, explica Camila.

Segundo a especialista, o modelo reduz riscos iniciais, mas não elimina a necessidade de dedicação, estratégia e visão empreendedora.


2. O franqueado é apenas um funcionário da franqueadora

Essa percepção também é incorreta e pode gerar confusão sobre o papel do investidor.

“O franqueado é um empresário independente, com seu próprio CNPJ, que assume integralmente os riscos e resultados da operação. Existe um contrato que define padrões e diretrizes, mas não há relação trabalhista com a franqueadora”, afirma.

A autonomia está presente principalmente na gestão da equipe, na operação diária e na busca por resultados.


3. Os riscos do negócio são praticamente eliminados

Embora o franchising ofereça um caminho mais estruturado, os riscos continuam existindo e são responsabilidade do franqueado.

“Essa é uma crença perigosa. O modelo reduz incertezas iniciais, mas transfere ao franqueado toda a responsabilidade pela gestão financeira, operacional, tributária e de mercado”, destaca.

Entre as principais responsabilidades estão:

  • gestão financeira e fluxo de caixa
  • contratação e liderança de equipe
  • cumprimento de obrigações legais e tributárias
  • marketing local
  • análise da concorrência e do mercado

4. Posso sair da franquia a qualquer momento

Outro mito que pode gerar prejuízos significativos.

“O contrato de franquia é de longo prazo e possui regras claras para rescisão. Sair sem justificativa prevista pode gerar multas, perda de investimento e restrições de atuação no mesmo segmento”, alerta.

Cláusulas como não concorrência e penalidades financeiras são comuns e devem ser analisadas com atenção antes da assinatura.


5. A COF é apenas um material informativo

A Circular de Oferta de Franquia (COF) é um dos documentos mais importantes de todo o processo.

“Tratar a COF como algo meramente informativo é um erro grave. Ela tem peso jurídico e é fundamental para garantir transparência ao investidor”, afirma.

A legislação brasileira determina que o documento deve ser entregue com antecedência mínima de 10 dias antes de qualquer assinatura ou pagamento. Inconsistências entre a COF e o contrato, ou a falta de informações claras conforme a Lei de Franquias, podem levar até à anulação do negócio.


6. Basta escolher a marca e investir

Para além dos mitos mais conhecidos, a especialista reforça a importância da análise prévia antes de entrar no sistema.

“Muitos problemas poderiam ser evitados com uma ampla due diligence. É essencial conversar com outros franqueados, entender o mercado local e contar com assessoria jurídica especializada antes de tomar qualquer decisão”, orienta.

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