O Rio de Janeiro recebeu, em junho, a primeira edição do Festival Nacional de Economia Popular e Solidária, que reuniu mais de 2,6 mil participantes no Pier Mauá e consolidou-se como um dos principais encontros do setor no país.
Durante quatro dias de programação, o evento promoveu debates, oficinas, atividades autogestionárias e uma feira de empreendimentos, além de anunciar investimentos de R$ 159 milhões destinados ao fortalecimento da economia popular e solidária.
Considerado um marco para o segmento, o festival reuniu representantes das três esferas de governo — federal, estadual e municipal — além de lideranças sociais, pesquisadores, gestores públicos e trabalhadores de diferentes regiões do Brasil.
Investimentos e fortalecimento do setor
Um dos principais resultados do encontro foi o anúncio de recursos estimados em R$ 159 milhões voltados para ações de incubação, fomento e desenvolvimento de iniciativas ligadas à economia popular e solidária nos territórios brasileiros.
Para Marcelo Gomes Justo, diretor executivo do Instituto Paul Singer, o festival representou um momento histórico para o movimento.
“O primeiro Festival Nacional de Economia Popular e Solidária foi um marco no movimento social da economia solidária. Ao unir sociedade civil organizada e agentes públicos, conseguimos mostrar a força e a potência desse modelo econômico”, destacou.
Já Jairo Santos, secretário executivo da Rede de Gestores de Políticas Públicas de Economia Solidária, ressaltou o papel da iniciativa na inclusão produtiva e no desenvolvimento social.
“A economia solidária coloca as pessoas no centro do desenvolvimento econômico e representa uma alternativa para famílias que enfrentam desemprego e precarização do trabalho”, afirmou.
Debates reuniram autoridades e representantes de dois países
A programação contou com 20 painéis, entre mesas temáticas e atividades autogestionárias, além da participação de 87 palestrantes ligados a instituições públicas, organizações sociais e empreendimentos econômicos solidários.
Representantes do Brasil e de Angola participaram das discussões, que abordaram temas como geração de renda, cooperativismo, desenvolvimento sustentável, inclusão produtiva e políticas públicas.
Feira movimenta mais de R$ 337 mil

Paralelamente à programação técnica, o festival promoveu uma feira com 250 empreendimentos econômicos solidários. O espaço movimentou mais de R$ 337 mil em negócios durante os quatro dias de evento.
Além do Real, as transações também utilizaram a Moeda Social Paul Singer, criada especialmente para a experiência durante o festival.
A iniciativa permitiu a comercialização de produtos artesanais, alimentos, serviços e itens produzidos por cooperativas e associações de diferentes estados brasileiros.
Legado para a economia solidária
A primeira edição do festival também foi marcada pelo lançamento de importantes iniciativas para o setor, entre elas:
- Apresentação do 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária;
- Assinatura dos termos de adesão ao Sistema Nacional de Economia Solidária (SINAES);
- Entrega de certificados de registro no Cadastro Nacional de Empreendimentos Econômicos Solidários (CadSol).
Para Anne Sena, secretária-geral da Unicopas, o encontro reforçou a importância da economia solidária como modelo de desenvolvimento sustentável.
“Foi um momento de celebração, reflexão e de apresentar para a sociedade brasileira tudo o que esperamos para o futuro da economia solidária. Estamos falando de um modelo econômico e social que busca construir uma sociedade mais justa, sustentável e inclusiva”, afirmou.
Próximas edições já são aguardadas
O sucesso da primeira edição alimenta a expectativa de que o festival passe a integrar o calendário nacional do setor, ampliando o debate sobre economia popular e solidária em diferentes estados brasileiros.
Aline Sena, representante da Unisol Bahia, destacou a importância de manter a iniciativa ativa nos próximos anos.
“A expectativa é que este festival tenha vida longa, percorra outros estados do Brasil e continue mostrando a força da economia solidária como modelo de desenvolvimento econômico e social.”
O Festival Nacional de Economia Popular e Solidária foi realizado pela Prefeitura Rio Economia Solidária, Unisol Brasil, Rede de Gestores de Políticas Públicas de Economia Solidária, Instituto Paul Singer e Instituto Reinventando Futuros, com produção da Pro Bono Brasil e LB Cultura Circular, além do apoio de instituições públicas e privadas.


