A Meta apresentou o Muse, novo agente pessoal de inteligência artificial capaz de executar tarefas como enviar e-mails, preencher formulários, organizar viagens e realizar compras. Diferentemente de um chatbot tradicional, a ferramenta pode se conectar a outros serviços e continuar trabalhando mesmo depois que o usuário fecha o aplicativo.
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A novidade começa a ser disponibilizada nos Estados Unidos para maiores de 18 anos e poderá ser acessada pelo aplicativo próprio do Muse, no iOS e Android, pela web e diretamente pelo WhatsApp. Ainda não há previsão anunciada para a chegada ao Brasil.
O lançamento representa uma nova etapa da estratégia de inteligência artificial da Meta: em vez de oferecer apenas uma ferramenta que responde perguntas ou produz conteúdo, a empresa quer que a IA também consiga agir em nome do usuário.
O que o Muse consegue fazer?
O Muse funciona a partir de comandos dados em linguagem natural.
O usuário pode pedir, por exemplo, que o agente organize uma viagem. A ferramenta poderá pesquisar informações, acessar serviços conectados e preencher formulários necessários para avançar na tarefa.
Entre as funções apresentadas pela Meta estão enviar e-mails, reservar viagens, criar planos, preencher formulários, negociar, montar listas de compras e realizar compras pela internet.
A empresa também apresentou situações que mostram como pretende integrar o agente ao próprio ecossistema.
Um Reel de receita salvo no Instagram, por exemplo, pode ser transformado pelo Muse em uma lista de compras. O agente também poderá lembrar restrições alimentares de amigos do usuário ao ajudar a organizar um jantar.
Para trabalhos mais demorados, a IA poderá continuar executando a tarefa em segundo plano e voltar a procurar o usuário quando houver uma mudança ou quando precisar de autorização.
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Muse poderá fazer compras pela internet
Uma das principais diferenças está na possibilidade de realizar transações.
O Muse terá integração com o Link, da Stripe, para concluir compras online. A tecnologia gera um cartão de uso único para a operação, evitando que os dados reais do cartão sejam diretamente expostos ao agente.
A Meta afirma que o Muse deverá solicitar autorização antes de ações consideradas sensíveis, incluindo o envio de um e-mail e a realização de uma compra.
A integração com o Shop Pay também está prevista para chegar posteriormente.
A novidade reforça uma tendência que começa a ganhar espaço no mercado de pagamentos: o chamado comércio agêntico, no qual inteligências artificiais podem pesquisar produtos e avançar na compra em nome do consumidor.
Como o Muse funciona no WhatsApp?
O WhatsApp será uma das portas de entrada para o agente.
Segundo a Meta, conversar com o Muse deverá funcionar de maneira semelhante à troca de mensagens com outra pessoa. O usuário informa o que precisa e o agente começa a executar a tarefa.
Isso pode dar à Meta uma vantagem importante na corrida pelos agentes pessoais, principalmente quando a tecnologia for disponibilizada em outros países.
O WhatsApp possui uma enorme base global de usuários e já faz parte da rotina de comunicação entre pessoas e empresas.
A companhia também pretende levar o Muse para seus óculos inteligentes futuramente.
E a privacidade?
A quantidade de informações necessárias para que um agente pessoal funcione também cria uma questão importante: quanto acesso o usuário estará disposto a entregar para uma inteligência artificial?
Para enviar e-mails, organizar compromissos, realizar compras ou executar outras tarefas, o Muse pode precisar de acesso a serviços que concentram informações pessoais.
A Meta afirma que o usuário poderá escolher individualmente quais aplicativos serão conectados e quais permissões serão concedidas.
No e-mail, por exemplo, será possível definir se o agente poderá apenas ler mensagens ou também enviá-las.
As permissões poderão ser retiradas posteriormente.
Segundo a empresa, o Muse não consegue visualizar diretamente senhas ou formas de pagamento armazenadas. As credenciais ficam em uma área protegida para que possam ser utilizadas durante as tarefas sem serem exibidas ao agente.
Meta cria uma segunda IA para vigiar o Muse
A arquitetura de segurança inclui ainda um recurso curioso: outra inteligência artificial acompanha as ações do agente.
Chamado Sentinel, esse sistema funciona separadamente do Muse e analisa suas interações externas.
Segundo a Meta, nenhuma ação do Muse chega à internet sem passar pelo Sentinel. O sistema também pode solicitar autorização ao usuário quando necessário.
O Muse funciona dentro de uma máquina virtual dedicada na nuvem, chamada Muse Secure VM, onde ficam o agente e os dados relacionados aos serviços conectados.
A empresa promete lançar ainda em 2026 uma versão chamada Muse Confidential VM, na qual dados e conversas serão criptografados com uma chave controlada pelo próprio usuário. Segundo a Meta, nesse modelo nem a companhia poderá acessar o conteúdo.
Apesar das proteções anunciadas, a tecnologia chega cercada de questionamentos sobre segurança e confiabilidade. A Reuters informou que testes internos identificaram problemas envolvendo dados e funcionamento do sistema durante o desenvolvimento.
Chatbots começam a dar lugar aos agentes de IA
O Muse faz parte de uma transformação maior na indústria de inteligência artificial.
A primeira onda da IA generativa popularizou ferramentas capazes de responder perguntas, escrever textos, gerar imagens e auxiliar em pesquisas.
Agora, as grandes empresas de tecnologia disputam uma segunda etapa: agentes capazes de executar ações.
A diferença pode parecer pequena, mas muda significativamente o papel da tecnologia.
Em vez de perguntar a um chatbot como organizar uma viagem, por exemplo, o usuário poderá entregar ao agente a tarefa de pesquisar opções, preencher informações e avançar na reserva.
É justamente essa autonomia que também aumenta a importância de questões como segurança, privacidade, limites de atuação e responsabilidade quando uma IA comete um erro.
Com o Muse, a Meta aposta que o próximo grande salto da inteligência artificial não será apenas responder melhor às pessoas, mas conseguir realizar parte do trabalho por elas.


