Bilionários filantropos: quem são os mega-ricos que estão doando fortunas para causas sociais?

Movimento global de doações bilionárias ganha força

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Bilionários filantropos ao redor do mundo estão prometendo doar a maior parte de suas fortunas a causas sociais.

Esse movimento ganhou força especialmente após a criação do The Giving Pledge, um compromisso lançado em 2010 por Bill Gates e Warren Buffett a fim de incentivar os ultra-ricos a contribuírem com filantropia global.

Hoje já são mais de 240 signatários, de cerca de 30 países, dispostos a destinar pelo menos metade de seu patrimônio a iniciativas de caridade.

Além disso, outros bilionários que não aderiram formalmente a esse pacto também manifestaram publicamente a intenção de doar em vida a maior parte de suas riquezas.

A seguir, conheça alguns dos principais bilionários filantropos, quanto já doaram e quais causas apoiam – um fenômeno que reflete doações bilionárias crescentes e uma mudança de mentalidade entre os mais ricos do planeta.

Compromisso bilionário: The Giving Pledge e os pioneiros nos EUA

Os Estados Unidos concentram muitos desses mega-ricos engajados. Bill Gates, cofundador da Microsoft, foi um dos pioneiros: ele já doou cerca de US$ 55 bilhões ao longo da vida em prol de saúde global, educação e combate à pobreza.

Recentemente Gates anunciou planos de acelerar as doações e doar 95% a 99% de sua fortuna (estimada em aproximadamente US$ 107–113 bilhões) para a caridade. Leia: Bill Gates anuncia que vai doar quase toda sua fortuna até 2045

O bilionário afirmou que não quer “morrer rico” e que sua fundação poderá investir US$ 200 bilhões adicionais em ações filantrópicas até 2045 com esses recursos. Gates, junto com a então esposa Melinda French Gates, fundou a Bill & Melinda Gates Foundation e o próprio The Giving Pledge, com o intuito de trazer outros endinheirados para esse compromisso moral.

Warren Buffett, o investidor que por décadas liderou rankings de riqueza, foi outro cofundador do movimento. Buffett doou cerca de US$ 48 bilhões até agora – a maior parte para a fundação dos Gates – e declarou que 99% de seu patrimônio irá para filantropia.

Em 2006, Buffett já havia anunciado esse plano de legar praticamente todo seu dinheiro a causas sociais, e desde então vem incentivando colegas bilionários a fazerem o mesmo.

Outro nome de destaque é o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg. O magnata da mídia e do mercado financeiro possui hoje uma fortuna estimada em torno de US$ 95–100 bilhões, e já canalizou cerca de US$ 21 bilhões para sua fundação filantrópica ao longo da vida.

Bloomberg assinou o Giving Pledge e se comprometeu a doar a vasta maioria de sua riqueza para causas como saúde pública, mudança climática, educação e cultura. Em 2024, por exemplo, ele foi o maior doador individual dos EUA, repassando US$ 3,7 bilhões em um só ano a projetos sociais – uma doação bilionária anual que evidencia a escala de seu engajamento.

Nova geração de doadores bilionários no centro da tecnologia

Mark Zuckerberg – Imagem reprodução da internt

Nos últimos anos, uma nova geração de bilionários – muitos vindos do setor de tecnologia – passou a aderir à filantropia em larga escala.

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, e sua esposa Priscilla Chan anunciaram publicamente que doariam 99% de suas ações da empresa (então avaliadas em cerca de US$ 45 bilhões) para iniciativas filantrópicas ao longo da vida.

Com a Chan Zuckerberg Initiative, o jovem bilionário (cuja fortuna hoje ronda US$ 200 bilhões) investe em pesquisas científicas, educação personalizada e cura de doenças – sempre com o intuito de destinar sua riqueza a causas sociais de longo prazo.

Outro caso de destaque é o de MacKenzie Scott, escritora e ex-esposa de Jeff Bezos. MacKenzie assinou formalmente o Giving Pledge e, além disso, vem doando dinheiro em ritmo sem precedentes: de 2019 até o final de 2024, ela já distribuiu cerca de US$ 19,3 bilhões para mais de 1.600 organizações de caridade.

Essas doações beneficiam causas variadas – da equidade racial e de gênero à saúde pública e assistência educacional – e costumam ocorrer de forma rápida e discreta.

Com uma fortuna atual estimada em US$ 35 bilhões após tantas doações, MacKenzie Scott reiterou que seu objetivo é destinar pelo menos metade de todo seu patrimônio para a filantropia, embora na prática deva ultrapassar essa proporção dada a velocidade de seus repasses.

Entre os gigantes do setor financeiro e de investimentos, George Soros também se sobressai. O veterano investidor americano de origem húngara construiu uma fortuna multibilionária, mas doou a maior parte dela ao longo das últimas décadas por meio da Open Society Foundations.

Desde 1984, Soros já destinou cerca de US$ 32 bilhões para promover democracia, direitos humanos, igualdade e reformas sociais em mais de 120 países.

