O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (3) a primeira reunião após as eleições presidenciais, com expectativa de manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão será anunciada na quarta-feira (4) e poderá interromper uma sequência de cinco cortes consecutivos.
Para o mercado imobiliário, a definição ocorre em um momento de crescimento do crédito, mas também de incertezas sobre o custo dos financiamentos e as perspectivas para 2027.
A expectativa de manutenção ganhou força após o segundo turno das eleições. Segundo levantamento divulgado pela Exame, os contratos de Opções de Copom negociados na B3 passaram a indicar probabilidade implícita de 68,86% de estabilidade dos juros. Antes da votação, a possibilidade predominante era de uma redução de 0,25 ponto percentual, cenário que perdeu força nos últimos dias.
O Itaú e a Warren estão entre as instituições que passaram a projetar a manutenção da taxa, citando a deterioração das perspectivas econômicas e o aumento das incertezas internas e externas.
O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3) também aponta uma revisão das expectativas para os próximos anos. A projeção para a Selic ao fim de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano, enquanto a estimativa para 2027 subiu de 11,75% para 12,50%. Para 2028, a previsão avançou de 10% para 11%.
Crédito imobiliário deve crescer 25% em 2026

Apesar dos juros elevados, o mercado imobiliário brasileiro mantém crescimento no volume de financiamentos. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), as concessões de crédito imobiliário somaram R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com os resultados, a entidade elevou de 16% para 25% a projeção de crescimento do crédito imobiliário neste ano. A expectativa é de que as concessões alcancem aproximadamente R$ 411 bilhões até dezembro.
Os números mais recentes, porém, mostram diferenças no desempenho das modalidades de financiamento. Em setembro, as operações com recursos da poupança, pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), somaram R$ 13,62 bilhões, queda de aproximadamente 14% em relação ao mesmo mês de 2025.
Apesar da retração, o acumulado de janeiro a setembro alcançou R$ 146,1 bilhões, crescimento de cerca de 30% na comparação anual.
Para Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, os resultados indicam que a demanda por imóveis permanece consistente, mesmo diante das restrições impostas pelos juros elevados.
“O setor tem mostrado capacidade de adaptação às condições econômicas. Existe uma demanda que continua ativa, especialmente nos segmentos em que o comprador possui maior planejamento financeiro. No entanto, a disponibilidade de crédito e o custo do financiamento seguem sendo fatores determinantes para a concretização dos negócios”, afirma.
Perspectivas para o mercado imobiliário em 2027
A possível interrupção dos cortes da Selic não significa necessariamente uma paralisação do mercado imobiliário, mas pode prolongar as dificuldades de acesso ao financiamento, especialmente para compradores que dependem de crédito bancário.
Embora a Selic não determine diretamente as taxas cobradas nos financiamentos habitacionais, ela influencia o custo de captação dos bancos e as condições gerais de crédito. Dessa forma, a manutenção dos juros em patamares elevados pode limitar a capacidade de compra das famílias e afetar a velocidade das negociações.
Para 2027, o mercado financeiro ainda projeta uma redução gradual da taxa básica, embora em ritmo mais lento do que o previsto anteriormente. Segundo o Focus, a Selic deve encerrar o próximo ano em 12,50%.
Caso essa trajetória se confirme, a redução dos juros poderá contribuir para melhorar as condições de financiamento e estimular a demanda por imóveis. O efeito, entretanto, dependerá também da renda das famílias, da inflação e das políticas de concessão de crédito das instituições financeiras.
No segmento de alto padrão, outros fatores também influenciam as decisões de compra, segundo Isnard.
“Para 2027, o comportamento dos juros será um dos principais fatores de influência sobre o mercado imobiliário. Uma redução gradual da Selic pode melhorar as condições de financiamento e trazer novos compradores para o mercado. No segmento de alto padrão, porém, a decisão de compra também passa pela confiança na economia, pela preservação patrimonial e pela percepção de valor dos imóveis. O cenário exige atenção, mas também abre espaço para oportunidades”, avalia.
Além da decisão sobre a Selic, o mercado acompanhará o comunicado do Banco Central em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. A trajetória dos juros será um dos fatores determinantes para o ritmo de expansão do crédito imobiliário em 2027.

