Muse supera estreia do ChatGPT em downloads e coloca Meta na corrida pelos agentes de IA

Novo agente da Meta pode comprar produtos, reservar serviços, preencher formulários e continuar executando tarefas mesmo depois que usuário fecha o aplicativo

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A Meta conseguiu colocar um novo concorrente no centro da corrida pela inteligência artificial. Lançado em 8 de setembro nos Estados Unidos e Canadá, o Muse chegou ao primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos nas lojas da Apple e do Google e registrou, em seus primeiros dias, desempenho superior ao início do ChatGPT no celular em uma comparação equivalente.

Dados da empresa de inteligência de mercado Apptopia indicam que o Muse alcançou 1,8 milhão de downloads no iOS nos Estados Unidos e Canadá durante os primeiros 12 dias. No mesmo recorte geográfico e período após sua estreia móvel, o ChatGPT registrou 1,3 milhão.

Considerando todas as instalações disponíveis do Muse, o novo aplicativo da Meta chegou a 2,8 milhões de downloads nos primeiros 12 dias.

A comparação não significa que o Muse já seja maior que o ChatGPT. O produto da OpenAI possui hoje uma base estabelecida globalmente e teve uma estratégia diferente quando lançou seu aplicativo para celular.

Os números, entretanto, mostram que a Meta conseguiu algo que vinha buscando há anos: chamar a atenção dos consumidores para um produto próprio de inteligência artificial.

Muse não quer apenas conversar com o usuário

Uma das principais diferenças está no que a Meta pretende que o Muse faça.

Enquanto os primeiros chatbots de inteligência artificial ficaram conhecidos principalmente por responder perguntas e produzir textos, imagens e outros conteúdos, o Muse foi desenvolvido como um agente pessoal.

Isso significa que a IA pode executar ações em nome do usuário.

Segundo a Meta, o Muse consegue navegar pela internet, preencher formulários, marcar compromissos, lidar com atendimento ao cliente, fazer pesquisas e realizar compras.

Também pode ser conectado a serviços como e-mail, calendário e Instagram.

O usuário pode conversar com o agente pelo aplicativo ou diretamente pelo WhatsApp.

IA continua trabalhando depois que aplicativo é fechado

Outra característica diferencia agentes de IA dos chatbots tradicionais.

O Muse pode continuar executando determinadas tarefas em segundo plano mesmo depois que o usuário fecha o aplicativo.

Uma pessoa pode, por exemplo, definir um objetivo ou solicitar que a ferramenta monitore determinada informação.

O agente cria um plano, executa etapas e pode retornar posteriormente com resultados ou sugestões.

Segundo a Meta, o Muse também consegue criar suas próprias ferramentas quando precisa realizar uma tarefa para a qual ainda não possui uma integração específica.

É justamente essa capacidade de agir que está colocando os agentes no centro da próxima disputa entre as grandes empresas de tecnologia.

Muse pede autorização antes de determinadas ações

Permitir que uma inteligência artificial envie mensagens, acesse serviços e realize compras cria riscos diferentes daqueles encontrados em um chatbot convencional.

A Meta afirma que desenvolveu mecanismos específicos para essas situações.

A empresa diz que o Muse solicita autorização antes de executar ações consideradas sensíveis, como enviar um e-mail ou finalizar uma compra.

O usuário também pode consultar um histórico das atividades realizadas pelo agente.

Para navegar na internet, o Muse utiliza uma máquina virtual própria equipada com navegador.

Segundo a Meta, credenciais são mantidas em um armazenamento seguro ao qual o próprio agente não possui acesso direto. Nas compras, a companhia afirma que um número de cartão de uso único pode ser gerado no momento do pagamento para evitar que o cartão real fique disponível para o agente ou para o comerciante.

Essas são descrições fornecidas pela própria Meta sobre a arquitetura de segurança do produto.

Muse chega ao primeiro lugar nas lojas de aplicativos

A resposta inicial dos consumidores chamou a atenção do mercado.

Poucos dias depois do lançamento, o Muse chegou à segunda posição entre os aplicativos gratuitos da App Store americana.

Agora, alcançou o primeiro lugar nas lojas de aplicativos da Apple e do Google nos Estados Unidos.

Dados da Sensor Tower mostram que o aplicativo registrou mais de 902 mil downloads nos seis primeiros dias depois do lançamento, superando os 773 mil alcançados pelo aplicativo Meta AI no mesmo intervalo após sua estreia.

Já a Apptopia calculou 2,8 milhões de instalações do Muse durante os primeiros 12 dias.

