O setor de franchising no Brasil segue em expansão, impulsionado por novos empreendedores e modelos de negócios estruturados. Além dos indicadores de crescimento, a permanência das unidades ao longo do tempo tem sido apontada como um fator relevante para avaliar a consistência das redes.
Enquanto a abertura de novas franquias e a expansão geográfica costumam concentrar a atenção do mercado, a longevidade das operações surge como um indicador complementar de desempenho. A continuidade das unidades está associada à capacidade de adaptação, suporte ao franqueado e estabilidade do modelo de negócio.
Dados internos do CEBRAC (Centro Brasileiro de Cursos) indicam que 85% das unidades da rede estão em operação há mais de 10 anos, enquanto 70% ultrapassam 15 anos de atividade. O levantamento aponta a retenção de franqueados como um dos indicadores de maturidade no franchising.
No contexto geral do setor, informações da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que, apesar do crescimento contínuo, o fechamento de empresas ainda ocorre com maior frequência nos primeiros anos de operação, o que reforça a relevância da permanência das unidades como diferencial competitivo.
A manutenção das franquias está relacionada a fatores como suporte operacional, capacitação contínua, inovação e relacionamento entre franqueadora e franqueados.
Para Rogério Silva, COO do CEBRAC, a retenção deve ser considerada um indicador estratégico no setor. “O franchising ainda é muito orientado ao crescimento, mas a sustentabilidade do modelo está na capacidade de manter franqueados ativos e engajados ao longo dos anos. Quando uma unidade permanece, ela sinaliza consistência na operação e confiança na marca”, afirma.
Segundo o executivo, investir na permanência dos franqueados pode ser mais eficiente do que a reposição de unidades. “Redes que investem em suporte, escuta ativa e evolução constante do modelo conseguem construir uma base mais sólida e preparada para enfrentar diferentes ciclos econômicos”, explica.
A adaptação ao longo do tempo também é apontada como um fator determinante, especialmente em segmentos como o educacional, impactados por mudanças tecnológicas e novas demandas do mercado.
De acordo com o CEBRAC, a estratégia da rede busca equilibrar expansão e sustentação das operações, com foco em atualização pedagógica, suporte estruturado e proximidade na gestão.
Com o amadurecimento do franchising brasileiro, indicadores como tempo médio de permanência, satisfação dos franqueados e desempenho das unidades tendem a ganhar maior relevância nas análises do setor.


