A correria das grandes cidades está transformando a maneira como os brasileiros se alimentam. Entre deslocamentos longos, jornadas de trabalho intensas e agendas cada vez mais apertadas, encontrar tempo para sentar em um restaurante durante a semana se tornou um desafio para muitos consumidores.
O modelo conhecido como Grab and Go — ou “pegue e leve” — deixou de ser uma solução pontual e ganhou espaço definitivo no mercado de alimentação.
Antes mais comum em aeroportos, lojas de conveniência e estações de transporte, o formato vem avançando sobre cafeterias, restaurantes e franquias.
A proposta combina refeições rápidas, operação simplificada e uma experiência voltada para acompanhar o ritmo acelerado das cidades.
Segundo levantamento do IMARC Group, o mercado brasileiro de foodservice movimentou US$ 55,6 bilhões em 2025 e pode alcançar US$ 94,8 bilhões até 2034.
O crescimento é impulsionado principalmente pela busca por conveniência e pelo avanço dos pedidos digitais. O estudo aponta ainda que o país já conta com cerca de 55 milhões de usuários ativos de aplicativos de delivery, evidenciando uma mudança de comportamento cada vez mais consolidada.
Mais do que uma tendência passageira, o conceito reflete uma nova relação do consumidor com o tempo. Qualidade continua sendo importante, mas rapidez e praticidade passaram a ter peso decisivo na escolha. Filas longas e processos demorados deixaram de ser compatíveis com o cotidiano urbano.
Essa transformação abriu espaço para operações menores e mais eficientes. Em vez de grandes salões e estruturas robustas, cresce o interesse por lojas compactas, cardápios mais objetivos e processos simplificados, com foco em agilidade e produtividade.
É nesse contexto que marcas do setor, como a Itália no Box, vêm apostando em formatos mais flexíveis e alinhados ao conceito.
A proposta acompanha um hábito cada vez mais comum entre os brasileiros: realizar refeições rápidas entre compromissos, durante o expediente ou no deslocamento entre um destino e outro.

Expansão favorece novos formatos
O avanço do Grab and Go também influencia o empreendedorismo ligado à alimentação. Modelos mais enxutos representam uma alternativa de expansão com menor necessidade de estrutura física, especialmente em regiões de grande circulação de pessoas.
Estações de transporte, galerias comerciais, universidades e centros empresariais passaram a ser considerados pontos estratégicos para esse tipo de operação. A localização e a conveniência ganharam importância equivalente à do próprio cardápio.
Outro fator que impulsiona esse movimento é o comportamento das novas gerações. Consumidores mais jovens valorizam autonomia e experiências sem atrito. Aplicativos, pagamento digital, autoatendimento e retirada rápida deixaram de ser diferenciais e passaram a integrar as expectativas básicas do público.
Velocidade sem abrir mão da experiência
O modelo também evoluiu em relação à percepção de qualidade. Se antes era associado apenas à rapidez, hoje incorpora atributos ligados à personalização e à experiência gastronômica. O consumidor busca praticidade, mas sem abrir mão de identidade, sabor e variedade.
No franchising, essa mudança tem influenciado os planos de crescimento das redes de alimentação. A expansão já não depende exclusivamente de grandes espaços físicos, mas da capacidade de ocupar pontos estratégicos de forma inteligente e adaptável.
Com a valorização crescente do tempo no cotidiano das pessoas, o restaurante tradicional continua relevante, mas passa a dividir espaço com formatos desenvolvidos para uma realidade em que conveniência e agilidade se tornaram ingredientes fundamentais da experiência de consumo.