Em uma comparação limitada ao iOS nos Estados Unidos e Canadá, a empresa encontrou 1,8 milhão de downloads do Muse contra 1,3 milhão registrados pelo ChatGPT durante os primeiros 12 dias de sua estreia móvel.

O recorte é necessário porque os lançamentos foram diferentes. O ChatGPT estreou no celular inicialmente apenas para iOS, mas com disponibilidade geográfica mais ampla. O Muse foi lançado simultaneamente para iOS e Android, porém inicialmente restrito aos Estados Unidos e Canadá.

Sucesso do Muse fez ações da Meta dispararem

A recepção ao produto também chegou ao mercado financeiro.

As ações da Meta avançaram mais de 11% na segunda-feira (21), em meio ao otimismo dos investidores com o desempenho inicial do Muse.

O movimento ocorre depois de anos de investimentos bilionários da companhia em inteligência artificial e infraestrutura computacional.

A Meta já oferece recursos de IA em Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger, além de desenvolver seus próprios modelos.

O Muse, entretanto, representa uma tentativa diferente: criar um produto de IA que possa assumir diretamente tarefas cotidianas dos usuários.

Agentes de IA podem mudar como usamos a internet

A estratégia coloca a Meta em uma disputa que envolve OpenAI, Google, Anthropic, Amazon e outras empresas.

O objetivo deixa de ser apenas possuir o chatbot capaz de produzir a melhor resposta.

A nova competição envolve descobrir qual inteligência artificial será autorizada pelo usuário a agir por ele.

Imagine pedir para uma IA pesquisar hotéis, comparar opções, reservar uma hospedagem e colocar o compromisso no calendário.

Ou solicitar que encontre determinado produto, compare preços, procure cupons e finalize a compra.

Nesse cenário, o usuário pode deixar de navegar diretamente por diferentes sites e aplicativos.

O agente passa a ocupar o espaço entre consumidor e empresas.

Amazon já bloqueou Muse de fazer compras

Essa transformação já está provocando conflitos.

A Amazon bloqueou o acesso do Muse ao seu marketplace depois de descobrir que o agente estava navegando pela plataforma e realizando compras em nome dos usuários.

A empresa afirma que a Meta não comunicou previamente que o Muse acessaria a Amazon e diz que agentes externos precisam se identificar e respeitar a decisão dos serviços sobre participar ou não desse tipo de experiência.

A Amazon também levantou preocupações relacionadas à segurança, privacidade e tratamento de credenciais.

A Meta afirma que o Muse não consegue visualizar senhas ou informações de pagamento armazenadas de forma segura.

O episódio mostra uma disputa comercial que provavelmente crescerá com a popularização dos agentes.

Quem controla a relação com o consumidor?

Para empresas como Amazon, permitir que agentes externos controlem a jornada de compra envolve mais do que uma questão técnica.

Marketplaces utilizam histórico, recomendações, publicidade e dados de comportamento para construir suas próprias experiências de compra.

Se o consumidor passar a pedir ao Muse — ou a qualquer outro agente — que escolha e compre produtos, parte dessa relação passa a ser controlada pela empresa responsável pela inteligência artificial.

Outras varejistas estão adotando estratégias diferentes. O Walmart, por exemplo, vem trabalhando com Google e OpenAI para permitir que seus produtos sejam encontrados dentro de experiências de compras baseadas em agentes.

A disputa começa a colocar uma questão no centro da próxima etapa do comércio digital: quem terá a relação direta com o consumidor — a loja ou a inteligência artificial que compra por ele?

Meta ainda precisa provar que o interesse vai durar

O início do Muse é forte, mas downloads não garantem sucesso de longo prazo.

O próximo desafio será transformar a curiosidade inicial em usuários recorrentes e, posteriormente, encontrar maneiras sustentáveis de monetizar o serviço.

A Meta oferece uma modalidade gratuita do Muse com limite de utilização e planos pagos para usuários que precisam de maior capacidade.

Também existe uma questão ainda maior: para que agentes pessoais cumpram a promessa de executar tarefas, eles precisam ter acesso a diferentes serviços, sites e informações dos usuários.

O bloqueio imposto pela Amazon mostra que essa integração não dependerá apenas da capacidade tecnológica da IA.

Ainda assim, os primeiros números colocam a Meta em uma posição que não possuía há poucas semanas.

Depois de anos em que ChatGPT se tornou praticamente sinônimo de inteligência artificial para o consumidor, o Muse oferece à empresa de Mark Zuckerberg uma oportunidade de disputar a próxima etapa da corrida: não apenas uma IA que responde, mas uma IA que faz.

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