No novo álbum, Anitta reúne diferentes ritmos, referências espirituais e artistas de diversas gerações em um projeto que celebra a brasilidade, a ancestralidade e o autoconhecimento, unindo tradição e contemporaneidade.
Anitta lançou, na última quinta-feira (23), EQUILIBRIVM II, seu tão aguardado álbum. O projeto dá continuidade ao disco lançado em abril de 2026. O nono álbum de estúdio da cantora é uma explosão de brasilidade. Ao longo de 17 faixas, a artista propõe reflexões sobre amor, espiritualidade, ancestralidade e autoconhecimento.
Anitta iniciou sua carreira em 2010 e, desde então, construiu uma trajetória marcada por sucessos nacionais e internacionais. Para dar vida ao projeto, a cantora reúne grandes nomes da música brasileira, como Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart’nália, MC Tha, Alexandre Carlo, Mestrinho, King Saints, o duo de produtores Los Brasileros, Katú Mirim, Letícia Fialho, Brô MC’s, Kbrum e Grupo Ofá.
Acompanhadas por um curta-metragem musical, as canções ganham uma dimensão audiovisual e se transformam em poesia visual. Sobre o álbum, Anitta afirma: “Me coloquei inteira nesse disco. Quem ouvir vai perceber isso. São músicas que têm muito da minha espiritualidade, da minha visão de mundo, das brasilidades que me encantam e pitadas autobiográficas também”, reflete a artista. “Cada escolha, tanto musical quanto visual, tem intenção aqui. Tenho muito orgulho do que estamos entregando.”

Da brasilidade ao autoconhecimento
Assim como EQUILIBRIVM, o segundo volume celebra a diversidade da música brasileira.
A sonoridade passeia pela bossa nova, samba, reggae, funk e até pelo forró, entre outros ritmos que atravessam a cultura brasileira. Ao reunir medalhões da MPB, artistas consolidados da cena contemporânea e novos nomes, Anitta constrói um álbum que valoriza diferentes expressões musicais do país.
Anitta escolhe abrir o disco com Você Já Sabe, faixa que dialoga diretamente com Meia-Noite, presente no primeiro volume de EQUILIBRIVM. A proposta é estabelecer uma conexão entre os dois projetos.
Pedro Dash, do trio Los Brasileros, assina a produção da canção. “A ideia era realmente uma música pra falar: ‘Porra, vocês já sabem quem chegou, saca?’. Quando eu mandei pra Anitta, eu falei: ‘Cara, fiz uma música pra você abrir seu show ou seu disco’.”
O trio também assina Sem Pressa, aguardada parceria entre Anitta e MC Tha. Aqui, a vida é cantada sem pressa. As artistas falam sobre a beleza de viver e aproveitar os prazeres do cotidiano, apesar dos desafios. Tudo isso é embalado pelo ritmo ijexá.
O clima segue acolhedor em faixas como Abre Caminho e Tudo Isso. Apresentadas em sequência na lista de faixas, ambas bebem da sonoridade do reggae, embora cada uma siga um caminho diferente.
Abre Caminho apresenta uma versão mais dançante do gênero e reforça a importância de construir relações com leveza, liberdade e respeito à identidade do outro. Um exemplo está no verso: “Amor, quando é de verdade, desconhece a prisão”. Alexandre Carlo, vocalista do Natiruts, celebra a parceria: “Fico lisonjeado com esse convite.”
Já Tudo Isso desacelera o álbum. A letra apresenta reflexões de um eu lírico que escolhe não desperdiçar energia com aquilo que não importa. “Eu não negocio minha paz nem meu sossego”, cantam em um dos versos.
Anitta também deixa claro, desde o título do projeto, que não pretende alimentar conflitos. Em Não Me Cutuca, parceria com Alceu Valença, a cantora aposta em uma letra leve e até “debochadinha”, como ela mesma define, para defender a ideia de viver em paz e absorver apenas aquilo que faz bem.

Espiritualidade como fio condutor
Entre os momentos mais marcantes do disco está Ogum Me Rodeia. Ao lado de Maria Bethânia e Letícia Fialho, Anitta transforma a faixa em uma celebração da fé, da proteção e da ancestralidade brasileira. Ogum, orixá associado ao trabalho e à coragem, ocupa o centro da narrativa.
A espiritualidade permanece como um dos fios condutores de EQUILIBRIVM II. Em Feitiço, parceria com Mart’nália, Anitta dialoga com elementos do candomblé e sampleia o ponto de Exu Botaram Feitiço, de J. B. de Carvalho. Já em Contemplação, ao lado do Grupo Ofá, apresenta uma oração musicada com versos em iorubá.
A ancestralidade também ganha força em Deus Mãe, que celebra a potência feminina transmitida entre gerações, e em OKE, faixa que encerra o álbum. Misturando funk, música eletrônica e referências às culturas originárias, a canção homenageia os povos indígenas e reúne participações de Katú Mirim e do grupo Brô MC’s, reforçando uma mensagem de resistência e valorização dos saberes ancestrais.
Um projeto que vai além da música
Mas EQUILIBRIVM II não fala apenas de espiritualidade. Em Pra Você Gostar de Mim, Anitta estabelece um paralelo entre sua trajetória e a de Carmen Miranda, refletindo sobre a necessidade de ser aceita pela indústria e pelo público.
O momento mais íntimo chega em Respira. A letra revisita episódios marcantes da carreira da cantora e questiona a forma como, durante anos, seu trabalho foi reduzido à sua aparência. Ao refletir sobre os desafios enfrentados como mulher na indústria musical, Anitta entrega uma das faixas mais confessionais do álbum.
Toda essa narrativa é ampliada por um curta-metragem lançado junto com o disco. A produção transforma as músicas em uma experiência audiovisual e costura, por meio de imagens, temas como espiritualidade, ancestralidade, feminilidade, natureza e autoconhecimento. O resultado reforça que EQUILIBRIVM II extrapola o formato de um álbum. Música e audiovisual caminham juntos para construir uma obra em que identidade brasileira, fé e autoconhecimento se complementam.


