A Casas Bahia pretende sair do processo de reestruturação como uma empresa menor, mais seletiva e focada em operações capazes de gerar caixa. A mudança faz parte da segunda fase do Plano de Transformação do grupo, anunciada junto ao pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo.
A nova estratégia representa uma mudança de prioridade para uma das maiores varejistas do país. Em vez de perseguir crescimento de vendas e participação de mercado a qualquer custo, a companhia afirma que pretende concentrar recursos em negócios com maior rentabilidade e retorno sobre o capital.
O movimento ocorre depois do fechamento de 298 lojas, equivalente a quase 30% da rede, e em meio a uma crise financeira que levou o grupo a pedir a reestruturação judicial de aproximadamente R$ 17,3 bilhões em obrigações.
O que vai mudar na Casas Bahia?
Além da redução da rede física, a Casas Bahia prevê uma revisão dos canais digitais, adequação dos estoques e do capital de giro, redução de investimentos e busca por alternativas para diminuir o custo financeiro.
No e-commerce, a mudança é particularmente relevante. A companhia afirma que margem, geração de caixa e retorno sobre o capital empregado passarão a ter prioridade sobre o crescimento de vendas que não ofereçam retorno econômico considerado adequado.
Na prática, a Casas Bahia sinaliza que pretende abrir mão de parte do volume para buscar uma operação mais rentável.
Segundo o CEO Renato Franklin, a estratégia será concentrar a companhia nas atividades com maior capacidade econômica.
“A estratégia daqui em diante é operar uma Companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa”, afirmou o executivo em comunicado.
Recuperação ocorre mesmo após melhora de indicadores
A decisão chama atenção porque alguns indicadores operacionais vinham apresentando melhora. Segundo dados divulgados pela própria companhia, a alavancagem financeira caiu de 2,2 vezes o EBITDA ajustado no segundo trimestre de 2025 para 0,5 vez no mesmo período de 2026.
O fluxo de caixa livre também teria avançado de R$ 173 milhões para R$ 800 milhões no período.
Apesar da evolução, a situação financeira continuou pressionada. No segundo trimestre, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. Desse montante, aproximadamente R$ 9,1 bilhões decorreram de efeitos contábeis não recorrentes e sem impacto imediato no caixa. Excluindo esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
A companhia também afirma que pretendia complementar sua reestruturação com aporte de capital ou novas linhas de crédito, mas que a deterioração das condições de mercado e a maior aversão ao risco inviabilizaram as negociações.
Lojas e site continuam funcionando
Apesar da recuperação judicial, as operações da Casas Bahia continuam funcionando. A companhia afirma que seguirá atendendo consumidores nos canais físicos e digitais e mantendo a relação com fornecedores enquanto executa a segunda fase de seu plano.
O processo envolve dez empresas do grupo e aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos. A maior parcela, cerca de R$ 16,4 bilhões, corresponde a credores quirografários, além de aproximadamente R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões relacionados a pequenas empresas.
A recuperação judicial deverá permitir que a varejista negocie essas obrigações enquanto tenta adaptar sua estrutura a um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e consumo pressionado.


