Modelos de inteligência artificial desenvolvidos pelas empresas chinesas Huawei e Xiaohongshu alcançaram a pontuação máxima nas questões da Olimpíada Internacional de Matemática de 2026. Segundo as companhias, os sistemas resolveram corretamente os seis problemas apresentados aos estudantes e obtiveram 42 pontos de 42 possíveis.
A edição deste ano da competição foi realizada entre os dias 10 e 21 de julho, em Xangai, na China. Ao todo, 666 estudantes participaram da disputa, mas apenas sete conseguiram terminar a prova com a pontuação máxima, de acordo com o resultado oficial da organização.
Os modelos de IA não competiram diretamente contra os estudantes. As empresas receberam as questões somente depois que os participantes humanos concluíram as provas e precisaram apresentar as soluções dentro de um prazo determinado.
A Xiaohongshu, plataforma conhecida internacionalmente como RedNote, afirmou que qualquer intervenção humana foi proibida durante a realização do teste. As respostas do modelo foram posteriormente submetidas à correção organizada pelo comitê da olimpíada.
Modelo resolveu os seis problemas
O sistema da Xiaohongshu, chamado dots-note-3.0, recebeu sete pontos em cada uma das seis questões, totalizando 42 pontos. A empresa afirma que o resultado foi certificado após a correção das soluções apresentadas pelo modelo.
“Estamos muito satisfeitos com este resultado, pois alcançar a pontuação máxima na IMO é extremamente desafiador”, informou a companhia em comunicado.
Segundo a empresa, nenhum grande modelo de linguagem havia alcançado anteriormente uma pontuação perfeita em uma avaliação das questões da Olimpíada Internacional de Matemática.
A Huawei também informou que seu sistema, chamado Celia, obteve nota máxima. De acordo com a companhia, a ferramenta demonstrou capacidade de solucionar problemas em diferentes áreas da matemática.
IA avança em provas de raciocínio
O resultado representa um novo avanço em relação ao desempenho registrado pelas inteligências artificiais na competição de 2025.
Naquele ano, modelos do Google DeepMind e da OpenAI alcançaram uma pontuação equivalente à medalha de ouro ao resolver cinco dos seis problemas e obter 35 dos 42 pontos possíveis. Foi a primeira vez que sistemas de IA ultrapassaram a nota de corte da medalha de ouro na olimpíada.
Apesar do desempenho, as ferramentas ainda ficaram abaixo dos cinco estudantes que conseguiram pontuação máxima naquela edição.
Já em 2024, o sistema desenvolvido pelo Google precisou de dois a três dias para resolver quatro dos seis problemas apresentados, alcançando um resultado equivalente à medalha de prata.
A evolução mostra como os modelos de inteligência artificial passaram a lidar melhor com tarefas que exigem raciocínio de várias etapas, elaboração de provas e interpretação de conceitos abstratos.
Outros modelos também teriam alcançado nota máxima
O investidor Deedy Das, sócio da empresa norte-americana Menlo Ventures, afirmou que submeteu as questões da olimpíada deste ano a quatro modelos de IA.
Segundo ele, sistemas da OpenAI, da Anthropic, da startup Axiom Math e o modelo Kimi K3, da chinesa Moonshot AI, também teriam alcançado 42 pontos. Os testes, no entanto, foram conduzidos de forma independente e não representam uma participação oficial na competição.
“Na minha opinião, a fronteira da IA já ultrapassou oficialmente a matemática”, escreveu Das.
Especialistas, porém, alertam que o desempenho em uma prova específica não significa necessariamente que as máquinas já superaram matemáticos humanos de forma ampla.
Resultados em olimpíadas dependem das condições do teste, da quantidade de processamento utilizada, do acesso a ferramentas externas e dos critérios adotados para corrigir as soluções. Em 2025, por exemplo, o resultado do Google foi validado em colaboração com a organização, enquanto a OpenAI utilizou avaliadores externos.
O que é a Olimpíada Internacional de Matemática?
Criada em 1959, a Olimpíada Internacional de Matemática é considerada uma das competições mais importantes do mundo para estudantes do ensino médio.
Os participantes devem ter menos de 20 anos e não podem estar matriculados no ensino superior. Durante dois dias de prova, eles precisam resolver seis problemas de álgebra, geometria, teoria dos números e combinatória.
Cada questão vale sete pontos. Além de encontrar a resposta correta, os competidores precisam apresentar uma demonstração matemática completa, explicando de forma lógica todas as etapas utilizadas para chegar ao resultado.
A competição é realizada anualmente em um país diferente e reúne representantes de mais de 100 nações. A edição de 2026, em Xangai, foi a 67ª da história.


