Brasil ganha novo polo de tecnologia fora do Vale do Silício e do eixo Rio-SP

Instalado na UFG, centro de inteligência artificial reúne mais de mil pesquisadores, já captou R$ 500 milhões e receberá novo aporte de R$ 78 milhões para projetos até 2031

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Enquanto os principais polos mundiais de inteligência artificial costumam estar associados ao Vale do Silício, à China ou ao eixo Rio-São Paulo, um dos maiores ecossistemas brasileiros da área está sendo desenvolvido em Goiânia.

Instalado na Universidade Federal de Goiás (UFG), o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia-UFG) reúne mais de mil pesquisadores, já captou mais de R$ 500 milhões em projetos e parcerias e anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 78 milhões para expansão de suas atividades até 2031.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (25) e prevê a ampliação da infraestrutura tecnológica do centro. Do total de recursos, R$ 40 milhões serão destinados à implantação de um AI Data Center e de um laboratório de veículos autônomos, fortalecendo a capacidade de pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial.

Criado dentro de uma universidade pública, o Ceia-UFG se tornou uma referência nacional ao integrar pesquisa científica, formação de profissionais, inovação e parcerias com empresas em um único ecossistema.

Centro atua em diferentes áreas da economia

As pesquisas desenvolvidas pelo Ceia-UFG abrangem setores estratégicos como saúde, agronegócio, educação, energia, mobilidade, ciências da vida e indústria.

Segundo a diretora do centro, Telma Soares, a expansão é resultado da combinação entre pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e formação de profissionais especializados.

Além da produção científica, o centro mantém projetos em parceria com empresas privadas e instituições públicas para desenvolver soluções que já chegam ao mercado.

Formação de profissionais

O ecossistema também é responsável pelo primeiro curso de graduação em Inteligência Artificial do Brasil, criado pela Universidade Federal de Goiás.

Nos últimos processos seletivos, a graduação registrou nota de corte superior à do curso de Medicina na própria universidade, reflexo da crescente procura por profissionais especializados em inteligência artificial.

Os estudantes participam de projetos de pesquisa, bolsas acadêmicas e iniciativas em parceria com empresas, aproximando a formação universitária das demandas do mercado.

Projetos já são utilizados por empresas

Entre as tecnologias desenvolvidas está o EnergyGPT, modelo de linguagem especializado no setor elétrico brasileiro.

Treinado em português com normas técnicas e legislações do segmento, o sistema utiliza inteligência artificial generativa para automatizar análises e apoiar processos complexos do mercado de energia.

Outra iniciativa foi desenvolvida em parceria com a empresa goiana Cilia Tecnologia. A solução utiliza aprendizado de máquina e imagens sintéticas para permitir que seguradoras realizem avaliações de danos em veículos a partir de fotografias enviadas pelos próprios motoristas por celular.

O projeto foi reconhecido pelo Prêmio EMBRAPII como uma das iniciativas mais inovadoras da indústria brasileira.

Expansão até 2031

O novo plano de investimentos também prevê a ampliação da formação de profissionais e do apoio ao empreendedorismo tecnológico.

Entre as metas anunciadas estão a manutenção de mais de 130 bolsistas atuando simultaneamente em projetos de pesquisa, aceleração de até 40 startups, capacitação de 2 mil professores em inteligência artificial, criação de uma plataforma de ensino a distância com potencial para alcançar 10 mil estudantes e a formação de uma rede com 100 empresas parceiras.

O programa ainda prevê o registro de 15 propriedades intelectuais e a realização da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial Aplicada.

Com a nova etapa de investimentos, o Ceia-UFG busca consolidar Goiás como um dos principais polos brasileiros de inteligência artificial, ampliando sua atuação em pesquisa, inovação e transferência de tecnologia para diferentes setores da economia.

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