Eleições 2026: o que os principais candidatos propõem para tecnologia e inteligência artificial

Planos de Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema incluem propostas para IA, data centers, semicondutores, conectividade, cibersegurança e digitalização dos serviços públicos

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A tecnologia ganhou espaço nos planos de governo dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Inteligência artificial, instalação de data centers, produção de semicondutores, conectividade, segurança cibernética e digitalização dos serviços públicos estão entre os temas apresentados para os próximos quatro anos.

O N4 News analisou as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). O recorte reúne seis candidaturas em destaque na disputa presidencial e não contempla todos os nomes registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Embora a inteligência artificial apareça nos diferentes programas, as propostas avançam por caminhos distintos, envolvendo infraestrutura computacional, serviços públicos, formação profissional, atração de investimentos, indústria e regras para o desenvolvimento e uso da tecnologia.

Inteligência artificial ganha espaço nos planos de governo

A presença da inteligência artificial é um dos pontos recorrentes entre os programas analisados.

A tecnologia aparece associada tanto à modernização do Estado quanto ao desenvolvimento econômico. Entre as propostas estão aplicações de IA no SUS, digitalização de serviços públicos, adoção da tecnologia por empresas, desenvolvimento de infraestrutura computacional e formação de pesquisadores.

Data centers, semicondutores, conectividade e segurança cibernética também fazem parte das estratégias apresentadas pelas candidaturas.

As diferenças aparecem principalmente na forma como cada programa pretende organizar esses investimentos e estabelecer regras para a utilização das novas tecnologias.

Lula

Lula relaciona tecnologia à política industrial e soberania digital

O programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relaciona a política tecnológica à industrialização, pesquisa científica e soberania digital.

Uma das propostas é tratar os dados dos brasileiros como ativos estratégicos, além de investir em infraestrutura computacional e supercomputadores nacionais.

Na inteligência artificial, o programa prevê ampliar investimentos ligados à política industrial e desenvolver modelos de linguagem em português apoiados por uma plataforma nacional de dados.

Semicondutores também aparecem entre as áreas consideradas estratégicas. A proposta é utilizar instrumentos da política industrial para estimular inovação e reduzir dependências tecnológicas.

Outro eixo envolve micro, pequenas e médias empresas. O programa prevê ampliar iniciativas de digitalização e linhas de crédito voltadas à modernização tecnológica e ao aumento da produtividade.

Na formação científica, a candidatura propõe dar continuidade a iniciativas destinadas a atrair e manter pesquisadores brasileiros no país.

O plano também relaciona tecnologia à saúde, com investimentos no Complexo Econômico-Industrial da Saúde, telediagnóstico e terapias avançadas.

Regulação das plataformas digitais, direitos autorais no ambiente digital e uso seguro da internet por crianças e adolescentes também aparecem no programa.

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro propõe expansão da IA e Estado digital

O programa de Flávio Bolsonaro (PL) associa tecnologia à digitalização do Estado, aumento da produtividade e atração de investimentos.

Entre as propostas está ampliar a digitalização dos serviços públicos federais e integrar esses serviços à identidade digital do Gov.br.

A inteligência artificial seria utilizada também para facilitar o acesso da população a serviços e benefícios públicos.

Na economia, o programa propõe disseminar a utilização da IA entre micro, pequenas e médias empresas, com atenção para setores como indústria, agronegócio, saúde e logística.

Outro objetivo apresentado é aumentar a participação brasileira no desenvolvimento e registro de patentes relacionadas à inteligência artificial.

Na infraestrutura, o plano prevê medidas para estimular a instalação de data centers no Brasil, utilizando a disponibilidade de fontes renováveis de energia como um dos fatores para atração de investimentos internacionais.

Educação digital, prontuário eletrônico na saúde e fortalecimento da segurança cibernética também fazem parte das propostas.

Augusto Cury

Augusto Cury quer usar IA na administração pública

No plano de Augusto Cury (Avante), a inteligência artificial aparece associada à utilização da tecnologia nos serviços públicos e ao desenvolvimento industrial.

Uma das propostas prevê utilizar sistemas de IA para cruzar bases de dados governamentais e identificar fraudes, sobrepreços e ineficiências na administração pública.

Na saúde, o programa apresenta o Tele Saúde Brasil, voltado à expansão da telemedicina, consultas remotas e serviços digitais.

Outro eixo envolve a indústria. A candidatura propõe uma política nacional para estimular investimentos na produção de chips e semicondutores.

O programa também prevê incentivar tecnologias associadas à Indústria 4.0, como robótica, inteligência artificial, internet das coisas e manufatura avançada.

