A corrida pela inteligência artificial está prestes a sair da Terra. O Google pretende lançar em 1º de outubro um satélite experimental equipado com seus próprios chips de IA para testar uma ideia ambiciosa: no futuro, parte dos data centers utilizados pela inteligência artificial poderá funcionar no espaço.
A missão faz parte do Project Suncatcher, projeto de pesquisa anunciado pelo Google em 2025 para estudar a possibilidade de criar grandes estruturas de computação em órbita terrestre.
O primeiro satélite será lançado em uma missão Transporter-18 da SpaceX e foi desenvolvido em parceria com a Planet. Dentro dele estarão chips TPU, processadores desenvolvidos pelo Google e utilizados para executar cargas de trabalho de inteligência artificial.
Por que colocar chips de IA no espaço?
Um dos motivos está na enorme quantidade de energia necessária para sustentar a expansão da inteligência artificial.
Data centers precisam de eletricidade não apenas para alimentar milhares de chips, mas também para manter os equipamentos refrigerados.
No espaço, satélites em órbita terrestre baixa podem ter acesso quase contínuo à luz solar. Segundo o Google, isso permitiria gerar até oito vezes mais energia solar do que instalações equivalentes na Terra.
A ideia de longo prazo é criar grupos de satélites equipados com dezenas de chips e conectados por sistemas de comunicação a laser, formando uma infraestrutura capaz de processar grandes cargas de IA em órbita.
Primeiro teste começa na próxima semana
Antes disso, porém, o Google precisa responder a uma pergunta mais básica: um chip de IA consegue funcionar de maneira confiável no espaço?
O experimento vai analisar como os processadores reagem à radiação, às temperaturas extremas e às fortes vibrações do lançamento.
Outro desafio é o resfriamento. Como não existe fluxo de ar no vácuo, os sistemas tradicionais utilizados nos data centers terrestres não funcionam da mesma maneira. O Google está testando uma combinação de tubos de calor e radiadores para controlar a temperatura dos processadores.
Os testes realizados em laboratório indicaram que os chips Trillium TPU conseguem suportar uma dose de radiação superior à esperada durante uma missão espacial de cinco anos, segundo a empresa.
O próximo passo está previsto para 2027, quando o Google pretende colocar dois satélites em órbita para testar conexões de alta velocidade por laser.
O Google não está sozinho nessa corrida. Empresas como SpaceX e startups do setor espacial também estudam data centers em órbita.
Por enquanto, data centers espaciais continuam sendo uma possibilidade experimental. O lançamento de outubro será o primeiro teste do Google para descobrir se a ideia pode sair dos projetos de engenharia e, um dia, ajudar a sustentar a crescente demanda mundial por capacidade computacional para inteligência artificial.