Do lado dos empresários de tecnologia mais recentes, vale citar também o movimento de Jeff Bezos, fundador da Amazon. Bezos inicialmente relutou em assumir compromissos filantrópicos na proporção de seus pares – ele não assinou o Giving Pledge – porém mudou de postura nos últimos tempos.

Em uma entrevista em 2022, Bezos declarou publicamente que pretende doar a maior parte de sua fortuna, estimada então em US$ 124 bilhões, ainda em vida.

O empresário criou fundos como o Bezos Earth Fund (com US$ 10 bilhões comprometidos para causas climáticas) e o Day One Fund (para educação infantil e combate à pobreza), além de fazer doações pontuais de destaque.

Assim sendo, Bezos sinaliza que uma fatia majoritária de sua riqueza alimentará projetos sociais e ambientais nas próximas décadas, o que o alinha à tendência inaugurada por Gates e Buffett.

Também no Vale do Silício, outros jovens bilionários manifestam cedo a intenção de devolver riqueza à sociedade. Por exemplo, Sam Altman, CEO da OpenAI, aderiu formalmente ao Giving Pledge em 2024, aos 38 anos, comprometendo-se a doar pelo menos metade de seu patrimônio estimado em US$ 1 bilhão.

Altman integra uma nova leva de signatários que mostram que, além disso, o espírito de filantropia global continua vivo entre os líderes da economia digital.

Filantropia global: bilionários de outros países engajados

Embora os EUA tenham o maior número de bilionários filantropos, a tendência também se espalhou globalmente, englobando desde magnatas indianos até investidores do Oriente Médio e empresários latino-americanos.

Um caso proeminente é o de Azim Premji, do setor de tecnologia na Índia. Premji, fundador da Wipro e um dos homens mais ricos da Ásia, direcionou US$ 21 bilhões de sua fortuna para a caridade – principalmente em prol da melhoria da educação básica em regiões rurais indianas.

Conhecido por sua frugalidade pessoal, Premji foi um dos primeiros não-americanos a assinar o Giving Pledge, com o intuito de dedicar a maioria de seus recursos a causas sociais em seu país.

No Oriente Médio, destaca-se o príncipe e investidor saudita Alwaleed bin Talal. Em 2015, Alwaleed surpreendeu ao anunciar que doará 100% de sua fortuna, então avaliada em cerca de US$ 32 bilhões, para projetos de caridade.

Esse compromisso total – um dos maiores já feitos por um indivíduo – será cumprido de forma gradativa por meio de sua fundação Alwaleed Philanthropies.

As doações do príncipe saudita visam promover saúde, erradicar doenças, auxiliar em desastres humanitários e ampliar os direitos das mulheres em sociedades conservadoras, entre outras frentes.

Na América Latina, ainda são poucos os bilionários que assumem compromissos tão amplos, mas há exemplos notáveis. O empresário Elie Horn, fundador da construtora brasileira Cyrela, foi o primeiro brasileiro a aderir ao Giving Pledge.

Horn e sua esposa Susy prometeram doar 60% de sua fortuna em vida para a caridade – e de fato Horn já repassou 60% de seu patrimônio pessoal a projetos sociais e instituições beneficentes, segundo a Forbes.

Nascido na Síria e radicado no Brasil, Elie Horn foca suas doações em iniciativas de combate à pobreza e promoção da educação, muito influenciado por preceitos de solidariedade de sua fé judaica ortodoxa.

Além dele, outro latino-americano na lista global de filantropos é David Vélez, colombiano cofundador do Nubank, que junto à esposa Mariel Reyes também aderiu ao Giving Pledge para investir grande parte de sua riqueza em iniciativas de impacto social.

Assim sendo, embora em menor número, os bilionários da América Latina começam a marcar presença nesse movimento de filantropia global, trazendo uma perspectiva regional para a cultura de grandes doações.

Doando tudo: o exemplo de Chuck Feeney

Chuck Feeney – Imagem – reproducao da internet

Por fim, nenhum nome simboliza tanto o ideal de “dar até o fim” quanto Chuck Feeney. Cofundador da rede Duty Free Shoppers, Feeney acumulou bilhões nas décadas passadas, mas decidiu doar praticamente 100% de sua fortuna em vida para causas humanitárias.

Conhecido como “James Bond da filantropia” por fazer doações enormes de forma anônima durante anos, Feeney criou a fundação Atlantic Philanthropies para canalizar seus recursos a projetos de equidade, educação e saúde pública.

Aos 90 anos, em 2020, concluiu seu objetivo de doar tudo o que tinha – cerca de US$ 8 bilhões no total – e fechou sua fundação. Hoje Chuck Feeney vive modestamente com a esposa em um apartamento alugado, sem luxo, feliz por ter investido sua riqueza em “ajudar as pessoas, em vez de acumular”.

Além do mais, seu exemplo prova que a ideia de doações bilionárias não precisa ficar só no papel: é possível, de fato, um bilionário zerar sua conta bancária em prol do bem comum.

Fontes: The Giving Pledge, Forbes, Estadão, Você S/A, NPR, CNN, Business Insider, Reuters, Bloomberg

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