O avanço da inteligência artificial vem acelerando uma nova transformação na Creator Economy com o crescimento dos chamados influenciadores virtuais. Criados por IA, esses personagens digitais acumulam milhões de seguidores, estrelam campanhas publicitárias globais e passam a disputar espaço com criadores humanos nas estratégias de marketing de grandes marcas.
Entre os principais exemplos está Lil Miquela, considerada uma das pioneiras do segmento. A personagem digital já participou de campanhas para marcas como Prada, Calvin Klein e Dior, consolidando sua presença no mercado internacional da moda.
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Outro destaque é Shudu, utilizada em campanhas de empresas como Balmain e Fenty Beauty. O crescimento dessas figuras digitais reforça o potencial comercial dos avatares hiper-realistas dentro da indústria de moda e beleza.
“Os creators de IA vão além de uma inovação tecnológica, sendo uma resposta direta a uma demanda de mercado por controle, escala e eficiência. Para as marcas, é a possibilidade de construir um influenciador do zero, totalmente alinhado à estratégia e sem os riscos associados a perfis humanos”, afirma Victor Cabral, especialista em Creator Economy e CEO da Cabral Levers.

Marcas ampliam uso de influenciadores virtuais
A expansão do segmento também alcança áreas além da moda. A influenciadora virtual Imma já colaborou com marcas como Porsche, Valentino e IKEA em campanhas ligadas a tecnologia, design e lifestyle.
Já Noonoouri atua como embaixadora de marcas como Balenciaga e Dior, combinando estética digital com posicionamentos ligados à sustentabilidade e comportamento.

No Brasil, o fenômeno também cresce. A Lu do Magalu se consolidou como um dos maiores cases globais do segmento, atuando como rosto digital do Magazine Luiza e participando de campanhas com marcas como Adidas e Samsung.
Com dezenas de milhões de seguidores somando diferentes plataformas, a personagem exemplifica como influenciadores virtuais podem funcionar simultaneamente como canais de mídia, relacionamento e vendas.

Mercado debate autenticidade e transparência
Especialistas apontam que o crescimento dos creators feitos por IA acompanha uma mudança estrutural no consumo de conteúdo digital. Em um ambiente dominado por algoritmos, automação e excesso de informação, a capacidade de produzir conteúdo em escala e adaptar campanhas rapidamente se torna um diferencial competitivo.
Os influenciadores virtuais conseguem manter consistência estética, testar formatos em velocidade elevada e criar narrativas orientadas por dados, o que amplia o interesse das marcas nesse modelo de comunicação.
Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia também levanta debates sobre autenticidade, transparência e limites da inteligência artificial na publicidade.
Parte do público já questiona o excesso de perfeição e a hiperprodução desses personagens digitais, enquanto especialistas defendem sinalizações claras sobre conteúdos produzidos por IA.
“Não se trata de substituição, mas de uma reorganização do mercado. A inteligência artificial tende a ganhar espaço em escala e performance, enquanto creators humanos continuam sendo insubstituíveis quando o assunto é conexão, repertório cultural e construção de confiança”, conclui Victor Cabral.


