Bradesco lança Pix por comando de voz no WhatsApp: funcionalidade é segura?

Bradesco lança solução via comando de voz por WhatsApp nesta semana

Priorizar nos meus resultados Google

O Bradesco anunciou recentemente uma funcionalidade que promete reinventar a forma como os usuários interagem com suas finanças: as transferências via Pix por comando de voz, diretamente no WhatsApp.

Com o apoio da assistente virtual BIA, agora turbinada por Inteligência Artificial Generativa, a ferramenta permitirá transações de até R$ 300,00 por operação.

A praticidade do Pix por comando de voz parece inegável. Segundo Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Digital, IA e Cibersegurança, a proposta é bastante sedutora do ponto de vista da experiência do usuário.

“O cliente envia uma mensagem de voz, e o dinheiro pode ser transferido sem fricções, sem digitação, sem aplicativos intermediários. A conveniência parece ser elevada ao máximo“.

No entanto, para o especialista, a inovação traz à tona importantes questões sobre segurança e privacidade.

Ao permitir transações financeiras por comando de voz, o banco está lidando com um tipo de dado potencialmente sensível: a biometria vocal.

“E ao fazer isso pelo WhatsApp, que é controlado por uma big tech sediada fora do país, impõe-se a necessidade de refletir sobre privacidade, segurança, responsabilização e transferência internacional de dados”, alerta o advogado.

Os riscos não parecem ser desprezíveis. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige que o uso de dados sensíveis, como a voz, tenha base legal específica e consentimento claro, o que, segundo o especialista, pode não ser satisfeito por janelas pop-up genéricas.

Além disso, a autenticação por comando de voz poderá não cumprir os padrões de segurança esperados para transações financeiras, o que poderia abrir margem para fraudes e uma eventual responsabilidade objetiva da instituição.

“Some-se a isso o fato de que o canal de comunicação, o WhatsApp, está fora da jurisdição nacional e já esteve no centro de polêmicas sobre uso indevido de dados”, acrescenta Coelho, ressaltando que todo o processo exige do controlador (o banco) um dever rigoroso de diligência, inclusive com a eventual necessidade de um Relatório de Impacto (DPIA).

A Inteligência Artificial da BIA, que agora busca compreender linguagem natural e deve decidir se o comando é ou não uma transação válida, também imporá deveres de transparência algorítmica, revisão humana e governança responsável. “Afinal, quem decide o que foi dito, e com que intenção?”, questiona o especialista.

“Mais do que uma novidade tecnológica, estamos diante de um caso que ilustra o delicado equilíbrio entre inovação e diligência regulatória. Porque, no final do dia, o Pix por voz pode parecer uma solução simples. Mas por trás da simplicidade, há um sistema que escuta, processa, decide e transfere dinheiro, tudo em segundos”, conclui o advogado.

Mais notícias

+
- Publicidade -
- Publicidade -

Veja também