Centro do Recife perdeu quase metade dos moradores em 12 anos e busca retomada com novos projetos

Queda populacional reacende debate sobre reocupação de áreas históricas; iniciativas públicas e privadas apostam em retrofit, moradia e inovação para revitalizar a região central

Priorizar nos meus resultados Google

O Centro do Recife perdeu quase metade de sua população em pouco mais de uma década. Dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, mostram que o número de moradores nos bairros centrais da capital pernambucana caiu de cerca de 78 mil, em 2010, para aproximadamente 36 mil em 2022, uma redução de quase 42 mil habitantes.

A diminuição da população evidencia um desafio enfrentado por diversas cidades brasileiras: recuperar áreas históricas que perderam moradores ao longo dos anos e transformá-las novamente em espaços de moradia, trabalho, comércio e convivência.

Enquanto o esvaziamento residencial avança, o Recife aposta em projetos de requalificação urbana para tentar reverter esse cenário. Segundo a Prefeitura do Recife, por meio do programa Recentro, os empreendimentos previstos para a região central têm potencial para viabilizar até 50 mil novas unidades habitacionais nos próximos anos.

A estratégia reúne incentivos urbanísticos, recuperação de imóveis subutilizados e estímulo à ocupação residencial em áreas que já contam com infraestrutura, transporte público e oferta de serviços.

Retrofit ganha espaço na revitalização urbana

A retomada dos centros históricos tem ganhado força em diversas cidades brasileiras. Após décadas de expansão das áreas periféricas, cresce o interesse por modelos urbanos que aproximem moradia, emprego, lazer e mobilidade.

No Recife, um dos principais exemplos desse movimento é o antigo Moinho Recife. O complexo industrial passa por um processo de retrofit que prevê sua transformação em um empreendimento residencial de uso misto, preservando características históricas da construção enquanto incorpora novas funções urbanas.

A proposta segue uma tendência observada em outras capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde programas municipais vêm incentivando a conversão de edifícios comerciais e imóveis ociosos em moradias.

Especialistas apontam que esse tipo de intervenção permite ampliar a oferta habitacional sem exigir a abertura de novas áreas urbanas, aproveitando estruturas já existentes e contribuindo para a preservação do patrimônio histórico.

Porto Digital impulsiona nova dinâmica

Outro fator que tem contribuído para a transformação da região central é a expansão do Porto Digital.

Nas últimas duas décadas, o parque tecnológico consolidou o bairro do Recife como um dos principais polos de inovação do país, atraindo empresas, profissionais e investimentos para o centro histórico da cidade.

O crescimento das atividades econômicas reforçou a discussão sobre a necessidade de ampliar também a oferta de moradias na região, reduzindo deslocamentos e estimulando a ocupação permanente do centro.

Debate será tema de conferência nacional

Os desafios da reocupação dos centros urbanos estarão entre os principais temas da Conferência Regional CAU/PE 2026 – Arquiteturas Tropicais: Legado Moderno e Futuros Possíveis, que acontece entre os dias 1º e 4 de julho, no Recife.

A programação será realizada no Moinho Recife, no Senac Pernambuco e na Torre Malakoff, reunindo arquitetos, urbanistas, gestores públicos e pesquisadores para discutir patrimônio histórico, habitação, mobilidade, sustentabilidade e desenvolvimento urbano.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE), Roberto Salomão, revitalizar os centros urbanos vai além da recuperação dos edifícios.

“As cidades precisam voltar a ser lugares de permanência. Não basta restaurar fachadas ou recuperar imóveis históricos se as pessoas não conseguem viver, trabalhar e construir vínculos nesses espaços. A revitalização depende da integração entre patrimônio, habitação, mobilidade e desenvolvimento econômico”, afirma.

Tendência nacional

A urbanista Adriana Levisky, que participa da conferência, destaca que o retrofit vem se consolidando como uma alternativa para reaproveitar edificações existentes, preservar a memória das cidades e reduzir a expansão urbana desordenada.

No caso do Recife, os projetos atualmente em andamento poderão representar uma mudança significativa no perfil da região central. Caso as metas previstas pelo programa Recentro sejam alcançadas, o Centro poderá receber até 50 mil novas unidades habitacionais, fortalecendo um novo ciclo de ocupação e contribuindo para reverter a perda populacional registrada nas últimas décadas.

Mais notícias

+
- Publicidade -
- Publicidade -

Veja também