Na formação profissional, há propostas de estímulo a mestrados e doutorados relacionados à aplicação da IA em áreas como biotecnologia, drones, robótica e produtos relacionados às terras raras.

A tecnologia também aparece nas propostas de segurança pública, com utilização de IA, reconhecimento de padrões, drones e câmeras inteligentes.

Ronaldo Caiado

Caiado aposta em soberania digital e infraestrutura nacional

O programa de Ronaldo Caiado (PSD) coloca soberania digital, infraestrutura computacional e segurança cibernética entre os eixos de sua política tecnológica.

Uma das propostas é desenvolver infraestrutura computacional nacional, incluindo supercomputadores operados por instituições brasileiras.

Para inteligência artificial, o programa propõe uma regulação baseada no uso, no risco e no potencial de dano das aplicações.

Também está prevista a criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica, destinado à rastreabilidade de conteúdo sintético.

Na área de data centers, o programa propõe um regime tributário para atração de investimentos associado a requisitos como utilização de energia renovável, eficiência hídrica e reserva de capacidade computacional para universidades e empresas brasileiras.

Outra proposta é criar uma autoridade nacional de cibersegurança com independência técnica e orçamento próprio para atuar na proteção de infraestruturas críticas.

Semicondutores, computação quântica, satélites e desenvolvimento tecnológico relacionado ao Centro de Lançamento de Alcântara também aparecem no programa.

Na conectividade, a candidatura prevê utilizar recursos públicos para ampliar fibra óptica e 5G no interior, em áreas rurais e nas escolas.

Renan Santos

Renan Santos propõe marco específico para inteligência artificial

No programa de Renan Santos (Missão), a infraestrutura necessária para inteligência artificial recebe atenção específica.

A candidatura propõe o Marco Brasileiro da Inteligência Artificial (MBIA), estruturado em medidas relacionadas a tributação, investimentos, formação profissional, data centers e desenvolvimento tecnológico.

Entre as propostas estão incentivos para empresas de tecnologia e investimentos em venture capital, além de políticas destinadas à formação, retenção e repatriação de profissionais especializados.

Na infraestrutura, o programa pretende estimular a instalação de data centers e ampliar a capacidade brasileira de processamento computacional.

Outra proposta são as chamadas Zonas Econômicas de Alta Inteligência (ZEAIs), áreas com regimes regulatórios, tributários e energéticos específicos para atividades relacionadas à cadeia de inteligência artificial.

O programa apresenta ainda o Projeto Abaporu, que prevê um laboratório nacional de inteligência artificial com participação majoritária de capital privado e governança independente.

Tecnologia aplicada ao agronegócio, prontuário eletrônico, telemedicina, formação STEM e desenvolvimento da cadeia de terras raras e semicondutores também fazem parte das propostas.

Romeu Zema

Zema defende investimentos privados e regulação pontual da IA

O programa de Romeu Zema (Novo) concentra parte da estratégia tecnológica na atração de investimentos privados e na expansão da infraestrutura.

Entre as propostas está atrair investimentos internacionais para construção de data centers no Brasil, utilizando a disponibilidade de energia como um dos fatores para tornar o país competitivo nesse mercado.

Na discussão sobre inteligência artificial, o programa propõe evitar uma regulamentação ampla e antecipada, com intervenções específicas diante da identificação de danos concretos relacionados à utilização da tecnologia.

Na conectividade, a candidatura propõe abertura de novas faixas de espectro para o 5G e ampliação do acesso à internet no interior, em áreas rurais, escolas e unidades de saúde por meio de parcerias privadas.

O programa também prevê ampliar vagas e bolsas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla STEM.

Na saúde, a proposta inclui um registro nacional integrado e interoperável e expansão da telemedicina.

A digitalização do Estado aparece ainda como instrumento para integrar bases de dados e permitir que mais serviços públicos sejam realizados de forma digital.

