A Inteligência Artificial pode ampliar o acesso ao conhecimento e transformar a educação, mas seu uso exige pensamento crítico e adaptação dos sistemas de ensino. A avaliação é da ativista paquistanesa e Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, que participou nesta terça-feira (4) do Rio Innovation Week 2026, no Rio de Janeiro.
Durante o painel “Uma conversa com Malala”, ela defendeu que a IA seja utilizada para democratizar o aprendizado, sem ampliar as desigualdades existentes.
Para Malala, o avanço das tecnologias mudou a principal missão da educação. Se antes o acesso à informação era uma das maiores barreiras, hoje o desafio é preparar estudantes para interpretar, avaliar e utilizar esse volume crescente de dados de forma consciente.
“O acesso à informação não é mais o desafio principal, mas sim como avaliá-la de forma analítica e crítica. Precisamos desafiar a IA e estimular o cérebro para processar o volume de dados e tomar boas decisões.”
Segundo a ativista, a Inteligência Artificial deve ser vista como uma ferramenta de apoio ao ensino, desde que seja desenvolvida para ampliar oportunidades e reduzir desigualdades, e não para aprofundar diferenças no acesso ao conhecimento.
Educação precisa acompanhar a transformação digital
Durante o debate, Malala afirmou que os sistemas educacionais precisam passar por mudanças estruturais para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas e sociais.
Ela defendeu maior flexibilidade nos modelos de ensino e ressaltou que a escola deve preparar estudantes para desenvolver habilidades analíticas, criatividade e capacidade de tomar decisões, competências que ganham ainda mais importância em um cenário de rápida evolução da Inteligência Artificial.
Tecnologia ajuda a romper barreiras
Ao abordar o acesso à educação, Malala lembrou que cerca de 120 milhões de meninas ainda estão fora da escola em diferentes partes do mundo. Ela citou o Afeganistão, onde a educação feminina permanece proibida pelo Talibã há cinco anos, mas destacou que a tecnologia tem permitido manter iniciativas educacionais em funcionamento.
Segundo a ativista, rádios, emissoras de televisão e aplicativos de mensagens vêm sendo utilizados por educadores e ativistas para manter escolas clandestinas e levar conteúdo a meninas impedidas de frequentar salas de aula.
Educação é investimento para o desenvolvimento
Além da tecnologia, Malala reforçou que investir na educação de meninas gera impactos econômicos e sociais duradouros. Para ela, quando mulheres têm acesso ao ensino e participam da economia, toda a sociedade é beneficiada com maior desenvolvimento e redução das desigualdades.
A Prêmio Nobel também defendeu que jovens mulheres sejam incluídas nos espaços de decisão e criticou a prática de convidá-las apenas para representar causas, sem participação efetiva na formulação de políticas públicas.
“Os líderes não podem apenas chamar uma menina para fazer um discurso na ONU e depois deixá-la de fora quando vão discutir os orçamentos. Elas não devem ser chamadas apenas para falar; precisam ser de fato ouvidas e incluídas na tomada de decisões.”
Ao encerrar sua participação no Rio Innovation Week, Malala deixou uma mensagem de otimismo sobre o futuro da educação e da inovação. Para ela, tecnologias como a Inteligência Artificial podem acelerar o acesso ao conhecimento, desde que caminhem ao lado do pensamento crítico, da inclusão e de investimentos contínuos na formação das novas gerações.


