Pesquisadores usam IA para acessar sistemas da Anthropic em menos de 12 horas

Startup de cibersegurança identificou vulnerabilidades em softwares utilizados pela desenvolvedora do Claude; empresa confirmou acesso limitado e afirmou que conversas de usuários não foram comprometidas.

Pesquisadores da startup de segurança digital Cathedral conseguiram acessar sistemas internos da Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude, em menos de 12 horas, utilizando agentes de inteligência artificial. A investigação identificou vulnerabilidades em programas de terceiros usados nas operações administrativas da companhia.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (26) pelo jornal americano The Washington Post, que teve acesso a um relatório preliminar elaborado pela Cathedral. A Anthropic confirmou que os pesquisadores alcançaram parte de seus sistemas, mas contestou a dimensão dos riscos apresentados pela startup.

Pesquisadores tiveram acesso a informações internas

Segundo a investigação, os agentes de IA exploraram falhas em softwares utilizados em atividades comerciais e administrativas. A partir dessas vulnerabilidades, os pesquisadores conseguiram alcançar registros de reuniões, informações salariais, ofertas de emprego e mensagens internas do Slack relacionadas aos modelos de inteligência artificial da Anthropic.

O trabalho ocorreu no contexto de um programa de identificação de vulnerabilidades da própria companhia, que permite a pesquisadores externos examinar sistemas e comunicar possíveis falhas de segurança.

A Cathedral, fundada por ex-integrantes do serviço de eficiência governamental dos Estados Unidos, desenvolve ferramentas de cibersegurança baseadas em inteligência artificial.

Anthropic afirma que dados do Claude não foram acessados

Em resposta ao jornal, a Anthropic reconheceu que os pesquisadores acessaram um conjunto limitado de sistemas das áreas comercial, de recursos humanos e de tecnologia da informação.

A empresa afirmou, porém, que as conversas dos usuários com o Claude, as respostas geradas pelo chatbot, o código-fonte e os parâmetros de seus modelos de inteligência artificial não foram acessados.

Segundo a companhia, parte das atividades foi identificada pelos sistemas de monitoramento antes da comunicação dos pesquisadores. Os acessos foram interrompidos e os softwares afetados permaneceram desativados até a correção das vulnerabilidades pelos fornecedores.

A Anthropic também declarou não ter encontrado evidências de exploração das mesmas falhas por outras pessoas ou organizações. A empresa questionou ainda o cumprimento de determinadas regras do programa de testes pela Cathedral.

Caso expõe riscos de softwares de terceiros

O episódio chama a atenção para a segurança das integrações utilizadas por empresas de tecnologia. Mesmo organizações que desenvolvem sistemas avançados de inteligência artificial dependem de ferramentas externas para administrar funcionários, clientes e operações comerciais.

Essas conexões podem representar pontos de entrada para ataques quando não possuem controles adequados de acesso e monitoramento.

A investigação também demonstra como agentes de inteligência artificial podem acelerar a identificação de vulnerabilidades, ampliando os desafios enfrentados pelas equipes responsáveis pela proteção de dados e sistemas corporativos.

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