Eleições 2026: as propostas dos candidatos para tecnologia e inteligência artificial

Tema Lula (PT) Flávio Bolsonaro (PL) Augusto Cury (Avante) Ronaldo Caiado (PSD) Renan Santos (Missão) Romeu Zema (Novo)
Inteligência Artificial Investimentos em IA, política industrial e modelos em português Expansão da IA no setor produtivo e no Estado digital Uso da IA contra fraudes, desperdícios e ineficiências Regulação baseada em uso, risco e potencial de dano Marco Brasileiro da IA e estímulo à infraestrutura Regulação pontual diante de danos concretos
Data centers Infraestrutura computacional e soberania digital Atração de investimentos com energia renovável Estímulo ao investimento em infraestrutura tecnológica Regime tributário com critérios ambientais Incentivos e Zonas Econômicas de Alta Inteligência Atração de investimentos privados
Semicondutores e indústria Incentivos dentro da política industrial Estratégia de inovação e aumento de patentes Política para chips, semicondutores e Indústria 4.0 Desenvolvimento da capacidade nacional em semicondutores Terras raras, semicondutores e cadeia tecnológica Tecnologia ligada à modernização produtiva
Conectividade e 5G Inclusão e letramento digital Expansão da conectividade e educação digital Tecnologia aplicada a serviços públicos Fibra óptica e 5G no interior, áreas rurais e escolas Infraestrutura digital para expansão da IA Novas faixas de espectro e expansão do 5G
Cibersegurança e dados Soberania digital e tratamento estratégico dos dados Fortalecimento da defesa cibernética e proteção de dados IA e tecnologias inteligentes aplicadas à segurança Autoridade Nacional de Cibersegurança Infraestrutura tecnológica e sistemas digitais Integração e proteção da infraestrutura digital
Saúde digital Telediagnóstico, terapias avançadas e tecnologia na saúde Digitalização do SUS e prontuário eletrônico Tele Saúde Brasil e telemedicina Infraestrutura Nacional de Dados em Saúde PRONTO, telemedicina e diagnósticos por IA Registro nacional integrado e telemedicina
Educação e formação Repatriação de pesquisadores e desenvolvimento científico Educação digital, robótica e competências digitais Mestrados e doutorados em áreas tecnológicas Formação científica e tecnológica Formação e repatriação de profissionais; foco em STEM Ampliação de vagas e bolsas em STEM
Serviços públicos Digitalização e uso estratégico de dados Estado digital e integração ao Gov.br IA para identificar fraudes e desperdícios Digitalização e transparência algorítmica Modernização tecnológica dos serviços públicos Digitalização e integração das bases de dados

Fonte: planos de governo. Quadro elaborado pelo N4 News. As propostas foram resumidas para facilitar a leitura e não representam avaliação das candidaturas.

Data centers aparecem como infraestrutura estratégica

Além da inteligência artificial, os data centers aparecem nos programas como parte da infraestrutura necessária para a expansão da economia digital.

O crescimento da computação em nuvem e, principalmente, dos sistemas de inteligência artificial aumentou a demanda global por capacidade de processamento.

Nos programas analisados, o tema aparece associado a diferentes estratégias, como atração de investimentos estrangeiros, utilização da matriz energética brasileira, criação de regimes tributários específicos e desenvolvimento de capacidade computacional nacional.

Semicondutores entram na agenda presidencial

A cadeia de semicondutores também aparece nas propostas.

Os chips são componentes utilizados em computadores, smartphones, veículos, equipamentos industriais, sistemas de telecomunicações e na infraestrutura necessária para processamento de inteligência artificial.

Entre os programas analisados há propostas de atração de fábricas e investimentos, desenvolvimento da cadeia nacional e utilização da política industrial para ampliar a participação brasileira nesse mercado.

Terras raras, computação quântica, robótica e outras tecnologias avançadas também aparecem em alguns dos planos.

Tecnologia chega ao SUS e aos serviços públicos

A utilização de tecnologia na prestação de serviços públicos é outro ponto presente nos programas.

Prontuários eletrônicos integrados, telemedicina, inteligência artificial aplicada à administração pública e interoperabilidade entre sistemas aparecem entre as propostas.

Os programas também apresentam iniciativas para ampliar a digitalização de serviços públicos e integrar bases de dados governamentais.

Na prática, a discussão tecnológica da eleição de 2026 ultrapassa o mercado tradicional de tecnologia e alcança áreas como saúde, educação, indústria, segurança pública e administração governamental.

IA, chips e infraestrutura digital entram na agenda do próximo governo

A presença de inteligência artificial, data centers, semicondutores, conectividade e cibersegurança nos programas dos seis candidatos analisados mostra a incorporação desses temas à agenda presidencial de 2026.

Os planos apresentam propostas relacionadas tanto à utilização direta das novas tecnologias pelo Estado quanto à criação de infraestrutura, formação de profissionais, atração de investimentos e desenvolvimento industrial.

Com o avanço da inteligência artificial e o aumento da demanda mundial por capacidade computacional, as propostas registradas nesta eleição também colocam em discussão qual será o papel do Brasil na expansão da economia digital nos próximos anos.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e programas de governo registrados pelas candidaturas.

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