Rio Innovation Week debate inclusão digital de idosos e alerta para riscos de golpes na internet

Especialistas defendem educação digital e iniciativas de capacitação para garantir mais autonomia e segurança à população idosa em uma sociedade cada vez mais conectada

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Como garantir que idosos acompanhem a transformação digital sem ficarem mais vulneráveis a golpes e fraudes? O desafio esteve no centro de um dos debates do Rio Innovation Week 2026, no Rio de Janeiro, que discutiu caminhos para ampliar a inclusão digital e o uso seguro da tecnologia pela população idosa.

Com o tema “Longevidade Digital: como incluir e proteger a geração que não nasceu conectada”, a mesa reuniu a desembargadora Márcia Succi, representando o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ); a procuradora de Justiça Inês Andreiuolo e o promotor de Justiça Luiz Cláudio Carvalho, ambos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ); e Jeanine Severino, da Fundação Leão XIII.

Durante o encontro, os participantes destacaram que atividades antes realizadas presencialmente migraram cada vez mais para o ambiente digital. Operações bancárias, marcação de consultas, acesso a serviços públicos, compras, pagamentos e até a comunicação com familiares estão concentrados em celulares e computadores.

Para pessoas com pouca familiaridade com essas ferramentas, no entanto, atividades que fazem parte da rotina de grande parcela da população podem representar dificuldades e aumentar a dependência de terceiros.

Idosos estão mais expostos a golpes digitais

Outro ponto de atenção levantado durante a discussão foi a vulnerabilidade da população idosa diante de fraudes praticadas pela internet.

Mensagens falsas, links maliciosos, pedidos de transferências, clonagem de contas e contatos de criminosos que se passam por familiares ou instituições financeiras estão entre os riscos enfrentados no ambiente digital.

Segundo os debatedores, a resposta para esse problema não deve ser impedir ou desencorajar o acesso dos idosos à tecnologia. A capacitação pode funcionar justamente como uma ferramenta de proteção, ajudando os usuários a reconhecer situações suspeitas antes de fornecer informações pessoais ou realizar operações financeiras.

A inclusão digital, portanto, vai além de ensinar o funcionamento de celulares e aplicativos. Ela também envolve orientações sobre proteção de dados, criação de senhas, identificação de mensagens suspeitas e cuidados ao realizar pagamentos e transferências.

Oficinas ajudam idosos a conquistar autonomia digital

Apesar dos desafios, os participantes apresentaram experiências que mostram como a distância entre a população idosa e a tecnologia pode ser reduzida por meio da educação digital.

Entre as iniciativas estão oficinas e atividades educativas nas quais os participantes aprendem a utilizar smartphones, aplicativos, redes sociais e outras ferramentas presentes no cotidiano.

Além do aprendizado técnico, essas ações buscam reduzir a dependência de terceiros para atividades rotineiras. Saber utilizar um celular pode significar conseguir marcar uma consulta, acessar um benefício, solicitar transporte por aplicativo, movimentar uma conta bancária ou manter contato com familiares sem precisar da ajuda constante de outra pessoa.

Tecnologia também precisa estar preparada para envelhecer

O debate no Rio Innovation Week trouxe ainda outra questão: a responsabilidade pela inclusão não deve recair somente sobre a população idosa. Produtos e serviços digitais também precisam considerar pessoas com diferentes idades e níveis de familiaridade com a tecnologia.

Letras pequenas, excesso de informações na tela, comandos pouco intuitivos, atualizações frequentes e processos complexos podem criar barreiras para usuários mais velhos.

Nesse sentido, discutir longevidade digital também significa pensar em plataformas mais simples, acessíveis e inclusivas, capazes de acompanhar o envelhecimento da população.

Com o avanço da digitalização de serviços essenciais, a inclusão digital passa a estar diretamente relacionada ao acesso a direitos e à participação social. O debate realizado no Rio Innovation Week reforçou que ampliar o conhecimento e a segurança da população idosa no ambiente digital é parte do desafio de construir uma transformação tecnológica que alcance diferentes gerações.

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