O Brasil se tornou um dos principais laboratórios da indústria automotiva para a transição energética. Enquanto parte das montadoras aposta exclusivamente nos veículos elétricos, outras buscam combinar eletrificação e combustíveis renováveis para atender às particularidades do mercado nacional.
É justamente nessa direção que a BYD Brasil dá seu próximo passo. A fabricante chinesa escolheu o país para apresentar globalmente o novo BYD Atto 2 DM-i Flex, primeiro híbrido plug-in flex da marca no mundo.
O lançamento marca a estreia da tecnologia DM-i adaptada para funcionar com gasolina ou etanol, uma combinação que une a experiência acumulada da BYD em eletrificação à tradição brasileira dos biocombustíveis.
Híbrido quando precisa, elétrico quando possível
A estratégia da BYD para o Atto 2 não é simplesmente adicionar um motor a combustão a um veículo elétrico.
O sistema DM-i foi desenvolvido para priorizar a tração elétrica durante a maior parte do tempo. O motor 1.5 flex entra em cena principalmente como gerador de energia e só assume papel de destaque em situações que exigem maior esforço do conjunto.
A tecnologia estreia na nova geração DualMode 5.0, que promete ganhos de eficiência e desempenho.

O SUV será vendido em duas versões:
- GL
- GS
A configuração GL entrega 177 cv de potência combinada, enquanto a GS alcança 197 cv. O torque combinado chega a 300 Nm em ambas as versões.
Na aceleração, os números são próximos. O Atto 2 GS vai de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos, enquanto a versão GL cumpre a mesma prova em 8,5 segundos.
Mas o principal argumento de venda não está na performance.
Mais de mil quilômetros sem parar
A autonomia se tornou uma das principais armas das montadoras na disputa pelo consumidor brasileiro. E a BYD decidiu entrar forte nessa conversa.
Abastecido com gasolina, o novo Atto 2 pode percorrer até 1.045 quilômetros na versão GS e até 1.000 quilômetros na GL, segundo o ciclo europeu NEDC.
Mesmo utilizando exclusivamente etanol, o alcance combinado pode chegar a 770 quilômetros.
No modo totalmente elétrico, o SUV roda até 110 quilômetros na versão GS e até 45 quilômetros na GL.
Na prática, isso significa que muitos proprietários poderão realizar a maior parte dos deslocamentos urbanos sem consumir uma gota de combustível, recorrendo ao motor flex apenas em viagens mais longas.
SUV mira o coração do mercado
A BYD escolheu uma das categorias mais disputadas do país para estrear sua nova tecnologia.
Com 4,33 metros de comprimento e entre-eixos de 2,62 metros, o Atto 2 entra na briga dos SUVs compactos e intermediários, segmento que concentra algumas das maiores vendas do mercado brasileiro.
O porta-malas oferece 455 litros de capacidade, enquanto o visual aposta em linhas suaves e lanternas traseiras inspiradas no tradicional “Chinese Lucky Knot”, símbolo associado à prosperidade na cultura chinesa.
As rodas de 17 polegadas são de série, assim como a ampla oferta de tecnologias embarcadas.
Cabine digital e conectada
Por dentro, o Atto 2 segue a receita já conhecida dos modelos mais recentes da BYD: muitas telas e conectividade.

O SUV traz painel digital de 8,8 polegadas e central multimídia com tela de até 12,8 polegadas, dependendo da versão.
Há compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, comando de voz, câmera 360 graus, carregador de celular por indução com potência de 50W e sistema de abertura via NFC ou Bluetooth.
A versão GS adiciona um diferencial que ainda aparece em poucos modelos do segmento: integração nativa com os serviços do Google, incluindo Google Maps e Google Assistant embarcados diretamente no veículo.
Segurança reforçada
O pacote de segurança inclui seis airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e freio de estacionamento eletrônico.
Na versão GS, o SUV recebe ainda um conjunto mais avançado de assistências à condução, incluindo controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa e alertas de colisão.

Preço para disputar espaço
A BYD posicionou o novo Atto 2 abaixo de alguns dos seus modelos mais conhecidos no mercado brasileiro.
A versão GL será vendida por R$ 149.990 na modalidade de venda direta. Já a GS chega por R$ 169.990.
As reservas começam nesta quarta-feira em toda a rede de concessionárias da marca, com as primeiras entregas previstas para o terceiro trimestre.
Mais do que lançar um novo SUV, a BYD parece usar o Atto 2 para testar uma fórmula que pode ganhar importância nos próximos anos: combinar eletrificação e etanol em um único produto.
Se os elétricos representam o futuro para boa parte da indústria, o novo Atto 2 sugere que, no Brasil, a transição pode seguir um caminho próprio — e abastecido também com combustível renovável.



