O erro que pode transformar uma franquia em prejuízo

Setor faturou R$ 301 bilhões em 2025, mas especialistas alertam que sucesso depende do alinhamento entre perfil do empreendedor e modelo de negócio

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Após registrar faturamento recorde de R$ 301 bilhões em 2025, o mercado brasileiro de franquias mantém perspectivas de crescimento para este ano.

Dados da Associação Brasileira de Franchising apontam que o setor avançou 10,5% no ano passado e reúne atualmente mais de 200 mil operações em funcionamento, responsáveis por cerca de 1,8 milhão de empregos formais.

Apesar do cenário favorável, especialistas alertam que a escolha inadequada da franquia continua sendo um dos principais riscos para quem deseja empreender.

Setor projeta novo crescimento em 2026

Segundo a ABF, a expectativa para este ano é de expansão entre 8% e 10%, impulsionada pela abertura de novas unidades, fortalecimento das marcas e aumento da confiança dos consumidores.

O franchising segue atraindo investidores por oferecer modelos de negócio já testados, suporte operacional e processos padronizados, características que ajudam a reduzir parte dos riscos comuns ao empreendedorismo.

No entanto, especialistas destacam que o desempenho de uma unidade depende de fatores que vão além da força da marca.

“O franchising continua sendo uma das formas mais seguras de empreender, mas isso não significa que toda franquia seja adequada para qualquer investidor. O sucesso acontece quando existe alinhamento entre o potencial da marca, a estrutura da operação e o perfil do empreendedor“, afirma Rodrigo Chiavenato, diretor da vertical de Franquias da Auddas.

Perfil do empreendedor pesa na escolha

Com opções que vão desde microfranquias até operações de grande porte, a diversidade do setor amplia as possibilidades para investidores, mas também exige uma análise mais cuidadosa.

Segundo especialistas, um dos erros mais comuns é escolher uma rede apenas pelo reconhecimento da marca ou pela expectativa de faturamento.

Negócios nos segmentos de alimentação, varejo e saúde, por exemplo, costumam exigir presença constante do empreendedor, gestão de equipes e acompanhamento diário da operação.

Já modelos home office, digitais ou de serviços geralmente oferecem maior flexibilidade operacional, embora também exijam disciplina comercial e acompanhamento rigoroso de indicadores.

“Não existe uma franquia melhor ou pior de forma absoluta. Existe a franquia mais adequada para cada perfil de investidor. Quanto maior o alinhamento entre a operação, as competências do empreendedor e suas expectativas de retorno, maiores são as chances de construir um negócio sustentável“, avalia Chiavenato.

Investimento vai além da taxa de franquia

Outro ponto de atenção é a análise financeira.

Especialistas recomendam que o empreendedor não considere apenas a taxa de franquia ao avaliar uma oportunidade de negócio.

Capital de giro, royalties, fundo de propaganda, aluguel, contratação de funcionários, estoque e despesas operacionais devem entrar no cálculo antes da assinatura do contrato.

“Muitos investidores analisam apenas a taxa de franquia, mas a decisão deve contemplar o capital necessário para atravessar o período de maturação da unidade. É preciso entender quanto tempo o negócio levará para atingir sua plena performance“, afirma o executivo.

Conversar com franqueados ajuda a reduzir riscos

Antes de investir, especialistas recomendam uma etapa de diligência para conhecer melhor a operação.

Entre as orientações estão conversar com franqueados ativos, analisar indicadores financeiros da rede, verificar a qualidade do suporte oferecido pela franqueadora e avaliar o histórico de crescimento da marca.

Segundo Chiavenato, a transparência da rede e a qualidade do suporte são fatores decisivos para o sucesso de longo prazo.

“Franqueadoras maduras oferecem processos claros, treinamento contínuo e suporte operacional efetivo. Esses elementos ajudam o franqueado a tomar uma decisão mais segura“, diz.

Saúde, bem-estar e serviços ganham espaço

Embora o segmento de alimentação continue liderando o franchising brasileiro em número de unidades, outros setores vêm ampliando sua participação no mercado.

Áreas como saúde, bem-estar, estética, educação, serviços especializados e negócios ligados à produtividade aparecem entre as principais apostas para os próximos anos.

Outra tendência é o crescimento dos modelos híbridos, que combinam atendimento presencial e digital para ampliar receitas e melhorar a experiência do consumidor.

Crescimento não garante sucesso

Apesar do bom momento do setor, especialistas alertam que acompanhar tendências não é suficiente para garantir resultados.

“O mercado naturalmente direciona atenção para os segmentos que estão crescendo mais rápido, mas crescimento não é sinônimo de adequação. O investidor precisa avaliar se possui afinidade com o setor, capacidade de gestão e disponibilidade para executar o modelo de negócio com excelência“, afirma Chiavenato.

Para o especialista, os melhores resultados surgem quando três fatores estão alinhados: demanda de mercado, modelo de negócio sólido e capacidade de execução do empreendedor.

“O sucesso no franchising não está apenas na escolha da marca ou do setor, mas na capacidade de transformar uma boa oportunidade em uma operação de alta performance“, conclui.

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